“Nasci no circo e é aqui que quero morrer”: a história do Palhaço Reizinho, que sonhava se apresentar em Goiânia
03 julho 2026 às 14h00

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Há mais de duas décadas, uma lona nas cores branca e vermelha viaja pelas estradas do Brasil carregando não apenas aparelhos de acrobacia e figurinos brilhantes, mas o sonho vivo de sete gerações de uma mesma família. O Real Circo, fundado em 2004 pela família Brandão, cujas raízes circenses são originárias da Holanda, desembarcou em Goiânia para uma temporada que promete misturar a nostalgia do circo clássico com o que há de mais moderno em tecnologia de entretenimento.
Mas, para além dos números impressionantes e da grandiosidade da estrutura, o Real Circo é feito de carne, osso, sorrisos e muita dedicação. E ninguém traduz melhor essa alma do que o Palhaço Reizinho. Conduzindo o espetáculo e brilhando como o rosto oficial do circo, Reizinho é a personificação de uma vida inteira dedicada à arte de fazer sorrir.
Para quem olha de fora, a vida no circo pode parecer uma escolha diferente. Para Reizinho, o picadeiro sempre foi o quintal de sua casa. Foi ali que ele criou suas raízes e soube que seu verdadeiro propósito era fazer o público sorrir. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Reizinho contou que tudo começou depois de uma brincadeira ainda na infância. A partir dali, ele nunca mais parou. “Para a gente, isso é tudo muito natural. Criança de circo gosta de brincar de circo, de brincar de ser artista”, conta ele, com a simplicidade de quem começou a trabalhar aos três anos de idade. “De uma brincadeira, acabei virando palhaço mesmo. O Reizinho nasceu ali.”
Hoje, no auge de sua carreira, ele não consegue se imaginar em nenhum outro lugar do mundo. Enquanto muitos buscam estabilidade em escritórios ou até mesmo com concursos públicos, o Palhaço Reizinho tem o asfalto e a lona como bússola.”Eu nasci no circo e é aqui que eu quero morrer”, confessa, deixando transparecer o amor profundo pela profissão que herdou de seus pais, Reinaldo Brandão e Maria Sandra.
O Real Circo nasceu justamente quando o pai de Reinaldo decidiu sair do circo do avô para trilhar o próprio caminho, mantendo acesa uma chama que já atravessa séculos.

Tradição que se renova
Engana-se quem pensa que o Real Circo parou no tempo. Para competir com as telas dos celulares que tanto atraem as crianças de hoje, a família Brandão investiu pesado em inovação.
O maior símbolo dessa modernidade fica logo atrás do picadeiro: no lugar das tradicionais cortinas de pano, o circo ostenta um painel de LED de 120 metros quadrados, responsável por criar cenários imersivos e dinâmicos para cada número.
Além disso, a trilha sonora não vem de um serviço de streaming. O Real Circo conta com uma orquestra ao vivo. Não se trata apenas de música de fundo; os músicos acompanham o ritmo exato dos artistas, subindo o tom no momento de maior tensão e brincando com os compassos nas esquetes de comédia.
E para que toda essa apresentação saia com perfeição, cerca de 80 a 90 pessoas vivem no complexo do circo, sendo que 50 delas são artistas circenses que sobem ao palco diariamente. E a preparação é rigorosa: para cada apresentação de 10 minutos, os profissionais ensaiam pelo menos duas horas por dia.
Entre os grandes destaques tradicionais, o público goianiense que comparecer a uma das sessões, vai prender a respiração com o Freestyle Motocross, onde as motos literalmente voam por cima do picadeiro para dar início ao famoso Globo da Morte. Este último traz cinco motos rodando simultaneamente, incluindo o piloto Renato Falco, que faz o looping em pé e sem as mãos, e a motociclista Raquel Brandão, irmã do Reizinho, provando que a coragem também é um traço de família.
A temporada na capital de Goiás tem um sabor especial para o Palhaço Reizinho. Longe de ser apenas uma parada estratégica no cronograma anual secreto do circo, Goiânia era um desejo antigo do artista. “Sempre quis trabalhar em Goiânia. Sério, realmente era um sonho meu, sem mentira alguma, não é marketing não!”, brinca ele.
Esbanjando simpatia, o palhaço já planeja aproveitar a cultura local em seus dias de folga. “Acho que vou me divertir muito aqui. Quero escutar os modões daqui!”, revela.
Olhando para o futuro, Reizinho sabe que o circo daqui a 20 anos estará completamente diferente, porque a essência do Real Circo é nunca estagnar. Mas, enquanto o amanhã não chega, a lona está estendida em Goiânia, pronta para receber o público com o calor que só o respeito à tradição e o abraço da tecnologia podem proporcionar.
A classificação é livre, o espetáculo é feito para a família, e o sorriso, esse é garantido pelo Reizinho. Os ingressos podem ser garantidos pelo site. O Real Circo está localizado no estacionamento do Shopping Passeio das Águas, com sessões diariamente às 20h (exceto às quartas), sábado, domingo e feriados às 16h, 18h30 e 20h30.





