O comércio varejista brasileiro deverá movimentar R$ 2,84 bilhões no Dia dos Namorados deste ano, valor 2,5% superior ao registrado em 2025, já descontada a inflação. Em Goiás, a expectativa do setor é acompanhar esse desempenho positivo, embora comerciantes mantenham cautela diante do elevado endividamento das famílias e da concorrência das despesas relacionadas à Copa do Mundo.

A projeção é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e foi repercutida pelo Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO). A data é considerada a sexta mais importante para o varejo brasileiro em termos de movimentação financeira.

Segundo o levantamento, o segmento de vestuário, calçados e acessórios continuará sendo o principal responsável pelas vendas da data, com expectativa de faturamento de R$ 1,116 bilhão, equivalente a quase 40% do total previsto. Apesar da liderança, o setor deverá registrar retração de 1,4% em comparação com o ano passado.

Na sequência aparecem os segmentos de utilidades domésticas e eletroeletrônicos, com previsão de movimentar R$ 875 milhões, farmácias, perfumarias e cosméticos, com R$ 346 milhões, hiper e supermercados, com R$ 315 milhões, além de outros segmentos, que devem somar R$ 191 milhões.

Para a presidente do Sindilojas-GO, Marisa Carneiro, o comportamento do consumidor deve ser mais cauteloso neste ano.

“Tradicionalmente, as roupas e calçados são os produtos mais comprados para presentear no Dia dos Namorados. Porém, mesmo seguindo liderando este ano na intenção de compras, as vendas no setor devem recuar 1,4% em relação a 2025, num provável indicativo de que o consumidor será mais conservador neste Dia dos Namorados, que está concorrendo com a Copa do Mundo”, afirma.

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Mercado de trabalho sustenta projeção positiva

De acordo com a CNC, a expectativa de crescimento das vendas está relacionada principalmente ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. No primeiro trimestre de 2025, a taxa de desocupação atingiu 6,1%, o menor nível da série histórica.

Além disso, o rendimento real do trabalho avançou 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a massa de rendimentos cresceu 6,9%, ampliando os recursos disponíveis para consumo.

Por outro lado, a entidade destaca que as condições de crédito seguem desfavoráveis. O volume de crédito para pessoas físicas cresceu 10,3% nos últimos 12 meses, abaixo do ritmo observado um ano antes, quando o avanço havia sido de 13,3%.

A taxa média de juros ao consumidor chegou a 63% ao ano, o maior patamar desde julho de 2017. Paralelamente, o percentual de famílias endividadas alcançou 81,6% em maio, marcando o quarto recorde consecutivo do indicador.

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Inflação encarece presentes tradicionais

Quem pretende comemorar a data também deverá sentir o impacto da inflação em alguns dos presentes mais tradicionais.

Segundo cálculos da CNC com base no IPCA-15, os chocolates registraram aumento médio de 22,7% em relação ao ano passado. As joias e bijuterias ficaram 20% mais caras, enquanto as flores apresentaram alta de 11,3%.

Outros itens também acumularam reajustes, como hospedagem (+8,2%), produtos para pele (+7,8%), artigos de maquiagem (+7,5%), alimentação fora do domicílio (+6,7%) e perfumes (+6,6%).

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Em contrapartida, bebidas alcoólicas apresentaram redução média de 1% e aparelhos telefônicos tiveram queda de 0,7% nos preços.

A cesta de produtos e serviços tipicamente consumidos no Dia dos Namorados deverá registrar aumento médio de 5,8% neste ano, percentual ligeiramente inferior ao observado em 2025.

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