A cerveja artesanal deixou de ser apenas um hobby para se consolidar como um negócio cada vez mais estruturado em Goiás. Embora o número de empresas tenha diminuído após a pandemia, o setor vive um momento de amadurecimento, impulsionado por consumidores que valorizam qualidade, identidade regional e experiências ligadas à bebida. A avaliação é da analista do Sebrae Goiás, Camilla Carvalho Costa.

“Na verdade, esse número era até maior antes da pandemia. Depois desse período, houve uma redução, mas também um processo de consolidação das empresas, que passaram a enxergar a cerveja artesanal não apenas como um hobby, mas como um negócio de fato”, afirmou ao Jornal Opção.

Atualmente, Goiás conta com 38 cervejarias registradas e 397 cervejas cadastradas, segundo o Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os dados integram o novo Boletim de Tendências – Cervejarias Artesanais, elaborado pelo Sebrae Goiás, que aponta espaço para expansão do segmento no Estado.

O levantamento mostra que o mercado global de cervejas artesanais deverá crescer mais de 11% ao ano nos próximos anos. No Brasil, o setor reúne 1.954 cervejarias distribuídas em quase 800 municípios. O país ocupa a terceira posição entre os maiores produtores de cerveja do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Em Goiás, a maior concentração de cervejarias está em Goiânia, na Região Metropolitana, em Anápolis e no Entorno do Distrito Federal. No entanto, o segmento também avança para outras regiões do Estado.

“Temos boas cervejarias no Nordeste Goiano e na região Sul de Goiás. O consumidor busca um diferencial, um sabor diferente. Quem aprecia cerveja artesanal não bebe apenas por beber; ele quer vivenciar toda a experiência que envolve esse mercado”, destaca Camilla.

Turismo e gastronomia impulsionam o setor

Uma das principais estratégias para ampliar o mercado é transformar as cervejarias em destinos turísticos e gastronômicos. Além da Rota Cervejeira, criada pelo Governo de Goiás para promover os rótulos produzidos no Estado, o Sebrae, em parceria com entidades do setor, desenvolveu a Rota Goiânia Gastronômica com Sabor de Cada Vez, que reúne cafeterias, hamburguerias, pit dogs e cervejarias artesanais.

A proposta vai além da degustação.

“Desenvolvemos experiências turísticas dentro das cervejarias. Hoje, o visitante pode participar de harmonizações, experimentar diferentes estilos de cerveja e conhecer todo o processo de produção. A ideia é que ele viva uma experiência completa, e não apenas consuma a bebida”, explica a analista.

Segundo ela, iniciativas como harmonizações gastronômicas, réguas de degustação e visitas guiadas ajudam a fidelizar clientes e agregam valor aos produtos.

Mudança no perfil do consumidor

O boletim também aponta mudanças importantes no comportamento do consumidor, principalmente entre os mais jovens. Esse novo perfil tem levado as cervejarias a ampliar e diversificar o portfólio.

“A geração Z tem impactado bastante o mercado. É um público que valoriza a história do produto e não tem o hábito de consumir bebidas alcoólicas em grande quantidade. Estudos mostram que 45% dos jovens com menos de 25 anos não consomem álcool”, afirma Camilla.

Como resposta, o setor passou a investir em cervejas sem álcool, versões low carb, sem glúten e até bebidas derivadas da cerveja, como drinks preparados a partir da bebida.

“O movimento fitness e wellness também impactou essa indústria. Hoje existe uma variedade muito maior de produtos especiais para atender diferentes perfis de consumidores”, acrescenta.

Regionalidade ganha espaço

Outro destaque do levantamento é a valorização da identidade regional como diferencial competitivo. Segundo o Sebrae, consumidores demonstram interesse crescente pela origem dos produtos, pelo uso de ingredientes locais, por práticas sustentáveis e por histórias ligadas ao território.

Para as micro e pequenas cervejarias, esse cenário abre novas oportunidades de crescimento. A proximidade com a comunidade permite desenvolver rótulos exclusivos, explorar ingredientes típicos do Cerrado e oferecer experiências que dificilmente são reproduzidas pelas grandes indústrias.

O boletim também destaca que o uso de tecnologias digitais e da análise de dados pode ampliar a competitividade das empresas, favorecendo a inovação, o relacionamento com clientes e a criação de novas estratégias de comercialização.

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