Homem que invadiu apartamento de nutricionista para estuprá-la implorou quatro vezes ao juiz para não ser preso
04 junho 2026 às 11h52

COMPARTILHAR
Em audiência de custódia realizada em Barueri, na Grande São Paulo, revelou que Wellington de Oliveira Santos, de 36 anos, acusado de invadir o apartamento de uma nutricionista e tentar estuprá-la, implorou quatro vezes ao juiz para não permanecer preso. O homem alegou estar embriagado, disse que cuida do pai de 74 anos e do filho de 11 anos e pediu um “voto de confiança” à Justiça. O magistrado manteve a prisão preventiva, destacando a necessidade de preservar a vítima.
A invasão ocorreu na manhã de 23 de maio, quando câmeras de segurança registraram Wellington entrando no condomínio aproveitando a saída de um morador. O suspeito passou pela recepção sem ser abordado e chegou ao 18º andar. A porta do apartamento estava apenas encostada, pois o namorado da vítima havia saído mais cedo para um compromisso escolar da filha.
A agressão começou quando a nutricionista Jéssica Santos, de 35 anos, percebeu que não era o companheiro quem entrava no imóvel. O invasor tapou a boca dela, fez menção de estar armado e tentou tirar suas roupas. A vítima reagiu utilizando técnicas de defesa pessoal aprendidas em muay thai, boxe e jiu-jítsu. Durante a luta, ela aplicou um mata-leão e conseguiu se desvencilhar em alguns momentos, mas sofreu socos, puxões de cabelo e chegou a ser derrubada da escada.
A fuga foi possível quando a vítima conseguiu chutar o agressor contra a parede, deixando-o atordoado. Ela correu pelo corredor em busca de ajuda e foi perseguida pelo suspeito. Moradores ouviram os gritos e intervieram, conseguindo contê-lo até a chegada da Guarda Civil Municipal. A nutricionista foi encaminhada ao pronto-socorro com lesões pelo corpo e iniciou acompanhamento psicológico após o ataque.
A investigação revelou que Wellington já possuía antecedentes criminais. Ele foi condenado por estupro em 2005 e, em 2017, recebeu pena de 11 anos e 4 meses por estupro, roubo com arma, restrição de liberdade, violação de domicílio e constrangimento ilegal. Em 2021, passou a cumprir livramento condicional. Em 2025, foi alvo de medidas protetivas por violência doméstica no contexto da Lei Maria da Penha.
Uma análise das imagens de segurança mostrou falhas no controle de acesso do condomínio. O suspeito entrou sem ser abordado, permaneceu no saguão e passou pela catraca sem intervenção da portaria. A advogada da vítima, Silvana Campos, afirmou que o condomínio deve ser responsabilizado pelas falhas de segurança e estuda medidas judiciais para reparação dos danos e mudanças nos protocolos de proteção.
Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) apreendeu o celular do agressor para verificar se ele monitorava a rotina da vítima ou se contou com apoio de outras pessoas. O caso foi registrado como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio na Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri.



