Duane Davis, conhecido como “Keffe D”, preso na semana passada pelo assassinato do rapper Tupac Shakur, compareceu ao tribunal pela primeira vez nesta quarta-feira, 4, em Las Vegas, nos Estados Unidos (EUA), onde o juiz optou por adiar sua acusação por pelo menos mais duas semanas. Duane era testemunha no crime, mas investigações recentes apontaram que ele obteve a arma que matou o rapper, uma pistola glock. Keffe D será julgado no dia 19 de outubro.

Preso na última sexta-feira, 29, o homem, de 60 anos, havia afirmado anteriormente que estava no banco da frente do Cadillac branco que parou ao lado do carro de Shakur quando os tiros foram disparados do banco de trás. Recentemente, no entanto, os policiais apreenderam uma cópia do livro de memórias de Keffe D., no qual ele detalhava a vida das gangues de rua e o assassinato de Shakur. A quantidade de detalhes do crime gerou suspeita nas autoridades, o que deu início a nova investigação.

No documento, ele se descreve como uma das duas únicas testemunhas vivas do assassinato de Shakur, sendo a outra Marion ‘Suge’ Knight, ex-CEO da Death Row Records. “Vou manter em segredo, seguindo o código das ruas”, disse Keffe D. quando questionado sobre quem dos quatro homens no carro foi o responsável por puxar o gatilho. “Apenas vou dizer que veio de uma pessoa que estava no banco de trás”, afirmou, tornando-se então o principal suspeito.

Além do livro “Compton Street Legend”, publicado há 4 anos, a polícia também coletou computadores, um celular, um disco rígido, uma revista Vibe com Tupac, balas calibre 40 e várias fotografias do rapper. Davis, que pertence à gangue Crips e já cumpriu 15 anos de prisão por tráfico de drogas, pode agora enfrentar a pena de morte ou prisão perpétua.

O que diz o livro

Em maio de 1996, Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Duane Keith Davis, supostamente agrediu Travon “Tray” Lane, da gravadora de Tupac, Death Row Records, em uma loja de sapatos. Meses depois, em 7 de setembro, quando os dois estavam na mesma luta de boxe, Tupac comandou um ataque a Anderson capturado pelas câmeras de segurança do cassino MGM Grand, em Las Vegas.

Em seguida, voltou para seu quarto no hotel Luxor antes de ir embora com o dono da gravadora, Marion “Suge” Knight, para o Club 662, onde se apresentaria em um evento de caridade. Ao parar no semáforo, um Cadillac branco parou ao lado do carro de Tupac. O atirador abaixou a janela do banco traseiro e disparou, atingindo o rapper quatro vezes.

Uma bala atingiu o pulmão direito do artista, que morreu seis dias depois no Centro Médico Universitário de Las Vegas. A causa da morte foi insuficiência respiratória e parada cardíaca, causada pela remoção do pulmão direito. Knight, única outra testemunha viva do caso, preso na Califórnia por um homicídio culposo não relacionado, foi atingido de raspão, mas teve ferimentos leves.

Anderson foi preso uma semana depois em uma “varredura de gangue”, mas foi solto e nunca foi acusado pelo homicídio. Dois meses após o crime, Yaki Kadafi, do grupo de rap Outlawz, que estava no carro com Tupac, foi assassinado em Irvington, Nova Jersey, quando decidiu prestar depoimento à polícia. Anos depois, Anderson processou o espólio de Shakur, alegando “ferimentos físicos e grave sofrimento emocional e mental” devido ao ataque no MGM Grand. Em maio de 1998, ele foi baleado e morto em um tiroteio em um lava-rápido na cidade de Compton, na Califórnia.

Em 2009, Davis foi interrogado pela polícia de Los Angeles pelo assassinato do rapper The Notorious B.I.G., Christopher Wallace. Na época, ele confessou seu envolvimento no assassinato de Tupac em uma sessão que não poderia ser usada contra ele no tribunal. Segundo ele, sua mira não era boa o suficiente, então entregou a arma a seu sobrinho, Anderson, que efetuou os disparos.

Agora, 27 anos depois do crime, a história ganhou um novo capítulo e Keffe D se tornou o principal suspeito da morte de Tupac.