Tocantins
O deputado Irajá Abreu (PSD) não teme interferência do prefeito de Palmas, Carlos Amastha, na construção de união das oposições. O deputado aponta que quem é o pré-candidato do PP é o empresário Roberto Pires e quem dirige o partido é o deputado Lázaro Botelho, que são favoráveis ao entendimento neste esforço. Conclusão: a posição
Dos dez pré-candidatos na eleição indireta, anunciados até agora, apenas cinco resistem ao critério de ano de filiação partidária como recomenda a legislação eleitoral. Os deputados José Augusto Pugliesi (PMDB), Marcelo Lelis (PV) e Irajá Abreu (PSD), o servidor público Nuir Júnior (PMN) e o ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão (PT). Estariam fora da disputa o governador interino Sandoval Cardoso (SDD) e ex-secretário de Relações Institucionais Eduardo Siqueira Campos (PTB), o senador Ataídes Oliveira (Pros) e o deputado Sargento Aragão.
Após a renúncia o ex-governador Siqueira Campos (PSDB), que já vinha mantendo agenda de poucos compromissos, desapareceu. Ele ainda está “dando as cartas”, mas de casa para não parecer que continua mandando no governo. Apareceu em público pela última vez um dia após a renúncia, no dia 5, em Ipueiras, para prestigiar a inauguração de obras. Como declarou que ainda pretende servir ao Estado, não vai demorar a voltar às visitas ao interior para pedir voto, ainda que não seja candidato a carga algum.
O presidente do PSD nacional, Gilbeto Kassab, avalia que o partido que começou a ser criado em 2011 teve um bom desempenho nas eleições municipais, mas agora nestas eleições é que será submetido ao teste definitivo. Ele avalia que as eleições para presidente da República, para governadores e para deputados e senadores será a oportunidade de avaliar se o partido vai passar no teste. Se tiver o mesmo desempenho que teve nos municípios estará aprovado e com futuro garantido, caso contrário estará com o futuro comprometido.
O presidente nacional do PL, ex-deputado por Goiás Cleovan Siqueira, acompanhou a visita do presidente do PSD ao Tocantins. Cleovan aproveitou para abraçar lideranças com a quais teve convivência em Goiás e hoje atuam no Tocantins, como o ex-governador Marcelo Miranda. O líder do PL diz que o partido tem alinhamento em nível nacional com o PSD.
Vereador de Palmas afirma que saída foi golpe político que pode aumentar o desgaste do governo, pois dificilmente terá apoio da sociedade, que ainda não compreendeu o desdobramento dos novos fatos
Com a responsabilidade de conduzir a eleição do novo governador depois da renúncia de Siqueira Campos e João Oliveira, a Assembleia Legislativa vira o centro do poder
Com um governo irreconhecível, ex-governador Siqueira Campos sacrifica mandato para tentar manter o seu grupo no poder. Inicialmente, saída foi saudada como jogada de mestre, mas agora há sérias dúvidas sobre isso
O deputado Júnior Coimbra (PMDB), se fosse candidato de verdade, agregaria muito ao seu partido. Ele é o peemedebista que atrai mais gente do governo para suas reuniões, portanto é o “oposicionista” que mais tem apoio na base do governo. Ou é o contrário, o governista que mais tem votos na oposição? De qualquer forma isso não é para qualquer um.
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Foto: Clayton Cristus[/caption]
É no mínimo preocupante a declaração do presidente em exercício da Assembleia Legislativa, deputado Osires Damaso (foto), do DEM, que diz que depende dos deputados para não haver aliciamento durante a eleição indireta. Se depender dos deputados vai haver. Siqueira elegeu apenas 9 dos 24 deputados e assim mesmo um deles fez campanha em separado porque era de oposição. Hoje o governo tem dois terços da Assembleia e manda e desmanda no Parlamento. E como construiu esta maioria absoluta se não por cooptação e aliciamento? Não é difícil prever o que os deputados vão ganhar em troca para eleger o novo governador. Bastar lembrar o que os parlamentares da época Gaguim receberam dele para fazê-lo governador.
O deputado José Bonifácio, que passou a ser um duro crítico do governo Siqueira Campos, avalia que a renúncia abre um precedente importante. O fim da era Siqueira e o início de um novo tempo. Para o deputado, Siqueira fez um governo fraco, sem obras, bem distante dos anteriores. Bonifácio afirma que Siqueira ficou no passado e que o momento oferece oportunidades para novos líderes.
Mas o governo também foi derrotado na defesa da tese de que Eduardo Siqueira pode ser candidato ao governo do Estado sem necessariamente o pai, Siqueira Campos, renunciar. Siqueira deixou o governo alegando oferecer condições para o filho ser candidato. A tese de Eduardo foi derrotada e descartada.
O governador interino Sandoval Cardoso (SDD) e o ex-secretário de Relações Institucionais Eduardo Siqueira Campos (PTB) não podem concorrer a eleição indireta para governador. Quem alerta é o procurador eleitoral Álvaro Manzano, que ressalta que para a eleição indireta aplicam-se as mesmas regras da eleição direta.
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Prefeito Carlos Amastha: “Não entendo as reclamações, foi melhor assim”[/caption]
O governo já conquistou a primeira vitória com a renúncia de Siqueira Campos e o seu vice, João Oliveira (DEM). Fez a oposição, que vinha promovendo um verdadeiro arrastão pelo interior, descer do palanque. Pelos próximos 20 dias líderes oposicionistas estarão ocupados assistindo o governo vencer uma eleição de cartas marcadas.
O prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), acompanha de longe, mas não indiferente, o desdobramento da eleição indireta. Destoando da maioria dos líderes de oposição que questionaram os motivos da renúncia, o prefeito diz que não consegue entender as reclamações. Para ele a renúncia demorou. “Foi um governo que terminou sem nunca ter começado, melhor assim”, comenta. Amastha, que é o coordenador da terceira via, anuncia que deve reunir os partidos para tomar uma decisão. O grupo formado por PP, PT e PCdoB deve bancar a candidatura de Paulo Mourão.

