A eleição para o preenchimento de cargos em vacância da Entidade de Administração Goiana de Voleibol (EAGV) é questionada por 11 entidades filiadas à instituição. Em nota de repúdio, os clubes apontaram a falta de transparência, clareza e igualdade de condições para participação no processo.

Entre os principais questionamentos está o direito de voto. Segundo as entidades, a EAGV possui 22 filiados, mas apenas três foram considerados aptos a participar da votação, realizada por aclamação. Os clubes cobram esclarecimentos sobre quais critérios e documentos foram utilizados para definir as instituições habilitadas.

Um dos dirigentes de entidades que assinam a nota afirmou ao Jornal Opção que os clubes não tiveram acesso prévio e suficiente às informações sobre o processo. Segundo ele, a relação das instituições consideradas aptas a votar teria sido divulgada na noite anterior à eleição.

“A insatisfação dos clubes é que não tem transparência, não tem o mínimo de igualdade entre os filiados e, principalmente, hoje a federação não trata as coisas com legalidade de acordo com a Lei Geral do Esporte”, afirmou.

Segundo o dirigente, os clubes não tiveram acesso prévio e suficiente às informações sobre o processo. Ele afirma que a relação das instituições consideradas aptas a votar teria sido divulgada na noite anterior à eleição. “Eles publicaram que ia ser feita a eleição numa quarta-feira. No dia anterior, às 21 horas da noite, publicaram as equipes que tinham direito a voto para a eleição que acontecia no outro dia”, relatou.

O horário escolhido para a reunião também é questionado. De acordo com o dirigente, os clubes defendiam que decisões dessa natureza fossem tomadas aos fins de semana ou fora do horário comercial, principalmente para permitir a participação de equipes do interior. “Os clubes do interior, de Rio Verde, de Itumbiara, não conseguem vir nesse horário. Já tinha sido aprovado que seria feito sábado ou à noite, para todos participarem”, disse.

À reportagem do Jornal Opção entrou em contato com a EAGV para solicitar um posicionamento sobre os questionamentos apresentados pelas entidades, incluindo os critérios para definição dos filiados aptos a votar, a realização da votação por aclamação, a prestação de contas e a adequação do processo à Lei Geral do Esporte.

Até o momento da publicação, a entidade não havia enviado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

Direito ao voto

Um dos pontos mais contestados é a definição das três instituições habilitadas a votar. Segundo ele, a justificativa apresentada para impedir o voto de algumas entidades estaria relacionada ao cumprimento de requisitos previstos no estatuto. O dirigente, porém, questiona a forma como esses critérios foram aplicados aos filiados. “O estatuto fala que tem que estar tudo certinho, ter participado nos últimos anos. Várias entidades participaram e não puderam votar, e outras que não participam puderam. Então, a gente questiona justamente isso: quais foram os critérios usados?”, afirmou.

Ainda de acordo com o dirigente, apenas três instituições participaram da votação. Ele questiona a situação cadastral de duas delas e afirma que elas estariam com o CNPJ inapto junto à Receita Federal. A situação cadastral das instituições e os critérios utilizados pela EAGV para definir os filiados aptos a votar precisam ser confrontados com documentos oficiais e com a própria entidade.

Outro questionamento apresentado pelo dirigente envolve uma das instituições habilitadas e a representação dos atletas de vôlei de praia. Segundo ele, uma mesma pessoa teria duas formas de representação e, consequentemente, poderia exercer mais de um voto. “O estatuto fala que ele não poderia ter duplo voto e, mesmo assim, eles consideraram. Essa é uma de uma outra série de coisas que eles vão fazendo”, afirmou.

Questionamentos sobre a gestão

A nota de repúdio também questiona a transparência da atual gestão. Segundo os clubes, a entidade ainda não teria apresentado aos filiados o relatório de atividades e a prestação de contas referentes ao primeiro ano de gestão, apesar da previsão estatutária. As entidades também pedem esclarecimentos sobre a adequação do estatuto e do processo eleitoral da EAGV à Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023).

Outro ponto levantado é a permanência da atual presidência da entidade. Os clubes afirmam que o comando da EAGV permanece há 49 anos sob a mesma direção. Para o dirigente ouvido pelo Jornal Opção, a permanência prolongada no comando é um dos fatores que contribuem para a insatisfação dos clubes. “A federação hoje é comandada por um presidente que está há 49 anos no poder. Isso está até antes de eu nascer”, afirmou.

Ele também defendeu uma mudança na forma de condução da entidade e negou que o movimento tenha como objetivo assumir a presidência. “A gente não quer assumir a presidência. O que a gente quer é que seja feito tudo na legalidade”, disse.

Segundo ele, os clubes defendem que a EAGV tenha regras mais claras e que os filiados tenham efetiva participação nas decisões. “É um momento triste. O voleibol goiano é um dos esportes mais praticados no nosso estado e ainda a gente fica nessa velha política”, afirmou.

Apesar das divergências, as entidades afirmam que a mobilização não tem como objetivo disputar o comando da EAGV, mas cobrar mudanças na condução da entidade e garantir maior participação dos filiados nas decisões.

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