Tocantins
A eleição de Sandoval Cardoso na eleição indireta pode encorajar o ex-governador Siqueira Campos a voltar aos palanques. Agora talvez como candidato ao Senado ao lado do filho, candidato ao governo. Será a revanche de 2006 contra Marcelo Miranda e Kátia Abreu. Naquela eleição Kátia e Marcelo venceram os Siqueiras, derrubando o mito da invencibilidade do velho líder.
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Prefeito Carlos
Amastha bandeou
para o siqueirismo / Antônio Gonçalves/Ascom[/caption]
Não tem outra palavra para definir o anúncio de apoio do prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), ao governador interino Sandoval Cardoso (SDD) à eleição indireta. O prefeito não tem nenhum voto no plenário da Assembleia Legislativa e pouca chance de influenciar algum voto para o deputado governador, já que tem declarado que é oposição ao governo, e como se sabe Sandoval é mais do que governo, é siqueirista.
Amastha siqueirou de vez e apenas confirma a tese antecipada pelo Jornal Opção, que ele prefere Eduardo Siqueira Campos no Palácio Araguaia a Marcelo Miranda, por imaginar que a continuidade do siqueirismo o beneficia em 2018, quando pretende disputar o Palácio Araguaia. Nem Eduardo nem Sandoval, se eleitos, não podem ser candidatos à reeleição em 2018. Já Marcelo Miranda, se eleito, dificilmente deixará de disputar a reeleição, até mesmo por uma convocação da sociedade, pois seguramente fará um governo bem melhor do que o que os tocantinenses têm visto nos últimos anos.
Eleição do novo governador, que poderia ser o momento adequado para debater os desafios do Estado, que não vai bem, pode terminar como uma manobra eleitoreira sem força para provocar mudanças no rumo da gestão
Deputada de oposição diz que renúncia do governador e do vice foi um plano arquitetado para tentar manter a família Siqueira Campos no poder e que passa pela eleição de Sandoval Cardoso pela via indireta
Deputado e governador interino pode ser eleito governador-tampão com larga vantagem. Tem mais a oferecer aos eleitores que os concorrentes e aprendeu que estando no poder tudo se torna mais fácil
Deputado de oposição prevê que a eleição indireta como vem sendo conduzida pode levar a desdobramentos imprevisível para o governo, como a cassação do mandato de quem for eleito
Ex-governador Marcelo Miranda garante que os pré-candidatos de oposição estão unidos em torno de um objetivo comum: vencer o siqueirismo. Há quem negue
Com dois terços da Assembleia Legislativa, o governo tem larga vantagem, mas não tem a vitória garantida na eleição indireta em que os 24 eleitores são também os potenciais candidatos
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Foto: Diretoria de Comunicação[/caption]
O deputado Eduardo do Dertins, do PPS (foto), tem grandes possibilidades de ser indicado candidato a vice-governador na chapa de Sandoval Cardoso. Não que seja um bom nome para somar votos, mas porque atende aos interesses do governo de comprometer mais um partido de oposição. A indicação de Dertins pode ainda anular a pré-candidatura do procurador da República Mário Lúcio Avelar, um velho adversário do siqueirismo que deve dispor de artilharia pesada para usar nesta disputa.
Quem torce pela eleição de Dertins é o suplente de deputado Elenil da Penha (PMDB), que em caso de vitória do adversário pode ganhar a oportunidade de exercer oito meses de mandato. Com a oportunidade Elenil ganharia ainda mais força para garantir presença na lista dos novos deputados que vão compor a próxima legislatura.
Do limão a limonada. O ex-governador Marcelo Miranda não podendo combater a propaganda governista que espalha a informação de que ele não será candidato porque está inelegível, resolveu usar a própria campanha como exemplo de que se é temido pelo governo é porque tem condições de disputar as eleições. “Se não posso ser candidato, porque a minha candidatura os preocupa tanto?”, questiona o peemedebista, afirmando que a campanha do governo está ajudando a esclarecer melhor este assunto da elegibilidade.
O ex-governador Marcelo Miranda garantiu em pronunciamento durante seminário realizado pelo PSD em Palmas no final de semana, e que contou com a presença do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que os candidatos de oposição estão unidos em torno de um projeto de mudança para o Tocantins. Marcelo inclui nesta lista o deputado Marcelo Lelis (PV), o empresário Roberto Pires (PP), o ex-prefeito Paulo Mourão (PT) e o senador Ataídes Oliveira (Pros), além dele próprio.
O deputado Freire Júnior observa que a insegurança jurídica que era privilégio da oposição agora atingiu também o governo. O deputado aponta que a candidatura do governador interino Sandoval Cardoso (SDD) à eleição indireta coloca o governo em situação desconfortável. “Se for candidato Sandoval corre o risco de ter sua eleição contestada, perder o mandato e ficar inelegível”, comenta o parlamentar, informando que a oposição está se preparando para questionar na justiça a candidatura governista.
A tese de que a senadora Kátia Abreu (PMDB), ao indicar o aliado João Oliveira para compor a chapa majoritária de Siqueira Campos em 2010, o fez pensando em “amarrar” o governo, é no mínimo estapafúrdia, para não dizer criativa demais. O que a senadora teria a ganhar com esta estratégia? Na semana passada Kátia revelou que acordo fez para apoiar o ex-governador. “Se o senhor fizer um bom governo eu é que vou apoiar a sua reeleição, e se o senhor não fizer um bom governo eu que não quero o seu apoio”, disse a senadora em resposta à oferta de apoio de Siqueira Campos a sua candidatura a governadora em 2014, que recusou prontamente. A senadora conta que recusou fazer compromisso de apoio com Siqueira porque queria apenas o melhor para o Tocantins. Como não viu resultado foi obrigada a romper.
Não pense que será fácil construir algum entendimento num cenário de incertezas, em que o governo já deu demonstração de que é capaz de tudo e a oposição de que não é capaz de resolver suas pendências internas. E não consegue por quê? Porque o governo tem sido eficiente em plantar obstáculos no caminho dos adversários. A desenvoltura do deputado Júnior Coimbra (PMDB) no combate ao prestígio político do ex-governador Marcelo.

