A pecuária bovina é uma das atividades econômicas mais importantes de Goiás e ajuda a explicar por que o estado ocupa posição de destaque no agronegócio brasileiro. Com um dos maiores rebanhos do país, estimado em mais de 20 milhões de cabeças, Goiás figura entre os três maiores produtores nacionais de carne bovina, respondendo por cerca de 10% de todo o abate realizado no Brasil. Somente em 2025, mais de 4 milhões de bovinos foram abatidos em frigoríficos goianos, consolidando uma cadeia produtiva que movimenta aproximadamente R$ 23,7 bilhões por ano e gera milhares de empregos diretos e indiretos no campo, na indústria, no transporte e no comércio.

A força da pecuária goiana também se reflete na presença de grandes frigoríficos exportadores instalados em municípios estratégicos do estado. Cidades como Mozarlândia, Senador Canedo, Palmeiras de Goiás, Porangatu e Itumbiara concentram algumas das maiores plantas de abate e processamento de carne bovina do país, operadas por gigantes do setor como JBS e Minerva Foods. A produção goiana abastece tanto o mercado interno quanto dezenas de países, fazendo da carne bovina um dos principais produtos da pauta exportadora estadual.

Nos últimos anos, a expansão dos mercados internacionais contribuiu para impulsionar ainda mais a atividade. A abertura de novos destinos para a proteína animal brasileira e o aumento da demanda global fortaleceram os investimentos em genética, tecnologia, rastreabilidade e produtividade. Ao mesmo tempo, a cadeia da carne passou a enfrentar exigências cada vez mais rigorosas relacionadas à sustentabilidade ambiental, ao bem-estar animal e aos protocolos sanitários adotados pelos países importadores.

É nesse contexto que uma decisão recente da União Europeia acendeu um sinal de alerta para produtores rurais, frigoríficos e autoridades do setor agropecuário brasileiro. O bloco europeu anunciou novas restrições relacionadas à importação de produtos de origem animal, ampliando exigências sanitárias e de rastreabilidade que impactam diretamente países exportadores como o Brasil. Paralelamente, avançam as discussões em torno das regras ambientais europeias que condicionam o acesso ao mercado à comprovação de que os produtos comercializados não estejam associados ao desmatamento ou a irregularidades em sua cadeia produtiva.

Embora a participação da União Europeia nas exportações brasileiras de carne bovina seja menor do que a de mercados como China, Estados Unidos e países do Oriente Médio, especialistas alertam que as decisões adotadas pelo bloco possuem forte influência sobre o comércio internacional. Historicamente, as normas europeias acabam servindo de referência para outros mercados consumidores, podendo influenciar futuras exigências comerciais em diferentes regiões do mundo.

Para Goiás, a discussão ganha relevância especial devido à importância econômica da pecuária de corte. O estado não apenas produz em larga escala, mas também concentra uma robusta estrutura industrial voltada à exportação. Qualquer alteração nas regras de acesso aos mercados internacionais pode gerar reflexos sobre investimentos, competitividade, geração de empregos e renda em dezenas de municípios goianos que dependem diretamente da cadeia da carne.

Diante desse cenário, o Jornal Opção ouviu representantes da indústria, do setor produtivo, do mercado e do poder público para entender quais podem ser os impactos das novas exigências internacionais para Goiás. O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Goiás (Sindicarnes), Leandro Stival, analisa os possíveis efeitos para os frigoríficos instalados no estado e os desafios enfrentados pela indústria para atender às crescentes demandas dos compradores internacionais.

A reportagem também ouviu Marcelo Penha, analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), que avalia os desdobramentos econômicos das medidas e os reflexos para a competitividade da carne bovina goiana nos mercados globais. Pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), André Rocha aborda os impactos sobre a atividade industrial, a geração de empregos e a capacidade de atração de investimentos para o estado.

