Suspensão de carnes brasileiras pela União Europeia pode causar prejuízo de R$ 16,8 milhões por mês a Goiás
04 setembro 2026 às 19h00

COMPARTILHAR
A sanção da União Europeia (EU) que entrou em vigor nesta quinta-feira, 3, suspendeu importações de carnes e produtos de origem animal do Brasil, incluindo aves, bovinos, suínos, peixes de cultivo, mel, equinos e ovos. O prejuízo estimado para Goiás é de US$ 16,8 milhões por mês.
Em 2025, o estado exportou US$ 190 milhões em produtos de origem animal para a UE, e entre janeiro e julho de 2026 foram US$ 96 milhões, 14% menos que no mesmo período anterior. As carnes bovinas representaram 90% desse total. Os frigoríficos mais prejudicados são a JBS, em Mozarlândia, e a Minerva Foods, em Palmeiras de Goiás, ambos voltados ao mercado premium europeu.
Por meio de nota, a federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) recomenda redirecionar a produção para mercados como China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul. O risco é que outros países sigam o exemplo europeu, como já ocorreu com a Noruega, que adotou restrição semelhante.
Ao Jornal Opção, Juliana Tormin, gerente de Internacionalização da Fieg, explicou que a suspensão das exportações de carnes goianas para a União Europeia não está relacionada a contaminação dos produtos brasileiros. Segundo ela, a medida foi tomada por exigências sanitárias e documentais do bloco europeu.
“Essa suspensão não é uma questão de contaminação da carne exportada pelo Brasil. É uma questão sanitária, mas de exigência do mercado europeu. O ponto central é a comprovação documental e o controle de rastreabilidade”, disse.
Sem comprovação suficiente
Segundo ela, o prazo para regularização foi até esta quinta-feira, 3, mas não houve comprovação suficiente por parte das autoridades sanitárias brasileiras. “A partir do momento que se conseguir comprovar tudo direitinho, já é liberada a entrada com toda essa rastreabilidade”, apontou.
A estimativa preliminar apresentada pela Fieg indica impacto mensal de até R$ 16,8 milhões. “Os setores mais impactados são o de carnes de aves, bovino, suíno, peixe de cultivo, mel, equinos e ovos. A carne bovina tem um ciclo de criação mais extenso, podendo levar até 30 meses até o corte estar pronto para exportação”, detalhou.
A gerente apntou que a Superfrango está entre os frigoríficos mais atingidos, já que exporta grande parte de sua produção para a Europa. “Eles exportam muito para Europa, que paga muito bem. Por mais que o volume não seja tão grande, a quantidade exportada tem valor agregado. O volume é menor, mas somos muito bem remunerados”, afirmou.
Juliana acrescentou que outros frigoríficos dos setores de carnes suína e bovina também estão sendo afetados, mas ainda não houve manifestação oficial.
O que a União Europeia está exigindo?
Sobre as exigências da União Europeia, a gerente informou que o ponto central é a rastreabilidade documental. “É preciso comprovar que a produção não tem contato com medicamentos ou antibióticos barrados lá. A documentação já resolve, mas quando exportar serão feitos testes laboratoriais. Se houver alguma comprovação de irregularidade, vamos sofrer consequências”, explicou.
Juliana apontou que além da documentação, haverá inspeções e análises laboratoriais para garantir conformidade.
Apesar da suspensão europeia, os Estados Unidos abriram uma janela temporária para o Brasil. “Os Estados Unidos vão abrir um mercado sanitário totalmente para o Brasil. O que ocorreu agora foi uma ampliação temporária de uma cota de importação com condições tarifárias mais favoráveis. A medida começou a valer no dia 3 de setembro e terá duração de 90 dias”, disse.
Segundo ela, embora o valor agregado seja menor, a medida ajuda a evitar que a carne fique sem destino.
Fieg revelou que tenta buscar 10 compradores internacionais
A gerente destacou ainda o trabalho da Fieg em buscar alternativas. “É sempre bom ter mercados alternativos e a Fieg tem todo esse trabalho na área internacional de desenvolver estudos de oportunidades, buscar novos clientes e importadores para as indústrias goianas. É importante não ficar na mão de poucos mercados. Hoje estamos muito dependentes de China, Estados Unidos e União Europeia, mas precisamos buscar outros mercados”, afirmou.
Ela citou a participação em feiras, missões internacionais e rodadas de negócios como estratégias. “Agora em outubro mesmo estamos trazendo 10 compradores internacionais de diversos países, principalmente dos países andinos, para comprar produtos do setor de alimentos e bebidas”, disse.
Segundo ela revelou, Chile, Equador, Bolívia, Paraguai e Argentina já estão confirmados entre os países que participarão das rodadas de negócios.
Risco de outros países seguirem o exemplo europeu
Ao ser questionada sobre o risco de outros países seguirem o exemplo europeu, Juliana disse que depende das exigências sanitárias de cada mercado. “O risco vai muito da questão sanitária. O mercado europeu é muito exigente, principalmente para importação de produtos para consumo humano. É difícil afirmar que outros países podem adotar as mesmas exigências. São barreiras não tarifárias e a qualquer momento pode surgir outra. Nesse caso específico é uma barreira sanitária, que eles não permitem entrar no mercado”, apontou.
Juliana também explicou como está sendo conduzido o trabalho para resolver as burocracias envolvidas. “Em nível nacional, quem atua é o MAPA, o Ministério da Agricultura e Pecuária, junto com todos os órgãos anuentes ligados à parte sanitária que rege esses produtos. Nós temos estudado de perto a questão da rastreabilidade para que as empresas goianas comecem a se adequar”, disse.
“Com a entrada do acordo Mercosul-União Europeia, a tendência é aumentar as exportações para esses países. Por isso precisamos estar atentos à rastreabilidade. A FIEG tem estudado muito isso para apoiar as empresas, garantindo que já saiam com o processo redondo para exportação, sem insumos que possam ser restritos na entrada da União Europeia”, concluiu.
Leia também:


