Professor de Harvard, Stanford e Oxford, o historiador Niall Ferguson é, desde há muito, um crítico contundente das redes sociais.

Tais redes, supostamente democráticas — afinal, todos têm “suas” vozes expostas, dirigidas ou não —, “estão destruindo a sociedade civil” (https://tinyurl.com/2ak9ah3x). O notável pesquisador escocês, autor de numerosos livros, sublinha que a “polarização se tornou um veneno” e postula que a civilização está se tornando “uma não-civilização ocidental”.

Colunista de política internacional do “New York Times”, Thomas L. Friedman ecoa, em certa medida, o que disse Niall Ferguson em 2017.

No XIV Fórum de Lisboa, organizado pelo IDP (do ministro Gilmar Mendes, do STF), Lisbon Public Law e FGV Justiça, Friedman não economizou palavras críticas: “As redes sociais são inimigas da verdade e da confiança. O modelo de negócio deles não é de informar, é te provocar”.

O jornalista americano do norte sublinha que “a democracia assenta na verdade e na confiança. Sem elas não conseguimos resolver problemas”.

Confiança e verdade são pilares da democracia, enfatiza Friedman. Atacadas, nas redes sociais, fragilizam a democracia.

IA é o segundo Big Bang

Quanto à inteligência artificial, Friedman diz que se trata do “segundo Big Bang”. Os seres humanos experimentam uma “ruptura”.

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Donald Trump e Xi Jinping: legislação global sobre IA só funcionará se contemplar um amplo consenso entre os Estados Unidos e a China | Foto: Reprodução

“O homem criou a IA que supera a capacidade do cérebro humano, alterou o clima, criou o ciberespaço como uma nova galáxia, dividiu o átomo, que pode destruir o mundo, inventou a aprendizagem profunda e aproximou-se do momento em que terá computação quântica, fusão energética e IA em simultâneo”, frisa o analista do “Times” (o material exposto aqui tem como base a reportagem “‘Redes sociais são inimigas da verdade e da confiança’, diz vencedor de Pulitzer”, assinada por Lucas Altino e publicada em “O Globo” (sábado, 6).

Para Friedman, uma legislação global sobre IA, para funcionar, precisa do consenso entre as duas maiores potências globais — os Estados Unidos de Donald Trump e a China de Xi Jinping.

“Ou aprendemos a colaborar com ela, ou seremos o seu animal de estimação. A única maneira de lidarmos com a IA é se ambos os países construírem legislação e ética em conjunto. Se não o fizerem, haverá um problema sério com os dados e com quem os detém”, analisa Friedman.

Joel Mokyr Nobel de Economia de 2025
Joel Mokyr Nobel de Economia de 2025

Populismo e elitismo nos Estados Unidos

Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2025, Joel Mokyr fiz que a prosperidade depende da combinação do avanço tecnológico com instituições confiáveis. Na síntese de “O Globo”, o professor da Northwestern University destaca que “a incorporação tecnológica depende da confiança nas instituições, pois garante que as informações produzidas e repassadas são fidedignas”.

Fortalecer as instituições “é essencial para a preservação da democracia”. Por exemplo: enfraquecer o Supremo Tribunal Federal, o Poder Judiciário, fortalece os setores autoritários da sociedade.

“É provável que a política populista jogue fora o progresso junto com o elitismo, e geralmente o substitua por uma elite muito pior. Uma das maneiras pelas quais a tecnologia e a ciência avançam é por meio da migração de pessoas para os lugares onde elas podem ser mais produtivas”, afirma o economista. Joel Mokyr cita como modelo o Vale do Silício, “onde imigrantes têm desempenho acima da média”.

Joel Mokyr está se referindo, evidentemente, às políticas altamente danosas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.