Goiânia precisa pensar no aterramento dos fios — mesmo que comece por um projeto-piloto
08 junho 2026 às 14h29

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A discussão sobre o emaranhado de fios que ocupa inúmeros postes de Goiânia deixou de ser apenas uma questão estética. Nos últimos meses, o tema ganhou destaque com a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal e passou a ser tratado também como uma questão de segurança pública, mobilidade urbana e ordenamento da cidade. Acidentes envolvendo cabos soltos, interrupções de serviços e a poluição visual que toma conta de ruas e avenidas mostra que necessária novas soluções.
Uma das alternativas seria substituir a rede aérea por infraestrutura subterrânea. No entanto, realizar essa transformação em toda Goiânia é financeiramente inviável no momento, sobretudo diante dos altos custos da obra e de outras demandas prioritárias, como a saúde. Mas, se Goiânia não pode enterrar todos os fios, deveria ao menos iniciar esse processo em locais e regiões específicas, por meio de um projeto-piloto.
Por exemplo, o Centro de Goiânia surge como um candidato natural para essa iniciativa, especialmente em razão do processo de revitalização que a atual gestão tem buscado implementar na região. A ideia também se alinha perfeitamente aos planos de valorização das fachadas em art déco e ao processo de redução da poluição visual nas vias da região.
Além dos ganhos estéticos, as redes subterrâneas são menos vulneráveis a quedas de árvores, ventos fortes, colisões de veículos e furtos de cabos. Outro benefício importante é a diminuição dos conflitos entre a arborização urbana e a infraestrutura elétrica, reduzindo a necessidade de podas frequentes e cortes de árvores realizados para evitar interferências na rede.
Goiânia tem discutido intensamente, nos últimos meses, o problema dos fios soltos. A criação de comissões de investigação e a cobrança por maior fiscalização são medidas importantes e necessárias. No entanto, mais cedo ou mais tarde, a cidade precisará abrir o debate sobre o aterramento da rede elétrica e de telecomunicações. Nesse sentido, começar por projetos pontuais pode ser a forma mais realista de dar o primeiro passo rumo a uma cidade mais segura, organizada e visualmente mais agradável.
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