A análise ganha ainda uma perspectiva nacional e internacional com a participação da jornalista especializada em agronegócio e economia Kellen Severo, que acompanha de perto as transformações do comércio global de alimentos e as disputas regulatórias envolvendo os principais países exportadores de proteína animal. Já o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Ademar Leal, apresenta a visão do governo estadual sobre os desafios e as oportunidades que surgem diante das novas exigências sanitárias e ambientais impostas pelos mercados internacionais.

A reportagem também procurou os maiores frigoríficos de bovinos em Goiás, Minerva Foods e JBS, mas eles informaram que não estão comentando o assunto. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também foram procurados, mas não responderam.

Mais do que uma discussão comercial, o debate envolve o futuro de uma das principais atividades econômicas de Goiás. Em um cenário marcado por crescente pressão por sustentabilidade, rastreabilidade e segurança alimentar, a capacidade de adaptação da cadeia produtiva poderá ser determinante para manter a competitividade da carne bovina goiana e preservar sua posição de destaque no mercado mundial.

Goiás no centro da produção de carne bovina | Foto: Imagem criada por IA

Mercado europeu paga mais e absorve cortes nobres

Presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Goiás (Sindicarnes), Leandro Stival afirma que Goiás possui frigoríficos altamente especializados no atendimento ao mercado europeu e que as exigências impostas pelo bloco influenciaram diretamente os investimentos realizados pelas empresas nos últimos anos.

Segundo ele, duas grandes plantas frigoríficas localizadas em Mozarlândia e Palmeiras de Goiás foram estruturadas justamente para atender mercados considerados premium.”Hoje, aqui em Goiás, nós temos duas empresas grandes, uma em Mozarlândia e uma em Palmeiras de Goiás, que são especialistas em atender o mercado europeu e os mercados mais premium”, afirma.

De acordo com dados apresentados por Stival, Goiás exportou aproximadamente 26,3 mil toneladas de carne bovina para a Europa em 2025, movimentando cerca de US$ 189 milhões.

Embora o volume seja inferior ao destinado para mercados como China e Estados Unidos, o dirigente ressalta que o diferencial está no valor agregado dos produtos embarcados. “Para a Europa vão cortes nobres, com valor maior agregado. É um perfil de carne diferente daquele exportado para outros países”, explica.

Stival afirma que ainda é prematuro calcular eventuais perdas econômicas, mas alerta que as indústrias fizeram investimentos elevados para atender aos rigorosos padrões exigidos pelos europeus. “As empresas investiram em adequações, certificações, rastreabilidade e compliance para cumprir as exigências necessárias para exportar. Esse é um dos maiores impactos. Foram investimentos realizados justamente para atender esse mercado.”

Segundo ele, caso as restrições sejam mantidas, a tendência é que a produção destinada à Europa seja redirecionada para outros compradores internacionais.

“A China e os Estados Unidos devem absorver parte desse volume. Não eram volumes expressivos, mas eram representativos em termos de valor agregado.”

Leandro Stival, presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Goiás (Sindicarnes) | Foto: Divulgação

“Curiosamente a decisão veio junto com o acordo Mercosul-União Europeia”

Além dos impactos econômicos, o presidente do Sindicarnes questiona os motivos que levaram à adoção das medidas pelo bloco europeu.

Para ele, a coincidência entre o anúncio das restrições e o avanço das discussões sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia levanta dúvidas sobre a natureza da decisão. “É no mínimo curioso que essa decisão tenha surgido exatamente no momento em que avançam as discussões do acordo Mercosul-União Europeia.”

Stival afirma que os questionamentos europeus não envolvem problemas de segurança alimentar propriamente ditos, mas questões regulatórias relacionadas à documentação e rastreabilidade.

“Nós não estamos falando de um problema de segurança alimentar. Estamos falando de questões regulatórias, relacionadas à rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental do uso de medicamentos.”

Para ele, justamente por serem questões técnicas, os entraves poderiam ser resolvidos por meio do diálogo. “São fatores técnicos. É algo que pode ser administrado e negociado. Isso gera um alerta e algumas conjecturas sobre o caráter técnico ou político da decisão.”

