Há algum tempo, uma igreja patropi patrocinou uma série de ações judiciais — na casa das centenas — contra o jornal “Folha de S. Paulo”. Ao perceber que se tratava de “assédio judicial”, a Justiça barrou os processos, que eram, a rigor, pura litigância de má-fé.

Políticos, alguns deles, estão se especializando em “assédio judicial”. Na prática, tenta-se usar a Justiça contra jornais que publicam verdades, às vezes constrangedoras. Felizmente, a Justiça não tem aceitado tal método que tenta manipulá-la.

A falta de seriedade é tão evidente que alguns dos autores das petições — no limiar do analfabetismo funcional, quando não produzidas por inteligência artificial — avaliam que não precisam apresentar argumentos convincentes, estruturados.

Há, por assim dizer, um “enxurrio” de palavras — verdadeiro palavrório sem sentido e nexo — que irrita juízes, desembargadores e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Os magistrados sabem do que se está falando aqui.

Arte de igor Morski

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal derrubou a censura a uma reportagem do portal Poder360 que denunciava malfeitos em Rondônia. A missão da Justiça não é proteger corruptos, e sim enquadrá-los, por vezes condenando-os.

Processar jornalistas e jornais, ou quaisquer outros profissionais e empresas, é um direito garantido pela lei. Mas gastar inutilmente o tempo de magistrados — que sempre têm muito o que fazer — resulta de má-fé e desrespeito. É quase um crime.

Políticos e anões de Plutarco

Em Goiás, há políticos — poucos — que tentam “usar” a Justiça e o Ministério Público para intimidar jornalistas e donos de jornais. No fundo, não querem esclarecer as histórias, nas quais estão envolvidos, direta ou indiretamente. Seu objetivo é tentar intimidar os profissionais e engessar o jornalismo.

Para a felicidade da liberdade de expressão, tanto a Justiça quanto o Ministério Público de Goiás não se submetem aos políticos-censores. A conduta de ambos tem sido exemplar, dadas a excelência de sua formação jurídica e a decência moral.

Pintura de Igor Morski | Foto: Reprodução

Há advogados, verdadeiros anões de Plutarco, que, para agradar os clientes mas orientando-os mal, patrocinam processos a rodo, não para esclarecer fatos, e sim na tentativa, vã, de intimidar repórteres e proprietários de jornais. São homens do passado, com mentes tão autoritárias quanto totalitárias, falando em nome de leis que, a rigor, mal compreendem e nem respeitam.

Tais anões de Plutarco vivem — os corpos — no presente, mas suas mentes são prisioneiras do passado (são os guardas da esquina de que falou Pedro Aleixo, em 1968, ao rejeitar o AI-5). São filhos de 1964 que precisam aprender com a redemocratização de 1982 e 1985.

O senador Wilder Morais e Marconi Perillo, pré-candidatos a governador de Goiás, aconselham-se com pessoas que, na democracia, comportam-se como filhotes da ditadura. Precisam, ao seu lado, de varões de Plutarco, como se dizia nos tempos em que anões de Plutarco não existiam ou não se manifestavam, por vergonha, quem sabe, da falta de sapiência.

Arte de Claude Cahun

Menos Nenzão e mais Vilmar Rocha

Tanto Wilder Morais quanto Marconi Perillo — políticos que, sim, têm seus méritos — precisam aconselhar-se com cidadãos da estirpe de Vilmar Rocha, Bartira Miranda, Demóstenes Torres (luminar da advocacia brasileira), Caio Alcântara, Miguel Cançado, Reinaldo Barreto, Pedro Wilson Guimarães, Virmondes Cruvinel, José Délio, Danúbio Cardoso, Irapuan Costa Junior, Otavinho Lage e Jalles Fontoura.

Portanto, o senador e  o ex-governador precisam se aconselhar menos com “nenzões”, “alcides” e anões de Plutarco que, quando querem mostrar seriedade, escondem a baixeza fazendo cara-feia em audiências. São da estirpe dos que acreditam que “gritos” substituem ideias. Quando gritos, isto sim, resultam da falta de ideias e argumentos.

Se continuarem “obedecendo” anões de Plutarco criarão atritos gratuitos para si — arestas às vezes intransponíveis — e vão esbarrar, frequentemente, na sabedoria democrática e legalista dos magistrados e promotores de justiça de Goiás.

Sabe a história do menino que gritava “lobo! lobo! lobo!? Mas lobo, como se sabe, não havia.

Pois alguns políticos estão se comportando como o menino dos lobos. Acionam a Justiça por bobagens, originárias numa mentalidade pueril — de adultos se comportando como eternas crianças —, que, quando precisarem acioná-la por motivos sérios, poderão gerar desconfiança. Como, aliás, já estão gerando.

Por fim, quem questiona uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas pode endossar uma pesquisa, possivelmente inventada, de institutos “inexatos” — cujos dados destoam de todas as demais pesquisas? Não seria o caso de processar, primeiramente, os “inexatos” e “catataus”