Júnior Geo: “Renúncia não era a melhor saída para o governo”

Vereador de Palmas afirma que saída foi golpe político que pode aumentar o desgaste do governo, pois dificilmente terá apoio da sociedade, que ainda não compreendeu o desdobramento dos novos fatos

Vereador Júnior Geo: “Amastha não tem liderança nem dentro do partido”

Vereador Júnior Geo: “Amastha não tem liderança nem dentro do partido”

Ruy Bucar

O vereador de Palmas Júnior Geo (Pros) está convicto que a renúncia do governador Siqueira Campos (PSDB) e do seu vice, João Oliveira (DEM), representa o último ato de um longo ciclo político que chegou ao fim de forma melancólica, sem resultados e sem perspectivas. O vereador avalia que a renúncia não era a melhor opção. “A meu ver isso foi um golpe político, só que o governo não sei até onde fez o mais adequado, porque se esqueceu de contar com o apoio da sociedade”, observa o parlamentar.

Para o vereador o grande problema da renúncia é a incerteza que cria um processo de insegurança, visto que ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dias. Para ele nada justifica a renúncia do vice-governador, sem motivação convincente. “O vice-governador renunciar sem justificativa, isso pra mim mancha a imagem do próprio governador, mancha a imagem principalmente do vice-governador e vai gerar um desgaste para os deputados em um ano de tentativa de reeleição”, prevê.

Sobre o desempenho do governo municipal Júnior Geo aponta que Amastha perdeu a oportunidade de realizar uma grande transformação na cidade e se firmar como uma nova alternativa política. “É difícil você analisar o prefeito sendo colocado como liderança da terceira via se nem no próprio partido ele é liderança”, observa o vereador, que aponta a falta de humildade do prefeito pelos atritos com a direção do PP. Estes e outros assuntos na entrevista a seguir.

Como o sr. vê essa mudança repentina no governo que traz novamente uma eleição indireta, o que é possível prever?
Isso foi um golpe político, só que o governo não sei até onde fez o mais adequado a ser feito, porque ele se esqueceu de contar com o apoio da sociedade. Será que a sociedade está vendo com bons olhos o que o governo está fazendo? Será que os deputados que vão realizar uma eleição e eleger um candidato governista vão estar realmente representando a vontade do povo? Será que essa ação política orquestrada pelo governo do Estado em conluio com boa parte dos deputados estaduais, se não for bem vista pela sociedade, e eu acredito que não será, não pode ser um tiro no pé. Eu acredito que é um tiro no pé, não somente para o governo do Estado, como também para os deputados que estão participando deste tipo de ação. Porque se houve um governo eleito para quatro anos, que ele permaneça, salvo se houver algum impedimento legal, e não ação política como está sendo feita agora. Não acredito que tenha sido a melhor saída para o governo.

A gestão era o grande gargalo desse governo. A mudança pode melhorar ou aprofundar a crise de falta de resultado?
O governo está tentando promover uma mudança para ter uma nova imagem de gestor com o objetivo de retirar o desgaste que ele teve praticamente durante os quatro anos de mandato. Só que por mais que consiga mudar a imagem do candidato, o desgaste do governo permanece, e o candidato do governo vai permanecer desgastado. Talvez aquele que venha a ser candidato, em função da necessidade de ter um ano de filiação, não contempla nem o nome do Eduardo nem do Sandoval, que ingressaram em um novo partido político em um prazo inferior a um ano. Então essa incerteza gera realmente uma indefinição para todos. Para a sociedade, para os políticos, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer nos dias que virão. Essa decisão talvez viria de forma mais acertada porque seria um direito do governador renunciar, agora o vice-governador renunciar sem justificativa, mancha a imagem do próprio governador, mancha a imagem principalmente do vice-governador, e vai gerar um desgaste para os deputados em um ano de tentativa de reeleição.

Analistas defendem que é o fim de um ciclo político e início de um novo. É o momento de novas possibilidades políticas?
Realmente tudo se mostra agora como uma possibilidade real de fim de um grande ciclo. De um ciclo de atraso, como ocorreu com o coronelismo na Bahia, como ocorreu e ocorre ainda com o coronelismo no estado do Maranhão. Esse ciclo está se findando no Tocantins. Se alguns representantes ou líderes, sejam estes com mandato ou não, vierem a aproveitar a oportunidade, é um momento certo de tentar fazer um Estado diferente. Novas lideranças vão surgir e eu acredito que com o pensamento diferenciado de fazer de fato um Estado com novas ideias e novas ações. É o que a sociedade tanto espera, tanto que a eleição que elegeu o atual governador, nós enquanto cidadãos nos vimos entre a cruz e a espada, tínhamos dois candidatos e não queríamos nenhum dos dois, a realidade era essa. Essa é uma oportunidade da sociedade demonstrar exatamente que quer algo diferente e eu não sei se a manutenção da política antiga vai conseguir ter êxito nesse momento.