Impacto imediato seria limitado, mas preocupa no longo prazo

Analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Marcelo Penha avalia que, caso as restrições sejam efetivamente implementadas, o impacto imediato sobre a pecuária brasileira tende a ser relativamente controlado.

Segundo ele, Goiás responde por aproximadamente 13% das exportações brasileiras de carne bovina destinadas à União Europeia. “O impacto para o Brasil ficaria em torno de 4% a 5%. Como Goiás representa cerca de 13% das exportações para esse mercado, o estado sentiria um impacto proporcionalmente maior.”

Penha calcula que o prejuízo potencial pode alcançar cerca de US$ 300 milhões, considerando o valor que deixaria de ser exportado após a entrada em vigor das restrições.

Mesmo assim, ele acredita que o momento atual da pecuária oferece certa proteção ao setor. Hoje o mercado atravessa um ciclo de alta, marcado pela valorização do bezerro e pela retenção de matrizes nas propriedades.

“Estamos segurando vacas para produzir mais bezerros. Isso significa que vamos abater menos animais neste ano do que no ano passado.”

Segundo o analista, essa redução natural na oferta ajuda a absorver eventuais perdas de mercado. “O volume que deixaria de ir para a Europa é muito menor do que a redução da produção provocada pelo atual ciclo pecuário. Isso nos dá um certo conforto no curto prazo.”

Marcelo Penha, analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag) | Foto: Divulgação

Europa paga até 20% mais pela carne brasileira

Apesar da possibilidade de redirecionamento da produção para outros destinos, Penha destaca que perder o mercado europeu não seria uma boa notícia para a cadeia produtiva.

Isso porque os europeus pagam valores superiores aos praticados em outros mercados. “A média paga pela Europa fica entre sete e oito dólares por quilo, enquanto a média de outros mercados gira em torno de 5,6 dólares. É cerca de 20% a mais.”

Por isso, ele defende que o Brasil continue avançando no atendimento às exigências internacionais. “É importante que o Brasil tenha uma rastreabilidade confiável. É importante atender as exigências relacionadas aos antimicrobianos e às questões ambientais. Quanto mais avançarmos nisso, mais valor agregamos à nossa carne.”

O analista também acredita que Estados Unidos e países asiáticos podem absorver parte da produção que eventualmente deixe de ser enviada para a Europa. “Os Estados Unidos vêm aumentando significativamente suas compras de carne brasileira. Há também oportunidades em mercados asiáticos.”

Protecionismo europeu preocupa setor industrial

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), André Rocha, as medidas europeias possuem forte componente comercial.

Segundo ele, o histórico das negociações entre Mercosul e União Europeia demonstra que os produtores europeus sempre pressionaram seus governos por mecanismos de proteção. “Nós sabemos que isso é mais uma barreira comercial não tarifária criada para proteger os produtores europeus.”

Rocha lembra que o acordo entre Mercosul e União Europeia levou décadas para ser negociado e que as novas restrições surgem justamente em um momento de aproximação entre os blocos.

“Depois de tantos anos de negociação, é frustrante ver novas barreiras surgindo.”

André Rocha, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) | Foto: FIEG

O representante da FIEG acredita que a diplomacia brasileira e as entidades do setor atuarão para reverter o cenário. “A indústria da carne, as federações estaduais e as entidades nacionais estão mobilizadas para buscar uma solução técnica e diplomática para essa questão.”

Segundo ele, o Brasil também precisa continuar ampliando sua presença em novos mercados. “Precisamos continuar celebrando acordos comerciais e ampliando oportunidades para os produtos brasileiros.”

Governo aposta em negociação e rastreabilidade

O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Ademar Leal, afirma que o tema está sendo conduzido diretamente pelo Ministério da Agricultura, mas garante que o governo estadual acompanha as negociações e oferece suporte técnico sempre que necessário.

“A pauta está sendo tratada pelo Ministério da Agricultura. Nossa função é acompanhar e apoiar no que for necessário.”

