Facada em Bolsonaro e mortes de Celso Daniel e Toninho do PT são mistérios da política
11 julho 2026 às 21h01

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Alguns mistérios ocorridos no mundo político brasileiro parecem ser à prova de solução. Passam-se os anos, e os mistérios continuam misteriosos, não importam as muitas indagações. Enquanto isso, forças também misteriosas parecem se conjugar para que esses enigmas nunca sejam esclarecidos. Tomemos alguns exemplos a seguir.
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A facada em Jair Bolsonaro
A facada em Jair Bolsonaro. Em 6 de setembro de 2018, numa passeata em Juiz de Fora (MG), em plena campanha eleitoral, o cidadão Adélio Bispo esfaqueou gravemente no abdome o candidato a presidente Jair Bolsonaro.
Um inquérito super-rápido (cerca de 20 dias) da Polícia Federal deu em nada. Aí começam os mistérios, até hoje, tantos anos depois, inexplicados: Quem foi o mandante do crime? Como foram mobilizados com tanta rapidez os caros advogados que compareceram a Juiz de Fora no mesmo dia para dar cobertura a Adélio Bispo? Quem pagou estes profissionais? Houve tentativa de forjar um álibi para Adélio Bispo, com uma visita à Câmara dos Deputados, como se alegou então? Qual o autor da tentativa?
Mas as indagações não param por aí. Adélio Bispo frequentou um clube de tiro em Santa Catarina, recebeu instruções de tiro dois meses antes do atentado. Quem pagou os instrutores? O clube era frequentado pelos irmãos Bolsonaro.

Coincidência? Uma indagação especial: Jair Bolsonaro, quando assumiu a Presidência da República, em janeiro de 2019, tinha à sua disposição um enorme aparato investigativo e tinha como esclarecer as dúvidas que pairavam — e ainda pairam — sobre o atentado.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) faz parte desse aparato, como a própria Polícia Federal. Os serviços secretos das Forças Armadas são reconhecidamente eficientes. Mas esse aparato não foi mobilizado, ao menos com o empenho que a magnitude do crime exigia. Por quê? Muitas perguntas, nenhuma resposta, e já lá se vão oito anos. Haverá resposta algum dia?
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A morte de Celso Daniel
A morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002. Uma morte carregada de mistérios (https://tinyurl.com/2bfezv4j).
Celso Daniel foi sequestrado na cidade de São Paulo à saída de um jantar com o empresário e seu assessor Sergio Gomes da Silva, o Sombra. Ambos ocupavam um carro blindado, guiado por Sombra, o que não impediu que os sequestradores o parassem, abrissem e levassem Celso Daniel, deixando Sombra indene, embora fosse testemunha do sequestro.
Celso Daniel foi morto, mas sofreu muitas torturas antes da morte. Aí começam os muitos mistérios, até hoje sem esclarecimento.
Como um carro blindado é parado facilmente e um seu ocupante retirado de lá, para ser torturado e morto, enquanto outro não é molestado?

Segundo a polícia, Sombra alegou falha mecânica do veículo, mas a própria perícia policial desmentiu a versão.
A polícia fala em sequestro comum e aponta seis bandidos da Favela Pantanal (sul de São Paulo) como autores. Eles teriam no dia seguinte se inteirado de que o seu refém seria o prefeito de Santo André, ficado com medo e, numa confusão de ordens do chefe da quadrilha, o executado.
Mas aí surgem os mistérios: por que nenhum bandido tocou em Sombra? Por que Celso Daniel foi torturado antes de ser executado?
Mais: por que o PT, imediatamente designou um advogado, Luís Eduardo Greenhalg, para acompanhar o inquérito policial, algo inusitado, ainda mais levando em conta o passado, não muito brilhante de Greenhalg?
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Por que ocorreram tantas mortes?
Seria coincidência a morte do sequestrador Dionísio de Aquino Severo, um dos seis bandidos indiciados, menos de três meses depois? E a de outro sequestrador, Sergio “Orelha”, que escondeu Celso Daniel em casa, ainda em 2002? E a do investigador Otávio Mercier, que tinha relações com o bandido Dionísio, assassinado na porta de casa?
E o garçom Antônio, que serviu Celso Daniel e Sombra na noite do sequestro? Sua morte misteriosa menos de um ano depois, foi também coincidência? E a morte de Paulo Henrique, que testemunhou a morte do garçom Antônio poucos dias depois, foi outra coincidência?
Isto sem contar outras duas coincidências: a morte misteriosa do agente funerário Iran Moraes, que encontrou o corpo de Celso Daniel, baleado em 2004 e a do legista que atestou as torturas no cadáver, num misterioso suicídio, um ano depois? Tantas coincidências sugerem algo sério — e grande.
A pouca luz lançada sobre o caso acabou por alongar o mistério: Marcos Valério, o publicitário que ficou conhecido no escândalo do “Mensalão” como um dos principais envolvidos, chegou a apontar a culpa da cúpula petista no assassinato, para esconder um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André, envolvendo empresas de transporte e que alimentava as campanhas petistas.
Mas o publicitário andou desdizendo pouco depois, apesar das pressões da família de Celso Daniel, que nunca desistiu de denunciar sua morte como um crime político. Em toda essa complexidade, só uma certeza: até hoje, um quarto de século depois, o crime não foi desvendado.
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A morte de Toninho do PT
O arquiteto Antônio da Costa Santos, conhecido como Toninho do PT, foi morto em setembro de 2001, próximo a um shopping center, em Campinas (SP).
Eleito prefeito no ano anterior, Toninho do PT saía do shopping quando foi misteriosamente baleado e morto.

A polícia aventou tentativa de assalto ou colisão com um carro de bandidos para tentar, sem conseguir, explicar a morte. Veículo usado, arma do crime e criminoso jamais foram encontrados.
A viúva de Toninho do PT sempre alegou motivação política para a execução, até porque o prefeito investigava um esquema de corrupção que havia herdado na prefeitura e buscava identificar e responsabilizar os corruptos.
Depondo numa CPI do Congresso, em 2005, a viúva Roseana Garcia reafirmava que Toninho vinha contrariando interesses de gente graúda do PT (chegou a mencionar o ex-prefeito Jacó Bittar), tendo por isso sido executado.
Roseana Garcia falou do pouco empenho policial no esclarecer o crime e disse ter achado estranho que Lula da Silva, após ter prometido a ela empenhar a Polícia Federal na questão quando assumisse a Presidência em 2003, não tenha cumprido a promessa.
Enfim, mais uma vez um crime de morte sem ser desvendado, e muitas perguntas importantes sem resposta. E aqui fica mais uma: é coincidência que estes mistérios envolvendo crimes de morte ocorram sempre nos quintais petistas?



