Aparecida celebra 104 anos com crescimento, identidade própria e orgulho da população
09 maio 2026 às 09h57

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A história de Aparecida de Goiânia começou com uma promessa e um pé na poeira, lá em 1922. O que era só um ponto de descanso para quem viajava pelo interior, virou um lugar de gente que acredita no trabalho. Hoje, quem vê aquele movimento todo do Polo Empresarial e prédios subindo, nem imagina que o começo de tudo foi um cruzeiro de madeira fincado no chão por algumas famílias devotas. Mas para entender como a construção da cidade chegou ao que é hoje, é preciso olhar para trás com quem conhece essa história a fundo.
O historiador Tiago Oliveira explica que o crescimento da cidade não foi por acaso. Ao Jornal Opção, ele explicou que a cidade de Aparecida de Goiânia nasce após uma doação de terras de fazendeiros da região como forma de pagamento de promessa. Esse empurrãozinho foi o que transformou a antiga vila em uma cidade de verdade.
“Aparecida se emancipou de Goiânia em 14 de novembro de 1963. E hoje tem quase 560 mil habitantes, e se consolidou como uma cidade desenvolvida mais na administração do Maguito Vilela e com o Polo Industrial”, conta o historiador.
Por muito tempo, Aparecida também foi apenas uma cidade-dormitório, isso porque as pessoas buscavam mais oportunidades de emprego na capital. Mas o jogo virou quando o município abriu as portas para as indústrias. Para o economista Márcio Dourado, a cidade soube aproveitar o que ele chama de “janela de oportunidade”, unindo a localização privilegiada ao lado da BR-153 com incentivos para quem queria produzir no município.
“Aparecida dava uma faca e um queijo na mão: boa localização e incentivos fiscais. Em poucos anos, a cidade saiu de uma dependência quase exclusiva da capital para ter protocolos econômicos próprios”, destaca Márcio. Segundo ele, essa virada de chave ficou mais clara logo após o início dos anos 2000, quando o município passou a atrair grandes empresas de logística e distribuição.
Mas, apesar de tanto dinheiro girando, o que faz a renda por pessoa parecer alta nas estatísticas, o economista faz um alerta importante sobre a realidade das ruas. Ele explica que o indicador de renda per capita pode enganar, já que a riqueza ainda é muito concentrada. “Apesar de apresentar uma renda que pode parecer alta, na prática, nós ainda vamos ver muitos bolsões de pobreza e muita desigualdade social. É muita gente ganhando pouco e algumas pessoas ganhando muito”, pondera Dourado.
Cidade acolhedora
É esse o cenário que Aparecida vive hoje: o desafio de continuar crescendo como potência econômica, sem esquecer de quem está na ponta, ajudando a erguer a cidade no dia a dia. Mas, para além dos números, a alma de Aparecida está em quem vê a cidade mudar todo dia. Se antes o município era só um lugar de passagem, hoje é o destino de quem busca oportunidade.
Essa mudança é nítida para a corretora de imóveis Maria Eduarda, de 21 anos. Ela faz parte de uma nova geração que cresceu junto com os bairros e hoje trabalha com essa expansão. “Aparecida foi por muito tempo uma cidade-dormitório, mas hoje os negócios prosperam. Como corretora, vejo a valorização de cada setor e o comércio aumentando”, afirma. Para ela, a chegada de shoppings na região central e na divisa com a capital mudou o dia a dia. “Morar aqui é muito bom e a tendência é crescer cada vez mais”.

Quem também sente essa autonomia no cotidiano é a jovem Jennyfer, de 19 anos. Para ela, a maior mudança está na praticidade de não precisar mais cruzar a divisa para resolver a vida. “A cidade está crescendo demais, tanto no comércio quanto na população. Hoje em dia já não tem tanta necessidade de ir até Goiânia, porque aqui em Aparecida já tem tudo o que a gente precisa”, explica.

A visão da melhora expressiva da cidade também vem do educador físico Marcos Paulo, de 22 anos. Para ele, a característica de cidade-dormitório foi deixada para trás e, agora, Aparecida tem se tornado atrativa até mesmo para quem vive em Goiânia. “Aumentou muito o número de empregos pela chegada de novas indústrias e empresas na cidade. A gente vê uma valorização ao redor, o que tem trazido pessoas de Goiânia pra cá pra trabalhar, e a gente tá só crescendo, e isso é muito legal. O próprio Centro valorizou também muito por causa do shopping, que trouxe uma verdadeira mudança”, pontua.

Toda essa transformação ganha um significado especial neste dia 11 de maio, data em que Aparecida de Goiânia celebra seus 104 anos. O que nasceu de um sentimento de fé em torno de uma pequena capela da Padroeira do Arraial, hoje se agiganta como um dos motores de Goiás. Celebrar mais esse aniversário é olhar para o passado com respeito aos pioneiros e encarar o futuro com o entusiasmo de uma cidade que, mesmo centenária, mantém o fôlego de quem ainda tem muito para crescer.

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