Leal demonstra confiança de que o impasse será solucionado. “Eu acredito que vamos conseguir avançar. Na verdade, não se trata de adequação, mas de demonstração. Precisamos demonstrar aquilo que já fazemos.”

Segundo ele, a carne brasileira possui padrões sanitários compatíveis com os mercados mais exigentes do mundo.

“O país trata esse assunto com total seriedade. Nossos produtos são extremamente seguros para exportação para qualquer país.”

Ainda assim, o secretário reconhece que uma eventual interrupção das exportações para a Europa teria efeitos negativos. “O impacto seria muito negativo. A importância da Europa hoje é mais institucional do que pelo volume exportado, mas continua sendo um mercado extremamente relevante.”

Leal destaca que Goiás e o Brasil vêm trabalhando para ampliar sua presença em novos destinos, especialmente no mercado asiático.

“Estamos avançando em mercados importantes como Japão, Indonésia e Coreia do Sul. Também ampliamos nossa participação nos Estados Unidos.”

Ademar Leal,secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás | Foto: Divulgação

Goiás prepara ampliação da rastreabilidade

Um dos pontos centrais das exigências internacionais é a rastreabilidade dos rebanhos.

Segundo Ademar Leal, Goiás já opera dentro das normas do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), mas pretende avançar ainda mais. “O sistema de rastreabilidade já funciona e é acompanhado pelo Ministério da Agricultura e pela Agrodefesa.”

Além disso, o governo estadual trabalha na implantação de novos mecanismos de controle. “Estamos desenvolvendo um sistema que permitirá ampliar a rastreabilidade do rebanho e das propriedades rurais. Queremos atender às exigências internacionais sem criar custos excessivos para os produtores.”

Geopolítica, comércio internacional e o futuro da carne bovina

Kellen Severo, jornalista especializada em agronegócio e economia, destacou que os eventos geopolíticos deixaram de ser apenas um tema de política internacional e passaram a influenciar diretamente o agronegócio brasileiro.

“Geopolítica importa porque o agro é o setor mais internacionalizado da economia brasileira. Eventos geopolíticos têm efeito de alto impacto e baixa previsibilidade.”

Segundo ela, a nova ordem mundial tende a ampliar a frequência desses eventos.“A nova ordem do mundo nos remete a eventos geopolíticos mais repetitivos e estes eventos têm o potencial de mudar o patamar que a gente prevê de cenário para o nosso negócio.”

Apesar das incertezas, Kellen avalia que os conflitos internacionais também criam oportunidades para países exportadores de alimentos, como o Brasil.

“À medida que países se envolvem em conflitos geopolíticos, tradicionalmente o que acontece é a demanda por comida aumentar. Quanto maior a instabilidade geopolítica, maior a necessidade dos países de armazenar comida, fazer estoque e garantir parceiros sólidos e confiáveis.”

Nesse cenário, ela afirma que o Brasil ocupa uma posição privilegiada. “O Brasil é um parceiro sólido e confiável.” A jornalista, durante uma palestra que o Jornal Opção esteve presente, também apontou o crescimento econômico da Ásia como um dos principais motores da demanda global por proteína animal.

“Olhando para frente, a gente vê um crescimento muito puxado pelo desenvolvimento na Ásia. Renda per capita aumentando. E isso puxa o quê? Proteína animal. Aumenta a renda, aumenta o consumo de proteína. Aumenta o consumo de proteína, aumenta o consumo de grãos.”

Kellen Severo, jornalista especializada em agronegócio e economia | Foto: Divulgação

O ciclo de alta da pecuária

Ao analisar especificamente o mercado pecuário, Kellen afirmou que o setor vive um momento favorável. “Na pecuária, a gente está vivendo o ciclo de ouro do mercado pecuário.”

Segundo ela, o Brasil entrou em uma fase de valorização da arroba impulsionada por fatores internos e externos. “Estamos entrando no ciclo de alta de preços. Em 2026, no primeiro semestre, a gente já viu uma disparada da arroba.”

