“Não é momento para alarde”, diz presidente do Sindicarnes sobre veto da UE à carne brasileira
12 maio 2026 às 15h53

COMPARTILHAR
O Brasil ficou de fora da lista atualizada da União Europeia de países que cumprem as regras exigidas contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, o que impacta na importação de carnes e de produtos de origem animal produzidas em solo nacional. A decisão, divulgada nesta terça-feira, 12, entretanto, passa a vigorar a partir do dia 3 de setembro. Apesar do fato, o presidente do Sindicato das Industrias de Carnes e Derivados de Goiás (Sindicarnes), Leandro Stival, afirma que o momento não é para alarde e que a situação pode ser revertida até a data em questão.
“Não é um embargo total e imediato. A decisão entra em setembro e ainda existe espaço para discussões técnicas, diplomáticas e até para que o Brasil apresente garantias e adequações para cumprir as exigências”, destaca.
Para ele, não há impacto imediato para os produtos brasileiros. “A curto prazo, eu não vejo que o produtor precise ficar preocupado. As plantas exportadoras possuem outros mercados além da Europa, então não deve haver impacto relevante nas exportações.”
Pressão internacional
O presidente reforça que a força e o tamanho do agronegócio brasileiro contribuem com que novas barreiras sanitárias apareçam de maneira recorrente.
“Por essa força na produção de carne bovina, suína e de frango, acabam surgindo questões sanitárias como barreiras para a entrada dos produtos brasileiros.”
Segundo Leandro, países como França e Polônia possuem forte pressão do agronegócio local contra a entrada de produtos sul-americanos, especialmente carnes bovinas. “A União Europeia discute internamente essas questões e muitos países acabam impondo exigências sanitárias também para proteger seus produtores rurais e seus mercados.”
Apesar disso, vale destacar que o Brasil exporta cerca de 80 a 100 mil toneladas de carne, sendo que Goiás representa 3% desse total. Mesmo sendo um volume pequeno, Leandro destaca que o mercado europeu tem uma relevância estratégica de vendas para outros países.
“Não é um volume relevante que o Brasil exporta para lá, mas é uma chancela importante que muitos frigoríficos utilizam para acessar outros mercados. As exigências da União Europeia estão entre as mais altas do mundo.”
Leandro afirma que o endurecimento europeu não começou agora e deve aconteceu nos anos seguintes. “Isso não é uma coisa de agora. Há alguns anos a Europa vem endurecendo critérios sanitários, e o Brasil precisa responder tecnicamente e diplomaticamente.”

Por que o Brasil ficou de fora?
A justificativa para retirar o Brasil da lista foi pelo fato do país não oferecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, segundo informações da agência de notícias France Press. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns dos medicamos podem funcionar como promotores de crescimento.
A ausência do Brasil na lista foi confirmada à agência Lusa pela porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova. Ela disse que o país poderá deixar “de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros”.
Para o Brasil voltar à lista, ele “eve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados”, segundo a porta-voz.
Leia também: Prefeitura encaminha à Câmara reajuste de 5,4% para Educação em meio a negociações com categoria


