Eu e Candice conhecemos o labrador João Fidélis quando era bebê. Cabia numa única mão. Era, digamos, um ratinho grande.

Foi assim: Kirilov, nosso Schnauzer, havia morrido, com 10 anos (comeu plástico), em 2009. Deixou-nos numa tristeza profunda (Candice o chamava “bebê-paixão” — era carinhoso, inteligente, doce e esperto).

Adquirimos então os schnauzers Frida e Sartoris. Frida faleceu aos 13 anos. Sartoris está vivo, com quase 17 anos — cego, surdo, cardíaco e com poucos dentes. Ainda assim, come bem e faz as necessidades no quintal, nunca dentro de casa. Anda trôpego, às vezes cai e não consegue se levantar. Então choraminga e vamos lá e o levantamos.

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Euler e João Fidélis: brincando a respeito das primeiras letras | Foto: Candice Marques de Lima

Frida sempre foi mais perspicaz e ativa e Sartoris bem tranquilo. Eline, nossa filha, adotou a whippet Meg, que também vive lá no Céu, acompanhada de Kirilov, Frida, Mila (uma gata) e Cacau.

Certa feita, em 2014, fomos ao Goiânia Shopping e passamos num pet shop, talvez para comprarmos algum alimento para nossos gulosos schnauzers. De repente, vimos dois labradores filhotes. Irmãos, mas um menor do que o outro. Eram lindos, ambos com cara de sono.

Gostamos do menor e o adotamos. Digamos que tenha sido paixão à primeira vista. Racionalizando, pensei: um labrador pode ser meu companheiro de caminhadas. Em 2012, tive tromboembolia e, em consequência, derrame pleural. Fiquei mal — escapei dado o tratamento rápido e eficaz do Hospital do Coração (e de uma médica excepcional, Maria Auxiliadora, a Sici). Pouco depois, exames constataram que eu era trombofílico — um herdeiro genético, por assim dizer, dos pais. Entre as recomendações dos médicos estava a de tomar anticoagulantes e tomar cuidado com quedas.

Ganhei até uma carteirinha de trombofílico, que carrego junto com a identidade na carteira. Nela está escrito assim: “Eu estou tomando anticoagulante oral e apresento maior risco de hemorragia. Caso sofra algum acidente, favor entrar em contato com o meu médico”. Nela figuram o celular de minha médica, a hematologista Maria do Rosário, e de Candice, minha mulher.

João Fidelis veterinário assassinado em outubro de 2013
João Fidélis, veterinário assassinado por um usuário de crack, em Goiânia | Foto: Reprodução

Trouxemos o cachorrinho para nossa casa. Era um bebê, digamos. Agora era hora de colocar o nome. Pensei em João Fidélis. Motivo: João Fidélis era um grande ortopedista que, durante um assalto, foi baleado por um usuário de crack. O veterinário morreu no Hospital de Urgência de Goiânia, aos 50 anos. Magro e diabético, era uma sumidade em ortopedia e amava cachorros e gatos. Era o vade mecum de carne e ossos dos colegas goianos.

Pois ficou João Fidélis, numa homenagem ao veterinário. Amiga do nosso vizinho José Aparecido, uma irmã do veterinário chegou a entrar em contato — queria visitar o labrador.

O bebê chegou e animou a casa, com suas andanças, estrepolias e inquietude. Mexia com Frida e Sartoris, incomodava-os. Volta e meia, levava uma bronca de Frida, que era um pouco mais irascível e durona — a chefa dos cachorros.

João andava atrás de nós o tempo inteiro, brincando e mordendo nossos calcanhares (nossa auxiliar, Eliane, vivia correndo, mas sabendo que o menino estava brincando). Logo, arteiro, arrancou um pé de cereja. Retiramos a babosa com receio de que machucasse os olhos. Apreciava sandálias havaianas, sapatos e meias. Era um menino levado.

João Fidelis Foto Euler
João Fidelis no portão: a espera de algum carinho | Foto: Euler de França Belém

Quando tinha pouco mais de seis meses, na adolescência — já crescidinho —, contratamos o adestrador português João. Não para torná-lo manso, porque manso já era, e muito. O objetivo era ensinar algumas “regras” básicas de convivência. O labrador — que, de quase branco, foi se tornando amarelo um pouco mais escuro — começou a passear comigo pelo condomínio.

João tornou-se meu companheiro — e de Candice, que o amava (e cuidou tão bem dele) — ao longo dos anos. Nas andanças pelo condomínio, começou a se tornar amigo de todo mundo — dos moradores e funcionários. Pode-se sugerir, vendo o comportamento sociável do João, que cachorros têm “amigos” fora do círculo dos tutores.