Além da mudança do ciclo pecuário, ela destacou os efeitos das novas medidas adotadas pela China para proteger seus produtores.

“A China implementou salvaguardas e taxas para quem manda carne bovina para o país. Isso mudou a dinâmica das exportações brasileiras.”

A consequência foi uma antecipação dos embarques. “Muito do que seria exportado ao longo do ano foi antecipado para o primeiro semestre, porque os exportadores querem fugir da taxa de 50% que passará a vigorar quando o Brasil atingir a cota de 1 milhão de toneladas exportadas para a China.”

Segundo Kellen, esse movimento ajudou a sustentar os preços da arroba. “Isso ajuda a explicar os atuais patamares de preço da arroba: início do ciclo pecuário, avanço das exportações e menor oferta de animais.”

Importância da China para a pecuária | Foto: Imagem criada por IA

Carne bovina no centro da disputa comercial global

Kellen também chamou atenção para o fato de que a carne bovina se tornou um ativo estratégico dentro da geopolítica global.

“A carne bovina hoje é um dos grandes elementos da agenda geopolítica.”

Ela citou o aumento das barreiras comerciais e medidas protecionistas adotadas por diversos países.

“Não basta enxergar que o mercado tem oportunidades. Elas precisam ser capturadas e o negócio também precisa estar blindado de questões que estão cada vez mais frequentes, como taxas, tarifas e exclusões de mercados exportadores.”

Recorde de confinamento e investimentos

Na avaliação da jornalista, a combinação entre preços firmes da arroba, demanda internacional aquecida e expansão da produção de etanol de milho está estimulando investimentos na pecuária brasileira.

“Se o preço do boi está firme, se a demanda mundial está aquecida, o que está acontecendo? Está aumentando o volume de animais confinados.”

Ela prevê um novo recorde para o setor. “O Brasil deve bater recorde de confinamento em 2026.”

Além disso, observa um aumento dos investimentos dentro das propriedades.

“O que a gente está vendo é investimento em genética avançando para aproveitar essa onda e também investimentos em recuperação de pastagens.”

A volta da proteína animal

Kellen afirmou ainda que há uma mudança importante nos hábitos de consumo globais. “A proteína animal voltou ao topo.”

Ela citou o enfraquecimento das teses que apostavam na substituição da carne por produtos vegetais. “A Beyond Meat, uma das principais empresas de carne vegetal, perdeu cerca de 99% do valor das suas ações. A tese de que a carne vegetal substituiria a proteína animal não se confirmou.”

Segundo ela, os Estados Unidos também vêm reforçando essa tendência. “A nova orientação nutricional coloca a proteína como elemento central da alimentação.”

Outro fator que favorece o consumo de carne é a popularização das chamadas canetas emagrecedoras.

“Os dados mostram que quem utiliza esses medicamentos passa a buscar alimentos mais nutritivos e com maior saciedade. Entre esses produtos está a proteína.”

Para Kellen, o setor vive o início de uma nova fase de crescimento.

“Estamos vivendo o auge da proteína. Esse mercado está passando por uma onda de oportunidade e muita gente vai surfar esse crescimento da pecuária.”

Carne brasileira e seu mercado externo | Foto: Imagem criada por IA

Mercado segue atento

Enquanto as negociações continuam, representantes da indústria, do governo e do setor produtivo convergem em um ponto: a expectativa é de que o diálogo prevaleça e que o Brasil consiga manter acesso ao mercado europeu.

Apesar disso, o episódio reforça uma realidade cada vez mais presente no comércio internacional. Além de produzir em grande escala, países exportadores precisam demonstrar capacidade de atender exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade cada vez mais rigorosas.

Para Goiás, que se consolidou como um dos maiores produtores de carne bovina do planeta, o desafio será manter a competitividade em um mercado global cada vez mais disputado, sem perder espaço em destinos estratégicos que agregam valor à produção e ajudam a sustentar uma das principais cadeias econômicas do estado.

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