Por Jorge Wilson Simeira Jacob
O presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), entrevistado no auge da popularidade, saiu-se com o seguinte brocardo: “O Brasil vai bem, mas o povo vai mal”. Esta situação continua válida, mesmo depois de passados tantos decênios desde que foi enunciada.
Quem olha o país em perspectiva tem certeza do quanto avançamos em termos econômicos. Não há comparação do Brasil de hoje com o dos anos 1970. O progresso é inegável. Somos um outro país. A evolução tecnológica trouxe modernidade material.
Se houve tanto progresso por que então o povo vai mal? Em primeiro lugar progresso não é desenvolvimento. Desenvolvimento exige a melhoria da civilidade, dos serviços públicos, da ordem e da segurança jurídica. Enfim é de qualidade de vida que se trata. A deficiente qualidade dos nossos serviços públicos e a nossa precária civilidade são as causas nosso subdesenvolvimento.
Nos últimos 40 anos a economia cresceu o equivalente ao crescimento populacional — coisa de 2% ao ano cada um. Não houve ganho substantivo. O que significa estagnação. Cresceu o PIB nacional tanto quanto a população, não houve, portanto, ganho da renda per capita . O Brasil está entre os dez maiores PIBs do mundo, mas está no 76 lugar no ranking da renda per capita.
Na corrida pela melhoria da renda per capita estamos atrás até da sofrida Argentina. Perdemos feio para os países asiáticos, que estão eliminando a pobreza. Segundo o presidente do Banco de Desenvolvimento da Ásia, Takehiko Nakao, os quatro fatores que determinaram o sucesso asiático foram: 1 — a igualdade de oportunidades por princípio; 2 — a educação por base; 3 — o livre mercado por meio; e 4 — o progresso social por fim.
Por que o Brasil está estagnado?
Ninguém responde melhor a essa pergunta do que o professor Marcos Mendes em seus livros, artigos e entrevistas. É tal a competência dele que causa surpresa ter notícia de alguém ligado ao governo brasileiro com uma visão tão lúcida das razões do nosso atraso. Ainda mais quando a lucidez vem acompanhada de um profundo conhecimento de causa. De tanto ver a mediocridade grassar entre os dirigentes ( ou pretendentes a dirigir o país), ouvir uma palestra do ex-consultor do Senado é melodia aos nossos ouvidos.
A entrevista no YouTube — “Como ideias dos anos 40 empobrecem o Brasil “ — do professor Marcos Mendes é imperdível para quem não quer perder-se entre tantas ideias equivocadas que circulam no nosso meio intelectual e político. O entrevistado com a serenidade dos sábios, sem a mínima empáfia, discorre sobre os nossos desafios ao desenvolvimento: o governo hipertrofiado, a burocracia irracional, as distorções de toda ordem — que criam subsídios que exigem outros subsídios para corrigir as disfunções…que pedem outros subsídios sem fim.
País é viciado em subsídios
Autor de inúmeros artigos e alguns livros, professor do Insper e consultor licenciado do Senado, o economista Marcos Mendes é um estudioso. É daqueles que vai ao âmago das questões para tirar as melhores conclusões. Ler e ouvir o professor Marcos, principalmente sabendo que ele é ouvido por políticos, é motivo de esperança. Esperança de que em algum momento (talvez em uma crise ) as suas ideias serão praticadas para tirar o país do triste caminho que vem trilhando.
Entre as suas boas conclusões está a de considerar o país viciado em subsídios e de que a seguir na atual trajetória de acreditar que “ gasto é vida” , prevê Marcos, estarmos caminhando novamente para uma aceleração inflacionária.
Melhor do que palavras é assistir, no YouTube — Como ideias dos anos 40 ainda empobrecem o Brasil e outras entrevistas do professor Marcos Mendes. Certamente ouvir uma voz tão abalizada vai servir como vacina contra o discurso populista dos atuais governantes.
Quando a propriedade privada for sagrada e os bens tiverem donos inquestionáveis, não seremos como os países socialistas — uma espécie em extinção
Parte do petróleo já vem sendo pago com moeda russa e chinesa. O yuan chinês já é hoje a terceira força monetária
A aposta de que as exuberantes reservas cambiais do Tesouro são uma âncora a assegurar a confiança dos mercados é uma quimera
Um policial me parou, exercitando a sua autoridade. Então, mansamente, fiz o que ele mandou — mesmo na condição de idoso que oferece qualquer perigo
Humanidade superou a estagnação ao melhorar a produtividade, o que permitiu transferir trabalhadores da agricultura e do trabalho braçal repetitivo para outras
Que tal apostar num mundo menor? O decréscimo populacional pode exorcizar os demais fantasmas? “Smal is beautiful”
Ignorar o livro “Alerta Vermelho”, de Bill Browder, é desconhecer a história dos primeiros anos do capitalismo russo e a negativa cultura que ficou após o final do comunismo
De todas as passagens a que melhor serviço presta ao psicológico é o luto. Roupas pretas e cerimonias religiosas são instrumentos que ajudam a adaptação à nova realidade
Se houvesse uma limpeza das desnecessárias restrições existentes, a vida seria mais fácil e menos onerosa. Mas é da natureza humana impor pontos de vista autoritários
As religiões carregam no seu seio o gérmen da imperfeição. Não existe perfeição nas coisas criadas e administradas pelos homens. Somos seres limitados por natureza
O autor conta a história do protagonista, por meio de suas doenças, como um confronto permanente do homem com sua mortalidade — só terminando com o triunfo da morte
O que seria o fim do fim. Ou a Terra se adapta — com ou sem a espécie humana? Sria um mundo sem vida animal. Foi assim antes do surgimento da vida na Terra
Poucas coisas que plantar posso esperar colher. O tempo virou meu inimigo. O meu fôlego é curto, as pernas são fracas, a memória falha…. e poucos são os meus desejos
A inveja tornou-se a principal arma dos populistas para vencer as eleições. Nenhum tema é mais acariciado pelos socialistas como apontar para a desigualdade econômica

