Pesquisa sobre polilaminina avança e consegue aprovação para publicação científica
03 junho 2026 às 13h24

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A intervenção experimental com polilaminina, uma proteína criada por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para apoiar a recuperação de lesões na medula espinhal, continua a ser uma fonte de expectativa para pacientes e autoridades de saúde.
Os resultados preliminares são positivos, mas a comunidade científica alerta que mais pesquisas rigorosas são necessárias para demonstrar os benefícios e a segurança da terapia. A tecnologia foi desenvolvida recentemente pela pesquisadora Tatiana Sampaio, que relatou que o principal estudo sobre a substância foi aprovado por uma revista científica que utiliza revisão por pares. No entanto, ela não divulgou o nome da publicação nem a data esperada para a divulgação dos resultados.
A publicação em revistas especializadas é considerada um passo essencial para comprovar a pesquisa científica. Antes disso, estudos sobre a polilaminina foram rejeitados por revistas internacionais e questionados por especialistas sobre aspectos metodológicos e a interpretação dos resultados apresentados.
Resultados geram expectativa
A polilaminina é uma versão feita em laboratório de uma proteína encontrada no corpo durante o desenvolvimento embrionário. Espera-se que ela ative a regeneração de conexões nervosas rompidas após um trauma na medula espinhal. Primeiro realizamos os testes em humanos e oito pacientes com lesões graves na medula espinhal foram tratados. Todos os seis sobreviventes mostraram algum nível de recuperação motora abaixo da região afetada.
Um dos casos mais relatados foi de um paciente que conseguiu andar novamente após o tratamento sem assistência. No entanto, não está claro, dizem os especialistas, se recuperações espontâneas podem ocorrer em certos tipos de lesões. Isso ressalta a necessidade de pesquisas controladas para determinar se o novo material tem algum impacto real no corpo. O Ministério da Saúde está acompanhando a pesquisa e tem esperança na nova terapia.
A polilaminina foi um dos primeiros produtos avaliados pelo Comitê de Inovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência permitiu um ensaio clínico de fase 1, visando principalmente uma avaliação de segurança do medicamento em pacientes com lesões recentes na medula espinhal.
Alguns pacientes tomaram o medicamento por meio de autorização de uso compassivo, um processo utilizado em certas circunstâncias antes da aprovação formal de um tratamento. A comunidade científica precisa estar atenta. Cientistas brasileiros e estrangeiros reconhecem o caráter inventivo da proposta, mas ressaltam que, com evidências limitadas disponíveis, a polilaminina ainda não é capaz de restaurar o movimento de forma comprovada.
Especialistas afirmam que o pequeno número de sujeitos experimentais examinados, a relevância de investigações comparativas e a publicação de achados em revistas científicas estabelecidas estão entre os pontos mencionados. Além disso, avaliações recentes do estudo precisaram de correções em gráficos, explicações da metodologia utilizada e explicações dos critérios empregados para selecionar os pacientes envolvidos no estudo.
Mais de 20 anos de pesquisa
O desenvolvimento da polilaminina começou há mais de 20 anos nos laboratórios da UFRJ. A substância tem sido testada em animais desde então, e em estudos experimentais em humanos. Um estudo publicado recentemente em cães paraplégicos mostrou que o composto ajudou alguns cães a melhorar a locomoção. As descobertas geraram ainda mais entusiasmo pela tecnologia, gerando excitação e novas investigações. À medida que os estudos clínicos avançam, pesquisadores e autoridades de saúde concordam em uma coisa: será necessário concluir as próximas rodadas de testes para confirmar se a polilaminina é realmente uma nova alternativa para o tratamento de lesões na medula espinhal.



