Estamos a menos de cinco dias da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e já consigo sentir a ansiedade tomando conta de mim e das pessoas ao meu redor. Esse sentimento de união, convicção e esperança que nos acompanha a cada partida é a prova de que jamais devemos abrir mão da capacidade de sonhar. A Copa nos lembra que acreditar, mesmo diante das dificuldades, ainda é uma das características mais bonitas do povo brasileiro.

Desde o desastroso 7 a 1, o maior medo da torcida sempre foi reviver aquele pesadelo. Perder em casa foi uma das dores mais profundas que o futebol já nos causou. Houve tristeza, incredulidade e até vergonha. Mas, mesmo depois daquela noite, o brasileiro fez aquilo que sabe fazer como ninguém: torcer. Mostramos ao mundo a força do nosso calor humano, a paixão que carregamos pelo futebol e a capacidade, quase teimosa, de acreditar até o último minuto que o hexa poderia acontecer. Até porque, ainda tivemos duas Copas do Mundo depois de 2014 em que, mais uma vez, acreditamos que o hexa viria e pra nossa surpresa, não veio. 

Embora já não seja tão comum, ainda existem ruas que se transformam em verdadeiras galerias a céu aberto. Crianças ajudam a pintar o asfalto, vizinhos penduram bandeirinhas entre os postes e famílias inteiras se mobilizam para deixar o bairro com cara de Copa do Mundo. E, quando chega o dia do jogo, não falta churrasco, cerveja gelada, amigos reunidos e aquela sensação gostosa de que algo especial está para acontecer.

Talvez seja justamente esse o maior encanto da Copa. Durante algumas semanas, deixamos de lado aquilo que nos separa e passamos a compartilhar a mesma expectativa. O gol comemorado por um desconhecido na janela do prédio ao lado é o mesmo gol celebrado por milhões de brasileiros espalhados pelo país. Por alguns instantes, somos menos indivíduos e mais uma grande torcida.

A verdade é que a Copa do Mundo nunca foi apenas sobre futebol. Ela fala sobre memória, pertencimento e esperança. É a lembrança da infância, dos jogos assistidos ao lado dos pais e avós, das superstições que insistimos em repetir e das histórias que carregamos por toda a vida. Cada geração tem a sua Copa inesquecível, seus heróis e suas decepções.

Por isso, independentemente do resultado, vale a pena torcer. Vale a pena vestir a camisa verde e amarela, reunir quem amamos e acreditar mais uma vez. Porque o brasileiro pode até sofrer, reclamar e desconfiar, mas quando a bola começa a rolar e o hino toca antes da partida, algo muda dentro de nós. E é nesse momento que lembramos que a Copa do Mundo continua sendo um dos poucos eventos capazes de fazer um país inteiro sonhar junto.

Leia também: Temos seguidores demais e conversas de menos