Com exclusividade ao Jornal Opção, o secretário da Fazenda de Goiânia, Oldair Marinho, fez um balanço da gestão financeira do município, relembrou os desafios enfrentados desde a transição de governo e destacou projetos estratégicos que devem impactar diretamente áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Um ponto relevante foi a recuperação da nota da Capacidade de Pagamento (Capag), que voltou ao nível A, permitindo ao município contratar operações de crédito com juros mais baixos e garantia da União. Oldair revelou que já há negociações com instituições financeiras como Caixa Econômica, Banco do Brasil e Itaú para viabilizar investimentos pesados, especialmente em macrodrenagem. “Agora sim, nós vamos escolher aquele que oferecer a menor taxa”, disse, lembrando que, após a requalificação da nota, bancos passaram a procurar o município para oferecer crédito.

O secretário contou que iniciou sua atuação em janeiro de 2025 como superintendente da Secretaria de Fazenda, após apoiar o processo de transição de governo de forma externa. Ele lembrou que a situação encontrada foi crítica, com dívidas acumuladas e a nota da cidade rebaixada pelo Tesouro Nacional para a Série C da Capag. “Eu já brinco que caímos da Série A para a Série C”, disse, ressaltando que o diagnóstico feito na transição se confirmou.

Um dos projetos em destaque é o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus), que prevê autonomia financeira para as unidades de saúde, com recursos de aproximadamente R$ 200 mil por unidade. O objetivo, segundo o secretário, é dar celeridade ao atendimento de demandas emergenciais, funcionando de forma semelhante ao programa “dinheiro na escola” já existente na educação. “O Pafus significa dinheiro na unidade de saúde para pronto pagamento de despesas que surgem imediatamente”, explicou.

Sobre as contas públicas, Oldair afirmou que Goiânia fechou 2025 com superávit expressivo, resultado de medidas de contenção de gastos e do decreto de calamidade financeira, que resultou na recuperação da nota A na Capacidade de Pagamento do município.

Para 2026, a previsão é de novo superávit, embora menor, já que haverá maior volume de investimentos em infraestrutura. “O fato de estarmos com as contas equilibradas não quer dizer que agora vamos gastar. Continuamos com o processo de qualificação de gastos, voltado mais ainda para investimento em infraestrutura”, destacou.

A educação também foi pauta da entrevista. O secretário confirmou que o impacto do reajuste do piso salarial do magistério já foi calculado e está em fase de encaminhamento legislativo. Ele ressaltou que o percentual previsto está acima do IPCA de 2025 e que o diálogo com o sindicato continua sendo fundamental para evitar paralisações. “É conversar e dialogar. Isso é bom para toda a sociedade”, afirmou.

Por fim, o secretário afirmou que ainda não há previsão de novos programas de refinanciamento de dívidas (Refis) para este ano, mas garantiu que a equipe segue avaliando alternativas para manter o equilíbrio fiscal e ampliar os investimentos necessários para Goiânia. “Isso é gestão, responsabilidade”, concluiu.

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