Com informações de Cilas Gontijo

O prefeito em exercício de Goiânia, Anselmo Pereira (MDB), terá um encontro decisivo na próxima segunda-feira, 11, às 17h, com a categoria da educação para evitar que os servidores entram em greve, que já tem data marcada para início: 12 de maio. De um lado, o Paço Municipal busca o “desarmamento” dos ânimos, de outro, trabalhadores que esperam que o histórico de Anselmo como articulador finalmente se traduza em propostas concretas.

Ao Jornal Opção, Anselmo Pereira diz saber que nove dias de gestão é pouco tempo para resolver problemas estruturais, mas acredita que é o suficiente para mudar o tom da conversa. “Vou ouvi-las, vou intermediar junto com o nosso prefeito, Sandro Mabel, para que a gente não permita que a greve tenha início”, afirmou o prefeito em exercício. Ele aposta no “desarmamento” e na conquista de etapas graduais para convencer os professores a recuarem da paralisação.

O clima é de uma expectativa cautelosa. Para a vereadora e professora Ludmylla Morais (PT), que também preside o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), a ascensão temporária de Anselmo ao cargo de prefeito, durante a licença de Sandro Mabel, abriu uma janela de esperança que para que haja avanço nas negociações. “A greve é o último estágio. Tudo o que tínhamos para tentar resolver sem a greve, nós tentamos. O grande problema é que a prefeitura não apresenta nada”, desabafa. 

O estopim da paralisação

A crise na educação perpassa por acúmulo de queixas que vão desde a estrutura física das unidades até o que a categoria chama de “desrespeito à dignidade humana”. O motivo central da greve é uma pauta extensa, com mais de 15 pontos, onde o descumprimento do Piso Nacional do Magistério tem sido o estopim das reinvindicações.

A situação mais dramática atinge os servidores administrativos. Segundo o Sintego, há profissionais na rede municipal que recebem menos que um salário mínimo nominal, dependendo de complementações para chegar ao piso constitucional. Além disso, pesam na balança o atraso de mais de três anos nas progressões de carreira, a falta de uma data-base para os administrativos e o congelamento de tempo de serviço referente ao período da pandemia.

A falta de reconhecimento da categoria também é um ponto de queixa. Enquanto o Paço Municipal frequentemente aponta o alto volume de atestados médicos na rede, os professores rebatem questionando as causas: sobrecarga de plataformas digitais, falta de autonomia pedagógica e o drama dos “readaptados”. Servidores que, após adoecerem, estariam sendo forçados a retornar justamente às funções que causaram o dano à saúde. Somado a isso, o sucateamento do Imas (Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Municipais) deixa o trabalhador sem amparo no momento em que ele mais precisa.

Contudo, para o Sintego, se na reunião de segunda-feira não houver uma proposta formal que atenda, ao menos, as pautas mais sensíveis, como o plano de carreira dos administrativos e o pagamento das progressões, a terça-feira começará com os portões das escolas fechados e uma concentração marcada para às 8h, no Cepal do Setor Sul.

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