A plataforma de streaming pública e gratuita “Tela Brasil” será lançada oficialmente no próximo sábado, 30, com um catálogo inicial de 447 produções inteiramente nacionais. Coordenado pelo Ministério da Cultura (MinC), o projeto piloto recebeu um investimento inicial de R$ 4,2 milhões dos cofres públicos com o objetivo de democratizar o acesso e dar vitrine a longas, curtas e documentários independentes diretamente nas televisões conectadas.

Apelidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de a “Netflix brasileira”, o serviço surge em um momento estratégico de forte articulação política em Brasília, funcionando como um contraponto estatal em meio à queda de braço no Congresso Nacional para regulamentar e taxar as gigantes internacionais do setor.

A divulgação do projeto aconteceu durante a inauguração do o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz, no Rio de Janeiro, no último sábado (23). Segundo Lula, a proposta é oferecer acesso gratuito às produções nacionais. “Vamos disponibilizar 500 filmes brasileiros para que o povo possa assistir de graça na rede de TV brasileira. É a nossa Netflix, nossa Netflix brasileira”, afirmou o presidente.

A iniciativa tenta romper as históricas barreiras de distribuição enfrentadas pelo setor audiovisual do País. Ao criar uma janela digital subsidiada pelo Estado, o governo federal busca facilitar o contato do grande público com títulos que costumam ficar restritos a circuitos especializados ou festivais, consolidando uma barreira de identidade cultural contra a forte concorrência estrangeira.

No entanto, a estreia do “Tela Brasil” ocorre sob o monitoramento atento do mercado financeiro e de setores da oposição. Enquanto a classe artística celebra a abertura do novo canal de difusão, críticos em Brasília questionam a viabilidade de longo prazo e os custos futuros de manutenção de uma estrutura estatal de entretenimento, cobrando justificativas em um cenário de forte pressão por ajuste fiscal.

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