A Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (Aeago) avaliou o Plano Safra 2026/2027 anunciado pelo Governo Federal. O programa prevê R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial e foi considerado um marco para o financiamento da agropecuária brasileira. Ao Jornal Opção, o presidente da entidade, Fernando Barnabé, explicou, nesta quinta-feira, 2, que houve avanços, mas também apontou críticas e preocupações sobre a efetividade das medidas.

Fernando afirmou que o Plano Safra não pode ser considerado satisfatório. “As taxas de juros, embora caíram em média 1%, continuam altas para o produtor. Atrelado à Selic, que é outra crítica. A Selic precisa de baixar, não tem condição o sistema produtivo nacional suportar uma Selic nesse valor”, disse.

Presidente da entidade, Fernando Barnabé | Foto: Acervo Pessoal

Ele ressaltou que o problema afeta pequenos, médios e grandes agricultores. “Todo o sistema produtivo sofre com isso, uma vez que nós estamos sofrendo com o preço da baixa nas commodities”, apontou.

Sobre o volume de recursos anunciados, Fernando reconheceu o avanço, mas destacou que ainda é insuficiente. “Embora o volume anunciado aumentou, também não é satisfatório. O sistema brasileiro fala de uma dependência de um tri. Um anúncio de 500 bilhões ainda não atinge o volume necessário. É um avanço ter aumentado? Foi um avanço”, afirmou.

O presidente da Aeago também apontou dificuldades no acesso ao crédito. “Como o produtor está endividado, o acesso ao crédito se torna mais difícil. No atual momento que nós estamos vivendo um alto endividamento, várias regras do banco têm que ser mais flexibilizadas, senão o produtor não vai ter acesso a esse crédito”, explicou.

Um outro ponto levantado foi a lentidão na validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). “O governo anunciou que vai dar um benefício para quem tem o CAR validado. Criou-se um ato normativo onde o produtor teria que fazer esse CAR. Nós cumprimos. Os produtores cumpriram, porém o Estado não consegue validar. Nós estamos falando de uma média de validação de 8% no Brasil. É muito baixo”, disse.

Barnabé destacou ainda a importância do seguro rural diante dos eventos climáticos extremos. “Importantíssimo o seguro rural, porque o produtor não consegue suportar esses efeitos climáticos. Ele deixa de produzir. Então não só o anúncio do Plano Safra, mas também o aumento e a acessibilidade do produtor em pegar o seguro e estar protegido pelo seguro rural. Essa é outra preocupação da gente”, contou.

Na avaliação da Aeago, o Plano Safra é estratégico para a competitividade do agronegócio goiano e nacional. “O Plano Safra é uma soberania. É uma proteção do nosso país. O agro nosso responde diretamente por 30% do PIB e quando você considera os industrializados, a agroindústria, nós pode incrementar mais 30%”, afirmou.

“O Plano Safra é a proteção do maior bem que nós temos no Brasil, que é o nosso agro. Ele tem que ser tratado com um olhar de quem realmente entende, olhando para a nossa base, olhando para o nosso produtor”, acrescentou.

Fernando defendeu a industrialização da produção agrícola. “A nossa vocação tem que ser o agro industrializando a nossa matéria-prima. Nós temos que parar de exportar essa commodity in natura e exportar ela industrializada, agregada o valor. Nós estamos alimentando 1 bilhão de pessoas no mundo? Estamos. Mas nós temos que industrializar a nossa matéria-prima, agregar valor nela e vender ela industrializada para os países”, disse.

Para os consumidores urbanos, Barnabé destacou os reflexos positivos do Plano Safra. “Equilíbrio dos preços. A população ganha com isso, porque o produtor estando produzindo, nós temos oferta de alimento. Tendo oferta de alimento, o preço se torna mais acessível para a população”, finalizou.

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