Uma operação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrada na manhã desta sexta-feira, 19, apura um suposto esquema de descontos irregulares em contracheques de servidores públicos do Distrito Federal. A investigação tem como alvos instituições financeiras, órgãos do governo distrital e ex-gestores que teriam participado da operação.

Entre os investigados estão o Banco de Brasília (BRB), responsável pelo processamento da folha de pagamento dos servidores, a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), o PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.

A Operação Juros Zero cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba. Não foram expedidos mandados de prisão.

De acordo com o Ministério Público, o esquema teria sido viabilizado por meio de um decreto distrital editado em 2024. A norma teria permitido a realização de descontos considerados irregulares nos contracheques dos servidores, com a cobrança de juros que apareciam mascarados como taxas administrativas.

Entre os principais alvos da investigação estão Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do Distrito Federal; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay e ex-investigado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.

Segundo as apurações, após assumir a gestão da folha de pagamento dos servidores do GDF, o PicPay teria participado da estrutura que possibilitou a cobrança dos valores questionados pelos investigadores.

Por determinação da Justiça, foram bloqueados quase R$ 90 milhões em contas vinculadas ao PicPay e à Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal. A medida busca garantir eventual ressarcimento dos prejuízos e preservar recursos durante o andamento das investigações.

Os envolvidos são investigados por crimes contra a economia popular, publicidade enganosa nas relações de consumo, inserção e alteração indevida de dados em sistemas da administração pública, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O Ministério Público ainda apura a participação de cada um dos investigados e o volume total de recursos que teriam sido movimentados no suposto esquema. Os citados terão oportunidade de apresentar defesa ao longo das investigações.