Quem é Rafaela Pimenta, a brasileira que virou uma das mulheres mais influentes do futebol mundial
02 julho 2026 às 16h24

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Aos 53 anos, a brasileira Rafaela Pimenta alcançou um feito raro no esporte. Sem nunca ter sido jogadora ou treinadora, ela foi a única representante do futebol incluída na lista “50 Over 50” da revista Forbes em 2026, que reúne mulheres acima dos 50 anos que se destacam pela influência e liderança em diferentes áreas.
À frente da agência Tática, sediada em Mônaco, Rafaela administra a carreira de alguns dos principais nomes do futebol internacional. Entre eles está o atacante norueguês Erling Haaland, do Manchester City, considerado um dos maiores jogadores da atualidade. Foi ela quem conduziu tanto a transferência do atleta para o clube inglês, em 2022, quanto a renovação do contrato até 2034, assinada neste ano.
O reconhecimento da Forbes reforça uma trajetória construída em um ambiente onde, por décadas, quase não havia mulheres ocupando posições de comando.
Da sala de aula para o mercado bilionário do futebol
Antes de se tornar uma das agentes mais influentes do mundo, Rafaela Pimenta seguiu um caminho bem diferente. Formada em Direito, trabalhou como professora no Brasil e foi justamente em sala de aula que surgiu seu interesse pelo futebol.
Ela costumava usar questões jurídicas envolvendo o esporte para despertar o interesse dos alunos. A estratégia acabou aproximando a advogada de ex-jogadores e empresários, até que passou a participar de negociações ligadas ao mercado esportivo.
O que começou quase por acaso transformou-se em uma carreira internacional.
Em entrevista à BBC Sport, Rafaela contou que nem sempre acreditou que daria certo.
“Gostei da ideia do futebol e pensei: vamos ver se isso pode funcionar. Na época, a profissão de agente ainda estava começando e poderia ter dado errado muitas vezes”, afirmou.
A parceria com Mino Raiola
Durante muitos anos, Rafaela trabalhou ao lado do empresário italiano Mino Raiola, um dos agentes mais conhecidos e polêmicos da história do futebol, responsável por carreiras como as de Zlatan Ibrahimović e Paul Pogba.
Depois da morte de Raiola, em 2022, muita gente passou a dizer que ela apenas havia herdado sua carteira de clientes. A brasileira, porém, rejeita essa interpretação.
Segundo ela, a parceria nasceu justamente porque nunca teve receio de discordar do italiano.
“Ele dizia que eu era a única pessoa que tinha coragem de dizer ‘não’. Todo mundo queria agradá-lo. Nós discutíamos muito, mas havia respeito entre nós”, relembrou.
Hoje, embora represente alguns atletas que já trabalhavam com Raiola, Rafaela conduz sua própria agência e administra negociações de centenas de milhões de euros.
Machismo marcou o início da carreira
Construir espaço em um mercado dominado por homens não foi simples.
Rafaela conta que enfrentou episódios de preconceito desde as primeiras reuniões com dirigentes de clubes europeus. Um deles ficou marcado pela forma como foi recebida.
“Um diretor esportivo olhou para mim e disse: ‘Então você existe mesmo? Achei que você fosse uma prostituta brasileira'”, contou.
Em outra negociação, após ela conduzir praticamente toda a reunião, um dirigente preferiu elogiar o advogado que a acompanhava, acreditando que ele fosse o responsável pelo trabalho.
Para Rafaela, situações como essas mostram que ainda existe um longo caminho para que mulheres sejam reconhecidas em funções de liderança no futebol.
Hoje, além de empresária, ela também atua como professora em cursos de formação de agentes promovidos pela UEFA e costuma orientar jovens que desejam seguir carreira no esporte.
Seu principal conselho é para que elas não aceitem abusos nem sintam necessidade de se adaptar a estereótipos para conquistar espaço.
Jogadores não podem ser tratados apenas como ativos
Acostumada aos bastidores das maiores transferências do futebol, Rafaela também faz críticas ao modelo atual do mercado.
Na avaliação da empresária, os clubes concentram poder excessivo nas negociações, enquanto os jogadores acabam tendo pouca autonomia para decidir os rumos da própria carreira.
Ela também defende o fim de contratos que impõem multas para atletas que desejam trocar de agente.
“O futebol se tornou um negócio gigantesco. O risco é esquecer que, antes de serem ativos financeiros, os jogadores são pessoas”, afirmou.
Mesmo ocupando hoje um dos postos mais influentes da indústria do futebol, Rafaela Pimenta diz que encara cada negociação como um novo desafio.
“Você é tão bom quanto sua última janela de transferências. O que fizemos há dez anos não importa mais. É preciso provar seu valor todos os dias.”
Foi justamente essa trajetória — construída longe dos holofotes, mas no centro das maiores negociações do esporte — que levou a brasileira a integrar a lista da Forbes e se consolidar como uma das mulheres mais influentes do futebol mundial.
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