Por Herbert Moraes
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Documentos encontrados na Faixa de Gaza e divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel nesta terça-feira (30) conectam diretamente o Hamas à flotilha que se aproxima da costa israelense. O governo de Israel afirma que a documentação comprova o envolvimento do grupo terrorista palestino na organização e no financiamento da Flotilha Global Sumud, composta por 50 embarcações e mais de 500 ativistas, incluindo algumas figuras conhecidas internacionalmente, como Greta Thunberg.
Nos últimos dias, durante a navegação, os líderes da flotilha receberam a proposta de entregar os mantimentos — que alegam estar levando ao porto de Gaza — em local neutro, como o Chipre, país-ilha próximo à costa israelense. No entanto, a liderança da flotilha rejeitou a oferta, que veio do Vaticano, e afirmou que pretende tentar furar o bloqueio naval da Marinha israelense, que impede a chegada de qualquer tipo de embarcação ao porto de Gaza.
Os documentos apresentados mostram que, enquanto o Hamas opera a partir da Faixa de Gaza, controlando as ações locais, o chamado “Hamas do exterior” conduz operações internacionais por meio da PCPA (Conferência Popular para Palestinos no Exterior), criada em 2018 para atuar como representante internacional do grupo. Uma espécie de “embaixada” do Hamas. A PCPA utiliza uma fachada civil para organizar manifestações violentas, marchas e flotilhas contra Israel em diversos países.
Um dos documentos é uma carta de 2021 assinada por Ismail Haniyeh, líder político do Hamas, morto por Israel no ano passado em Teerã, capital iraniana. Na carta, ele manifesta apoio integral à PCPA e pede união ao presidente da entidade. Após identificar essa relação direta com o Hamas, Israel classificou oficialmente a PCPA como parte da organização terrorista.

Outro documento apresenta uma lista de membros da PCPA que ocupam cargos de destaque no grupo terrorista palestino. Entre eles estão Zaher Birawi, líder do Hamas e da Irmandade Muçulmana no Reino Unido e principal articulador das flotilhas que tentam furar o bloqueio israelense nos últimos quinze anos, e Saif Abu Kashk, residente em Barcelona, na Espanha, responsável por organizar a flotilha de Greta Thunberg. Os barcos zarparam do porto da cidaade catalã.

A flotilha, chamada em Israel de “flotilha jihadista do Hamas” ou “Flotilha para Gaza”, é considerada uma iniciativa jihadista a serviço da agenda do grupo terrorista. Embora afirme ser independente, está profundamente vinculada ao grupo. Quando aportou em Tunis, na Tunísia, o chefe do Hamas, no norte da África, Youssef Hamdan reuniu-se com Marouan Ben Guettaia e Wael Nawar, porta-vozes da flotilha.

Israel em estado de alerta máximo
Escoltada por navios europeus e drones da Turquia, a “Flotilha para Gaza” ao que tudo indica, vai tentar furar o bloqueio naval imposto por Israel desde o início do conflito, em 8 de outubro de 2023. A intenção da Sumud — palavra árabe que significa “mantenha-se firme” — é se aproximar da região em conflito nas próximas horas, coincidindo com Yom Kippur, o dia mais importante do calendário judaico.
As autoridades israelenses montaram uma operação de guerra para receber as embarcações e, estão em alerta máximo. A Marinha e outras unidades já foram mobilizadas e estão preparadas para uma possível ação de interdição marítima. Um gabinete de crise foi formado, envolvendo forças de segurança, como o Shin Bet (serviço secreto do exército), polícia e o Ministério das Relações Exteriores, para coordenar todas as ações.

Nos últimos dias, Israel alertou a flotilha que não permitirá sua chegada ao porto de Gaza. Hospitais de cidades ao longo da costa israelense foram orientados para a possibilidade de ter que receber ativistas feridos. Apesar da expectativa de uma chegada conturbada, as autoridades israelenses esperam evitar escaladas de violência ou incidentes internacionais, já que a flotilha está acompanhada de návios de guerra da Itália e Espanha, além de drones turcos. Ainda assim, os militares afirmam estar preparados para qualquer tipo de cenário, até porque, esta é a primeira vez que uma flotilha dessa magnitude vai tentar furar o bloqueio naval imposto por Israel na Faixa de Gaza
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