Ex-vereador Jairinho é condenado a 43 anos prisão pela morte de Henry Borel
04 junho 2026 às 08h54

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O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro concluiu, nesta quinta-feira, 4, o julgamento do caso da morte do menino Henry Borel, encerrando um processo que se estendeu por dez dias e foi considerado o mais longo da história recente da Justiça fluminense.
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido pelo nome político Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação durante o processo. A juíza Elizabeth Machado Louro destacou na sentença que o réu apresentou comportamento dissimulado e que a vítima, de apenas quatro anos, estava em situação de extrema vulnerabilidade.
A mãe de Henry, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada. Os jurados entenderam que sua conduta foi marcada por negligência e a condenaram por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho. A pena fixada foi de 1 ano e 4 meses de detenção em regime aberto, já considerada cumprida pelo período em que permaneceu presa. A magistrada concedeu perdão judicial pelo homicídio culposo, afirmando que o processo contra Monique foi marcado por preconceitos de gênero e por uma cobrança social desproporcional.
O julgamento também resultou na condenação do médico Jefferson Evangelista Corrêa, assistente técnico da defesa de Jairinho, pelo crime de falsa perícia. Ele havia apresentado laudos e depoimentos contestados pela acusação e por peritos oficiais. A decisão incluiu ainda a fixação de indenização de 400 mil reais a ser paga por Jairinho ao pai de Henry, Leniel Borel, por danos morais.
O caso teve início em março de 2021, quando Henry foi levado sem vida ao Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio. Jairinho e Monique alegaram que o menino havia caído da cama, mas laudos apontaram múltiplas lesões e hemorragia interna causada por ação violenta. A investigação concluiu que Henry morreu em decorrência das agressões do padrasto e da omissão da mãe.
Um mês após a morte, o casal foi preso. O Jairinho permaneceu detido desde então, enquanto Monique foi solta e voltou à prisão em diferentes momentos do processo. O caso inspirou a criação da Lei Henry Borel, sancionada em 2022, que classificou como crime hediondo todo homicídio contra crianças e adolescentes.
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