Com o tempo, João se tornou amicíssimo do vigilante Lucas Ribeiro. De longe, quando o via, pedia para ir até ele. Às vezes, eu o soltava e João saía em desabalada carreira. Não saía do condomínio Housing Flamboyant e não ia para a rua. Ia direto pedir carinho e, sim, algum petisco (um pedaço de bolacha, de pão ou de bolo). Lucas acariciava sua cabeça e conversava com ele. Às vezes, o relacionamento me lembrava a história de “Caninos Brancos”, de Jack London.

João Fidelis brincando com o gatinho Bola Sete Mamadu
João Fidélis e Bola Sete/Mamadu brincam de esconder e achar | Foto: Euler de França Belém

Eu puxava o João, para retomarmos a caminhada, e, por vezes, não queria ir. Eu costumava dizer: “João, vamos ver a Candice”. Ele levantava a cabeça e olhava para frente e para os lados — procurando Candice e seguia. Porque a adorava. Ela costumava chamá-lo de “Janjão”, tal o afeto que tinha pela eterna criançona. Era a pessoa de quem ele mais gostava. E era mais obediente a mim.

O vigilante Ricardo (falecido num acidente de moto, depois de ter saído de um plantão noturno cansativo) era outro amigo de João. O jardineiro Christian, que alguns moradores consideravam “amalucado” (era só diferente), se tornou um grande amigo de João. Quando ele chegava ao condomínio, numa Garelli velha ou numa bicicleta, João ficava estático, à espera de seus carinhos.

João se tornou o cachorro preferido das crianças do condomínio. Caetano, com pouco mais de 5 anos, ao encontrá-lo dizia: “João, meu amigão”. Isis, quando bem pequena, o abraçava. Assim como Valentina, Emanuel e um neto do advogado Serginho.

Sebastião é o faz-tudo do condomínio e não tem entusiasmo com cachorros. Mas tinha paciência e chegava a conversar com o João.

João Fidelis e o gato Serafim amigos Foto Euler
João Fidélis e Serafim: sociabilidade era o forte do labrador | Foto: Euler de França Belém

João nunca rosnou para seres humanos, cachorros e gatos. Pelo contrário, convivia bem com todos. Às vezes, quando um cachorro latia muito, latia de volta. Não para ameaçar, e sim para evitar que chegasse perto.

Dada sua mansidão e doçura infinitas, foi mordido algumas vezes, sobretudo por cães menores, como Shih Tzu e buldogue francês. Não há nenhum registro de que tenha devolvido as mordidas. Apenas ficava desesperado, tentando fugir. Quando era menor e mais leve, eu o pegava no colo. Depois, quando não podia mais carregá-lo, nós dois corríamos.

Elétrico no início e depois mais calmo — não mexia em mais nada e, comportado, vivia dentro de casa (amava deitar-se no sofá, entre eu e Candice) —, João tinha o hábito de pedir carinho na cabeça. Adorava que coçassem sua barriga. Latia para pedir carinho. Quando a gente parava, ele latia de novo ou então levantava uma das patas para nos tocar.

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João Fidélis e Euler brincam de cabo de guerra: risco de perder dente | Foto: Candice Marques de Lima

Eternamente brincalhão, João gostava de cabo de guerra. Então, eu pegava um brinquedo de corda e puxávamos. Eu não podia ganhar sempre, porque ele parecia ficar sem graça. Então, permitia que me puxasse, e ele parecia contente com a algazarra e suas vitórias.

Outra brincadeira era assim: eu (ou Candice) jogava uma bola ou um frango de borracha. João saía correndo para buscá-lo, às vezes devolvia o brinquedo. Porém, se estivesse cansado, não o entregava. Até bem velho, como se meninos fôssemos, foi mantido o hábito de jogar o brinquedo. Com o tempo, ele dava no máximo duas ou três corridas e desistia.

De manhã, tínhamos um hábito que mantivemos por 12 anos. Quando íamos tomar café, João postava-se ao meu lado — seguido por Frida e Sartoris, depois por Eduarda (uma fiapo de manga adotada — é originária de Luís Eduardo, na Bahia). Ele queria, exigia e ganhava bolacha.

João Fidélis adorava deitar-se no sofá
O lugar preferido de João Fidélis era o sofá | Foto: Euler de França Belém

Gostava tanto de bolacha que eu disse a ele que iria escrever para a fábrica da bolacha Piraquê e sugerir um slogan: “Bolacha para humanos e caviar para cachorros”. João era bom de garfo. Comia qualquer coisa, sempre com o maior prazer do mundo. Nada era ruim ou apenas bom. Tudo era ótimo.

João era tão delicado que, quando pegava a bolacha, não encostava os dentes nas nossas mãos. Ao contrário de Eduarda, que, com sua velocidade, quase arranca um pedaço de nossos dedos.