Que avaliação o sr. faz do desempenho administrativo do governo Amastha?
Na realidade nós nos vimos na eleição para prefeito sem opção daquele que seria o melhor candidato e a sociedade optou por aquilo que representaria o novo, sendo que boa parte desses votos, a própria sociedade tem conhecimento disso, foram de rejeição à política antiga, não um voto de acreditar no prefeito que veio a ser eleito. O prefeito recebeu uma gestão que poderia encantar a sociedade e ele simplesmente perdeu a oportunidade. Não somente perdeu a oportunidade como está atrapalhando que esse sonho permaneça para Palmas e para o Estado do Tocantins, porque quando a sociedade acredita, através de um voto de rejeição ao antigo, na possibilidade de algo novo, e se tem um novo que não representa de fato o que a sociedade anseia, é um prejuízo muito grande para toda a população. O prefeito perdeu a oportunidade de mostrar e desenvolver uma política diferente. Ele está trabalhando na mesma política antiga que os demais sempre travaram ou promoveram em Palmas.

A prefeitura tem uma obra importantíssima que aponta para o futuro de Palmas que é o BRT. Qual a importância dessa obra para a cidade?
Na propaganda do BRT feita pela prefeitura, que está inclusive disponível no Youtube, finaliza dizendo que o BRT não é um sonho, já é uma realidade. E eu fico me perguntando, olhando para a Avenida Teotônio Segu­rado, onde está essa realidade? Vejo o governo fazendo muita propaganda em cima do que não existe. Não adianta o prefeito falar que existe uma liberação de recursos de obras que não iniciaram, fazer propaganda aos quatro cantos do município de algo inexistente. Neste ano o prefeito tem consciência de que a obra do BRT não inicia, mas já está fazendo propaganda por ser ano eleitoral, de que é realidade. O prefeito precisa se atentar um pouco mais ao povo tocantinense e não vir do Sul com o pensamento que aqui nós somos atrasados e acreditamos em tudo que se fala. A sociedade tem consciência do que está acontecendo, o prefeito tem o seu lado positivo como também inúmeros aspectos negativos, e a sociedade sabe muito bem diferenciar isso. Eu dou um exemplo em relação a outro grande momento político que marcou esse governo em 2013, que foi o reajuste do IPTU. O prefeito faz propaganda de milhares de pessoas que foram isentadas, mas esqueceu de mostrar à população um aumento de aproximadamente 100% no registro de imóveis, quem for registrar um imóvel hoje terá que pagar reajuste de 100%. Um grande erro da política antiga que é praticada na atual gestão municipal é tentar achar que pode ludibriar a sociedade fazendo propaganda do que não existe.

O governo Amastha foi precipitado em buscar aumentar a arrecadação antes de mostrar obras convincentes para Palmas?
Quando se fala em melhorar a arrecadação a gente já sabe que é aumento substancial dos impostos. O prefeito está tentando sugar ao máximo o que a sociedade tem de mínimo, que é o reajuste salarial. Na atual conjuntura a sociedade vai se deparar com a cidade limpa, cheia de grama, adquirida a valores equivocados, de uma carona de preço do município de Colinas, quando a cidade não podia, não era permitido ter carona de preços com outros municípios, mas o que a prefeitura tenta fazer é exatamente ludibriar. Ela tenta passar uma imagem para quem anda nas ruas que a cidade está bonita, quando na realidade o que está sendo feito por debaixo dos panos é outra arquitetura. Hoje tenta se promover uma arrecadação significativa de impostos, mas se vai ser revertido em obras para o município é outra situação. No BRT se faz muitas propagandas, mas eu estou disposto a questionar o Executivo sobre isso, inclusive disposto a colocar, se necessário, o meu mandato contra o do prefeito, se de fato essa obra sair em 2014. Não dá para aceitar propaganda sem resultado.

Amastha ainda é um líder emblemático pela força com que chegou à prefeitura. Do ponto de vista político ainda é um líder que pode influenciar e ser decisivo nas eleições?
Para se lançar uma terceira via no mínimo tem que ter partido, e Amastha não tem. Quem de fato comanda o partido é o deputado federal Lázaro Botelho, e o que se comenta nos bastidores é que o deputado não tem relacionamento muito amigável com o prefeito. É difícil analisar o prefeito sendo colocado como liderança da terceira via se nem no próprio partido ele é liderança. O prefeito entrou no PP, e uma vez eleito prefeito como se fosse um furacão, ficou muito impressionado com ter se tornado prefeito da capital, e esqueceu que no partido dele existe um comando, que não é ele. Faltou respeito com o deputado Lázaro Botelho.

Que avaliação o sr. faz da articulação do Pros, que tem candidatura própria ao governo do Estado?
O Pros é um partido novo, busca desenvolver uma política nova, tem políticos que vieram somar e que tem pensamento diferenciado. A exemplo dos dois deputados que hoje são oposição ao governo do Estado, o próprio presidente, Ataídes Oliveira, que por uma questão de destino acabou tornado-se senador, o que fortaleceu ainda mais o partido no Estado. O Pros é uma oportunidade, uma alternativa viável nestas eleições. De nada adianta entrar na política com a promessa de fazer algo novo se permanece com a política antiga, é por isso que o trabalho que vem sendo feito pelos deputados estaduais, pelos vereadores que compõe o partido é uma política completamente diferente do que já se desenvolveu ao longo dos 25 anos neste Estado. Política com responsabilidade e promessa daquilo que é viável de ser feito. Quando me refiro à promessa, o senador já entrou em contato com todos os vereadores do Estado e está colocando à disposição o escritório jurídico do partido para atendê-los, sejam do Pros ou de qualquer outra sigla, simplesmente para atender e mostrar que somos capazes de fazer política diferente.

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