Grupo Estado extingue em maio a Rádio Eldorado
25 abril 2026 às 21h00

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Os Civita, notadamente Victor e Roberto, defendiam a tese de que uma revista de sucesso, como a “Veja” ou a “Quatro Rodas”, tinha a missão de alavancar outras publicações da Editora Abril até que, a partir de um determinado período, se firmassem e conseguissem sobreviver com as próprias pernas.
Com a morte de Roberto Civita, os filhos desistiram da tese e venderam as revistas — algumas lucrativas e outras nem tanto.
O Grupo Estado, durante décadas gerido pela família Mesquita — decisiva para a melhoria do jornalismo brasileiro —, extinguiu o excelente “Jornal da Tarde” em outubro de 2012. O “JT” sobreviveu, formando uma formidável geração de jornalistas, por 46 anos.
O suplemento de cultura do “Jornal da Tarde” era um dos melhores do país. Lá pontificou, entre outros, o notável crítico literário Léo Gilson Ribeiro. As reportagens especiais do “JT” eram muito bem-feitas.

O jornal “O Estado de S. Paulo” — conhecido como “Estadão” — está em crise? Como jornal não está. Continua um grande jornal, com reportagens, editorais e artigos de primeira linha. Já a empresa talvez esteja enfrentando alguns problemas financeiros. Jornais são, ao longo da história, deficitários.
O fim da Rádio Eldorado
Agora, o grupo Estado decidiu fechar a Rádio Eldorado, uma das mais importantes de São Paulo e do país — com um quadro de 60 funcionários.
Há uma crise envolvendo rádios? Talvez não. As rádios que se reinventaram, atualizando o perfil — pode-se falar mal do engajamento “excessivo”, à direita, da Rádio Jovem Pan, mas não se pode sugerir que é malsucedida em termos jornalísticos —, sobrevivem relativamente bem.
A Rádio Eldorado não é ruim; pelo contrário, é de um profissionalismo a toda prova. Mas poderia ter se modernizado, ao menos do ponto de vista empresarial. Há veículos jornalísticos de qualidade que fecham as portas mais por falta de gestão adequada.
A Rádio Eldorado sairá do ar no dia 15 de maio, depois de 68 anos no mercado — mais de meio século.
Numa nota, o Grupo Estado informou: “Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais”.
O Grupo Estado diz que alguns programas da Eldorado, como “Som a Pino” e “Clube do Livro” serão reformatados e mantidos. O foco será vídeo e digital. Parte dos funcionários deve ser reaproveitada.
(O que os notáveis Julio de Mesquita e Ruy Mesquita, criadores do padrão de qualidade do “Estadão”, diriam da extinção da Rádio Eldorado? Como estão mortos, não é possível saber. Mas certamente lamentariam o fim da já mítica rádio.)

