Professora brasileira acusa pesquisador espanhol de plagiar método de ensino inspirado em Taylor Swift
11 julho 2026 às 09h57

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Uma metodologia criada por uma pesquisadora brasileira para ensinar botânica por meio das músicas e videoclipes de Taylor Swift se transformou em alvo de uma disputa internacional por autoria. A doutoranda Glaucia da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acusa o professor espanhol Joaquin Moreno Compañ, da Universidad Miguel Hernández de Elche (UMH), de plagiar seu trabalho científico e apresentar a ideia como se fosse dele.
Batizado de “Método Taylor Swift”, o projeto foi desenvolvido por Glaucia durante o estágio supervisionado da pós-graduação, quando buscava maneiras de tornar as aulas de botânica mais atrativas para estudantes do ensino médio.
A inspiração surgiu durante a pandemia, após o lançamento do álbum Folklore. No videoclipe de “Cardigan”, Taylor Swift aparece tocando piano em meio a uma floresta repleta de musgos e outras plantas. A cena despertou na pesquisadora a ideia de utilizar referências da cantora para introduzir conteúdos sobre botânica em sala de aula.
A partir daí, Glaucia passou a analisar outros videoclipes da artista, como “Blank Space”, “Out of the Woods” e “Willow”, identificando elementos que poderiam ser utilizados como ferramentas didáticas para abordar diferentes temas da disciplina.
O método foi apresentado em um simpósio internacional realizado em Madri, em 2024, ocasião em que Joaquin Moreno Compañ acompanhou a apresentação. No ano seguinte, Glaucia publicou o estudo completo em uma revista científica da área.
Segundo a pesquisadora, meses depois o professor espanhol lançou um capítulo de livro sobre o uso de videoclipes de Taylor Swift no ensino da botânica, sem atribuir a ela a autoria da metodologia.
Glaucia afirma que o pesquisador chegou a citar um resumo apresentado por ela no congresso, mas omitiu justamente a referência à cantora, mencionando apenas o uso de “vídeos musicais” em aulas de botânica. Para a doutoranda, a supressão foi deliberada.
“Se eu só falo de vídeo musical, pode ser de qualquer artista. As boas práticas científicas determinam que a citação seja completa e explícita. Ele sabia que eu utilizava especificamente os vídeos da Taylor Swift”, afirmou.
Ela também sustenta que o professor classificou a proposta como uma “nova metodologia”, reivindicando a inovação para si, embora o método já tivesse sido apresentado em evento internacional e publicado em periódico científico revisado por pares.
Após identificar a semelhança entre os trabalhos, Glaucia procurou a universidade espanhola, mas afirma que a instituição inicialmente minimizou o caso. Em seguida, a Reitoria da UFRN informou que encaminhou uma carta oficial à editora responsável pela publicação, ao reitor da Universidad Miguel Hernández e ao pesquisador espanhol, acompanhada de 16 documentos reunindo as evidências da autoria da pesquisadora brasileira.
Glaucia também revelou que recebeu mensagens positivas de integrantes da equipe de Taylor Swift sobre o projeto e confirmou que prepara uma ação judicial contra o professor espanhol.
Segundo ela, o caso vai além da disputa individual e chama atenção para um problema recorrente enfrentado por pesquisadores brasileiros.
“Isso acontece com diversos cientistas brasileiros. O apoio das pessoas é importante para que esse caso não caia no esquecimento”, afirmou.



