Brasileiros resgatam R$ 482,8 milhões em dinheiro esquecido nos bancos; ainda há R$ 10,3 bilhões disponíveis
09 junho 2026 às 15h29

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Milhões de brasileiros ainda não resgataram recursos que permanecem parados em instituições financeiras. Dados divulgados nesta terça-feira, 9, pelo Banco Central mostram que, somente em abril, foram retirados R$ 482,8 milhões por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma criada para localizar e devolver recursos esquecidos por clientes.
Mesmo com os saques realizados ao longo dos últimos anos, o volume disponível continua elevado. Atualmente, cerca de R$ 10,3 bilhões aguardam resgate por pessoas físicas e empresas em todo o país.
O levantamento também revela que o sistema já devolveu aproximadamente R$ 15 bilhões desde sua criação. Os números são atualizados periodicamente pelo Banco Central e incluem recursos deixados em contas encerradas, cobranças indevidas, consórcios finalizados e outros créditos que não foram reclamados pelos titulares.
Recursos passam a integrar programa de renegociação de dívidas
Uma parte dos valores não resgatados começou a ser utilizada pelo governo federal como garantia para operações do Desenrola Brasil 2.0. Segundo informações do Ministério da Fazenda, R$ 5,7 bilhões foram direcionados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que dará suporte às renegociações previstas pelo programa.
A transferência, no entanto, não elimina o direito dos cidadãos aos recursos. O governo deverá abrir um processo para que os titulares possam solicitar a devolução dos valores vinculados ao fundo. A expectativa é que um edital com as regras seja publicado nos próximos meses.
Como saber se há dinheiro disponível
A consulta pode ser feita diretamente na plataforma do Banco Central. Na primeira etapa, basta informar CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura da empresa, para verificar a existência de valores.
Caso seja identificado algum crédito, o cidadão precisará acessar o sistema com uma conta Gov.br validada para visualizar detalhes como valor disponível, origem dos recursos e instituição responsável pelo pagamento.
De onde surgem os valores esquecidos
Os recursos disponíveis para devolução têm diferentes origens. Entre elas estão saldos remanescentes em contas bancárias encerradas, tarifas cobradas de forma incorreta, parcelas de financiamentos cobradas indevidamente, cotas de cooperativas de crédito, valores não retirados em grupos de consórcio encerrados e créditos mantidos em corretoras ou instituições financeiras já desativadas.
Também existem casos de contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas encerradas com saldo positivo e outros recursos identificados pelas próprias instituições durante auditorias e revisões internas.
Maioria tem pequenas quantias a receber
Apesar do montante bilionário acumulado, a maior parte dos beneficiários possui valores modestos para resgatar. Mais de 64% dos titulares têm até R$ 10 disponíveis. Outros 23% possuem entre R$ 10 e R$ 100. Apenas uma pequena parcela concentra créditos superiores a R$ 1 mil.
Até abril, mais de 41 milhões de beneficiários já haviam recuperado seus recursos. Ainda assim, cerca de 50 milhões de pessoas e empresas continuam com dinheiro disponível no sistema.
Atenção aos golpes
Com a popularização das consultas, o Banco Central voltou a alertar para tentativas de fraude envolvendo o serviço. A instituição reforça que não envia mensagens com links para resgate, não solicita senhas e não cobra qualquer taxa para liberar valores.
A recomendação é que os usuários façam consultas apenas pelos canais oficiais e desconfiem de contatos que prometam agilizar o recebimento dos recursos mediante pagamento ou compartilhamento de dados pessoais.
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