Os números da pesquisa Nexus/BTG Pactual revelam um cenário preocupante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No 2º turno, ele aparece com 46% das intenções de voto contra 45% de Flávio Bolsonaro (PL), resultado que configura empate técnico. Isso mostra que a disputa está aberta e que a direita conseguiu se reorganizar para enfrentar o petista de forma competitiva.

Nos cenários de 1º turno, Lula lidera em dois deles com 41%, mas sempre seguido de perto por Flávio, que varia entre 36% e 38%. No terceiro cenário, sem Romeu Zema (Novo), o empate se instala, Lula com 41% e Flávio com 38%. Esse detalhe evidencia que a vantagem do presidente não é sólida e pode se desfazer dependendo da configuração das candidaturas.

O desgaste de Lula passa principalmente pelo acúmulo de escândalos que respingam em seu governo e da situação econômica do país. No cotidiano, o brasileiro se sente cada vez mais acoado em suas finanças, com o custo de vida elevado e a renda comprometida. Esse aperto financeiro alimenta a insatisfação popular e fortalece o discurso oposicionista.

Um outro fator que pesa contra o presidente é a percepção de que os escândalos não são isolados, mas parte de um padrão que mina a confiança do eleitorado. E, mesmo quando não há envolvimento direto, a associação de seu governo com episódios de corrupção ou má gestão reforça a narrativa de desgaste e fragilidade política.

Além disso, a economia brasileira segue marcada por baixo crescimento e dificuldades estruturais. A inflação em itens básicos, como alimentos e energia, atinge diretamente o bolso da população. Esse impacto diário cria um ambiente de frustração e descrença, tornando mais difícil para Lula sustentar o discurso de avanços sociais diante da realidade vivida pelas famílias.

A pesquisa também mostra que Lula empata dentro da margem de erro contra Ronaldo Caiado (PSD) e Zema em simulações de 2º turno. Isso reforça a ideia de que a direita não depende apenas da família Bolsonaro para se manter competitiva. Há outros nomes capazes de atrair parte significativa do eleitorado, ampliando o leque de alternativas conservadoras.

O dado mais relevante não é apenas o empate técnico com Flávio Bolsonaro, mas a constatação de que Lula está cada vez mais ameaçado pela direita. O jogo de 2026 promete ser mais duro e imprevisível, com um campo conservador fortalecido e pronto para disputar voto a voto o futuro do Brasil.

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