O andarilho do condomínio

Uma das paixões de João era andar pelo condomínio. Durante muitos anos, andávamos cerca de quatro a cinco quilômetros. Ele nunca parecia cansado nos bons tempos. João cheirava todos os lugares e demarcava territórios. Nunca, nem mesmo quando doente, fez cocô e xixi dentro de casa. Cocô só fazia durante as caminhadas. Apreciava usar como banheiro alternativo uma área do quintal que é cercada. Aí só fazia xixi. Era, por assim dizer, sua Disneylândia. Assim como de Eduarda.

Nas caminhadas, era frequentemente cercado pela criançada, e até adultos. Por um tempo, as crianças achavam que meu nome era João e me chamavam assim. Pensavam que o labrador tinha o nome de João porque eu também era João.

João gostava demais de comer. Mas guardo a impressão de que, entre comer e passear, ficava com suas andanças pelo condomínio.

Byron o gato paraplégico com João Fidelis e Eduarda interação
Byron, o gato paraplégico, João Fidelis e Eduarda: interação total | Foto: Euler de França Belém

A rotina era assim. Por volta de sete horas, se a gente não descesse para levá-lo para passear, começava a arranhar a porta ou então dava latidos esparsos, à espera de que alguma viv’alma fosse “socorrê-lo”. De manhã, exceto alguns dias, eu era seu passeador e ele era o meu passeador. À noite, era a mesma coisa. Aí Candice o levava para as caminhadas, sempre junto de Eduarda.

Eu me dirigia à cozinha para pegar a guia-coleira, e João saía em disparada para colher um brinquedo. Gostava de levar uma bola, um frango ou uma vaquinha de plástico para a caminhada. Cinquenta metros depois, abandonava o brinquedo e eu tinha de carregá-lo. Começava então a sessão cheiração e demarcação. Com o tempo, embora ele continuasse pegando o brinquedo, optei por levar apenas o João.

Pelo caminho, quando João encontrava a cachorrinha Lia, era uma festa. Os dois adoravam correr. Brincava também com outros cachorros.

Candice e João Fidelis em 30 de dezembro de 2017 dia de chuva
João Fidelis e Candice em dezembro de 2017: nem a chuva impedia o labrador de passear | Foto: Euler de França Belém

Quando estava chovendo, João latia e exigia o passeio. Ele não se importava com chuva fraca ou forte. Queria sair. Então, eu (ou Candice) pegava uma capa — nos últimos tempos, optei por um guarda-chuva. João voltava todo molhado, bebia uma quantidade colossal de água e, depois, comia ração ou comida caseira (que Candice fazia com todo desvelo). A gente tinha de enxugá-lo com uma toalha. E, para João, tudo era festa. Ele puxava a toalha, tomava das nossas mãos e saía correndo.

A veterinária Yael dizia e nunca me esqueci: “Cachorro cansado é cachorro feliz”. De fato, João saía e voltava (talvez mais) alegre. E não parecia tão cansado assim. Estava abanando o rabo, em sinal de satisfação com a vida. E adorava visitas. Recebia-as colhendo e exibindo um brinquedo. Inteligente, sabia o que era seu e, por isso, podia pegar.

Quem cria labrador (como o ex-deputado Vilmar Rocha e Mayler Olombrada) sabe: a vida é uma festa todos os dias. Não há tristeza. Só alegria. Divertimento. Fala-se que labrador é arteiro. João não era, exceto quando criançola e adolescente. Mas adorava brincar. Chegamos a jogar bola no quintal, com Candice filmando e rindo. A vida ao lado do João era lazer permanente.

Eu e Candice moramos num sobrado geminado — nossos vizinhos, Isis, Juliana e João Cláudio, são excelentes e solidários — e, quando estou em casa, leio e trabalho num dos quartos, transformado num escritório-biblioteca com centenas de livros. João subia, deitava-se atrás de minha cadeira e dormia o sono dos justos. Eu precisava ter o máximo de cuidado. Não podia sequer afastar a cadeira.

Durante certo tempo, João tinha hábito de dormir por alguns minutos ou horas na nossa cama. Às vezes, ficava esticado, como se fosse uma pessoa. Na nossa casa, cachorros e gatos têm primazia. O gato Serafim dorme no travesseiro de Candice, em cima de seu cabelo. Filomena dorme em cima dela. Os gatos amam a vegetariana Candice, dada sua doçura infinita com os animais.

Candice cria o Byron Edgar di Paiva, um gatinho preto e paraplégico, com extremo carinho e cuidado (leitora de Byron, ela sabe que o poeta coxeava). Até para fazer xixi, é preciso espremer sua barriga e ela faz isto três vezes ao dia. Byron foi jogado fora, porque estava gravemente machucado, e ela e Juliana o recolheram. Com o apoio da excelente veterinária Luciana, Byron, que era um bebê, hoje é um senhor de um ano, rápido, serelepe e bravo com os demais gatos (há poucos dias, não sabemos como, subiu numa cadeira e ficou lá, empoleirado, observando os outros gatos).

