No domingo, 23, o Brasil viveu um momento preocupante para a democracia. O primeiro debate dos presidenciáveis da Band aconteceu sem três dos principais candidatos Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (NOVO). Os púlpitos ficaram vazios e apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) participaram.

As ausências foram justificadas de formas diferentes, mas todas mostraram conveniência. Não querem se desgastar de forma desnecessária. O Lula disse que não iria porque a emissora convidou candidatos sem critérios legais; o Flávio Bolsonaro afirmou que só participaria se Lula estivesse presente; e Romeu Zema desistiu horas antes alegando que o debate não fazia sentido sem o Lula.

O atual presidente da República não quis participar porque sabe que as contradições do seu governo são muitas, e muito provavelmente seria “esfolado vivo”, se me permite o linguajar, pelos outros candidatos. Nesse sentido, seria muito arriscado a sua participação. Afinal, “a eleição já está garantida”, apontam seus eleitores.   

Mas digo, a democracia não se sustenta apenas com as eleições, ela precisa de confronto de ideias e coragem para ouvir críticas, inclusive dos seus pares ideológicos. Ao não comparecerem, os três líderes passaram a mensagem de que o debate pode ser evitado e o resultado foi um encontro com apenas três candidatos que juntos tinham pouco mais de 11% das intenções de voto.

Nesse sentido, Caiado, Cury e Renan aproveitaram para criticar os ausentes chamando-os de “fujões” e “medrosos”. O candidato do Missão levou fraldas com os nomes de Lula e Flávio como forma de protesto. O gesto simbolizou a indignação diante da recusa dos principais líderes em dialogar com o povo.

Esse episódio ficará marcado como um parágrafo triste da história nacional, tendo em vista que a ausência não pode ser vista apenas como estratégia por nós eleitores. É um gesto que fragiliza a democracia e nos priva de avaliar propostas e visões de futuro. O Brasil merece líderes que entendam que ocupar o Poder é dialogar com a sociedade.

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