A família de Cleissi Marques Teresa, de 61 anos, busca indenização na Justiça após denunciar supostas falhas no atendimento prestado pelo Hospital Municipal de Aloândia, no Sul de Goiás. A idosa morreu na madrugada de 29 de abril, após semanas de agravamento do quadro de saúde e uma tentativa frustrada de transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Ao Jornal Opção, o advogado da família, Leonardo Felipe, afirmou que Teresa apresentava suspeita de câncer na laringe, condição que teria provocado a deterioração progressiva de seu estado de saúde desde janeiro deste ano. Segundo ele, a rápida piora do quadro, somada a lesões identificadas na região da garganta durante procedimentos realizados no hospital, levanta dúvidas sobre a condução do atendimento.

“Acreditamos que a morte dela foi causada, em parte, pela falta de equipamentos adequados para a realização dos procedimentos médicos e pela forma equivocada como a sonda foi implantada”, afirmou o advogado.

De acordo com os familiares, o primeiro atendimento ocorreu em 2 de janeiro, quando Teresa foi submetida a uma endoscopia. Após o exame, ela teria passado a apresentar rouquidão e dores na garganta, sintomas que se intensificaram ao longo dos meses. A família sustenta que, apesar das queixas recorrentes, foram prescritos apenas medicamentos, sem a solicitação de exames complementares capazes de identificar a origem do problema.

No dia 26 de abril, a paciente retornou ao hospital em estado considerado grave, debilitada e com dificuldade para engolir. Conforme relato do filho e da defesa, uma médica plantonista realizou a inserção de uma sonda nasoenteral sem exames prévios, mesmo diante da informação de que havia uma lesão na garganta da paciente.

Segundo o advogado, o procedimento pode ter provocado uma hemorragia e contribuído para o agravamento do quadro clínico.

Dois dias depois, em 28 de abril, exames apontaram que as plaquetas de Teresa estavam abaixo de 18 mil, índice considerado crítico. Na mesma data, a família obteve uma decisão judicial determinando a transferência imediata da paciente para uma UTI. A medida, contudo, não teria sido cumprida a tempo. Teresa morreu às 3h30 do dia seguinte, 29 de abril.

Leonardo Felipe também questiona as condições estruturais da unidade de saúde. Segundo ele, o hospital não dispunha dos equipamentos adequados para atender um caso de alta complexidade, como monitores cardíacos e suporte de oxigênio compatível com a gravidade da situação.

“A situação do hospital é muito complicada. Claro que estamos falando de uma unidade do interior e não da capital, mas, ainda assim, não havia meios nem profissionais adequados para lidar com o caso”, declarou.

O advogado sustenta ainda que a Secretaria Municipal de Saúde e a Prefeitura de Aloândia demoraram para inserir a paciente no sistema de regulação, o que teria retardado a busca por uma vaga de UTI.

Além do pedido de indenização na esfera cível, a família pretende buscar a apuração de eventuais responsabilidades criminais. Leonardo Felipe afirma que atua como assistente de acusação junto ao Ministério Público para auxiliar na investigação dos fatos e na identificação de possíveis responsáveis.

A Prefeitura de Aloândia foi procurada pela reportagem para se manifestar sobre as acusações. Até o fechamento desta matéria, não havia encaminhado resposta. O espaço permanece aberto para posicionamento.

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