Por sinal, o primeiro amigo de Byron na nossa casa foi o João. Deitavam-se juntos. Dolores Danielly, outra gata (que chamo de Severina), dava banho na testa do João, que aceitava o carinho numa boa, sem nenhum incômodo.

Envelhecimento, cannabis e acupuntura

Entretanto, João começou a envelhecer. Não teve a famosa displasia coxo-femural — típica de labradores — e sempre foi muito saudável, e sim a chamada “cauda equina”. Começou a sentir dores. Uma vez, estava passeando com ele, quando, de repente, caiu e começou a babar. Fiz um pouco de massagem, limpei a baba e conversei com ele. Ficamos cerca dez minutos parados. Até ele se recuperar.

João começou a usar cannabis e a fazer acupuntura com o veterinário Gustavo. Sucesso total. Ficou bom. Retomamos as caminhadas.

Aos poucos, fomos reduzindo o percurso. No início, dois quilômetros, e não mais quatro ou cinco. Depois, passamos a caminhar menos de um quilômetro. Mas João exigia sair todos os dias. Cobrava por meio de latidos e olhares cativantes e exigentes. Seu olhar era pura meiguice. Sua maneira de cobrar, com doçura e altivez, sempre encantou Candice e a mim.

Nos últimos tempos, João estava quase sempre ofegante e, por isso, nem sempre terminávamos o novo e bem menor percurso. Começou a comer menos. Levantava-se com dificuldade. Ao lado de Sartoris, dormia na cozinha (com a porta aberta, para que pudessem ir ao quintal, à noite), na sua cama (uma prova de docilidade: às vezes, Byron se deitava na sua cama e ele ficava rodeando — olhava para mim e para Candice e latia, pedindo a nossa intervenção. A gente retirava o Byron ou a Eduarda, e então João se deitava e logo estava cochilando). Ele não escutava mais tão bem. Estava meio surdo. Já tinha catarata.

De uma hora para outra, começou a ficar inchado nas laterais da barriga. Levamos aos veterinários do Centro de Especialidades e Internação Veterinário (Ceiv), que constataram a possibilidade de câncer de fígado. Quando fui visitá-lo, estava prostado, mas, como Argus, assim que me viu, começou a balançar a cauda. Comecei a fazer carinho na sua cabeça e na papada. Quando parava, ele latia, pedindo para continuar. Estava contente com a presença de Candice e a minha.

Em busca de socorro, e seguindo recomendação das veterinárias Camila e Luiza — que agiram como experts e amigas —, Candice e a amiga Juliana correram para a Clínica Amicão. Lá João foi atendido pelo veterinário Rogério. No semblante, e não nas falas (técnicas e lacônicas), de todos os veterinários lia-se: não havia nenhuma saída. Era hora de esperar… o fim.

Quando Candice ia sair da clínica, João reuniu forças inimagináveis e levantou-se para segui-la. Candice voltou para casa, mas, comovida com seu gesto, no sábado decidiu buscá-lo, para passar o fim de semana conosco. Ficou contente (seu estoque de felicidade parecia inesgotável), aparentemente, mas não comia. No domingo, o levamos para a clínica da veterinária Luciana Fonseca  para tomar soro (lá fez uma transfusão — estava anêmico). Ele saiu caminhando até o carro (adorava passear de automóvel e latia de contentamento), com dificuldade. Na madrugava, João morreu, em decorrência, possivelmente, de uma hemorragia. Sob o olhar comovido de Letícia, eu e Candice choramos todas as lágrimas possíveis. Era como se quiséssemos fazê-lo ressuscitar.

Bem medicado e bem cuidado por Luciana, João praticamente não sofreu. Morreu em paz, por assim dizer. Seu corpo foi cremado na segunda-feira, 27.

Nossa tristeza, absoluta, é compensada pelos excelentes momentos que passamos ao lado de João (e que ele passou conosco), uma figura ímpar, um gigante da doçura. Parece que, para João, não havia dias ruins. Só bons. Nunca esquecerei o olhar doce de João. Um olhar de “amor” por nós. Um olhar de quem cobrava e dava carinho.

Lá no Céu, que existe ao menos na imaginação humana, estão à espera de João, o novo morador, Mila, Meg, Kirilov, Frida e Cacau. Convenhamos, é um belo comitê de recepção.

(As últimas palavras são sobre Borges, Lenora e Branquinha. São gatos de rua que moram nas garagens de nossa casa e da residência de Juliana e João Cláudio. Candice e Juliana cuidam deles — dão alimento, água e levam ao veterinário. São castrados e vacinados. João, ao sair de casa para o passeio diário, os via, chegava a cheirar Borges, o mais manso, e nunca latiu para eles. Parece que entendia que eram amigos nossos.)