Por Euler de França Belém

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Alunos das faculdades de Direito da UFG e da PUC brigam por uma cadeira. A guerra está declarada

Uma cadeira está provocando discórdia entre alunos das faculdades de Direito da Universidade Federal de Goiás e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Segundo estudantes de Direito da PUC, um grupo de estudantes de Direito da UFG “expropriou” — o termo utilizado por eles é um pouco mais pesado e, portanto, impublicável — uma cadeira que estava no Centro Acadêmico de Direito da PUC. A cadeira, supostamente do tempo do Império, teria sido disputada, na década de 1950 — segundo estudantes da PUC —, entre estudantes da UFG e da Universidade Católica de Goiás (não era PUC, na época), num júri simulado. O júri teria sido vencido pelos estudantes de Direito da UCG e, por isso, eles ficaram com a cadeira. Agora, avaliando que a Faculdade de Direito da UFG — ou o Centro Acadêmico — é a proprietária da cadeira, um grupo de estudantes decidiu levá-la, gerando uma crise entre estudantes, professores e, possivelmente, até entre reitores das duas universidades. Segundo estudantes da PUC, o caso deve ser levado, se a cadeira não for devolvida, à polícia e à Justiça. Estudantes da UFG avaliam que apenas “pegaram” aquilo que era da Faculdade de Direito da UFG. Estudantes da PUC frisam que a cadeira chegou a ser reformada pelo CA da Faculdade de Direito da PUC. A cadeira está provocando festa na Faculdade de Direito da UFG. Alunos e professores postaram fotografias nas redes sociais ao lado e até sentados na cadeira.        

Hugo Goldfeld pode ser o nome de Ronaldo Caiado na chapa de Iris Rezende na eleição de 2016

O senador Ronaldo Caiado (DEM) pode indicar o presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) e empresário do ramo de concessionários (sócio da Govesa), Hugo Goldfeld, para vice de Iris Rezende (PMDB) na disputa pela Prefeitura de Goiânia, em 2016. Porém, quando instado a falar sobre o assunto por aliados e amigos, Hugo Goldfeld não confirma e frisa que já deu sua contribuição à coletividade. Ele estaria sugerindo a indicação de Romildo Costa, o Machadinho, como o nome adequado para representar o grupo que apoia o senador Ronaldo Caiado.

Conta do apresentador Ratinho na Suíça tem ou tinha 12,5 milhões de dólares. Ele garante: tudo legal

O UOL, por intermédio do repórter Fernando Rodrigues e Bruno Lupion, e “O Globo”, por meio dos repórteres Chico Otávio, Cristina Tardáguila e Ruben Berta, estão fazendo jornalismo de primeira linha com as informações dos vazamentos do chamado SwissLeaks. As informações do HSBC, indicando brasileiros que têm contas na Suíça neste banco, e financiaram campanhas eleitorais no Brasil não foram publicadas de maneira aleatória. Pelo contrário, o UOL e o “O Globo” ouviram as pessoas mencionadas e abriram espaço para suas manifestações. Algumas, como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o empresário Fábio Roberto Chimenti Auriemo, forneceram informações que, de fato, sugerem que que não há irregularidades com suas contas. “Ter uma conta na Suíça ou em qualquer outro país não é ilegal, desde que seja uma operação declarada à Receita Federal e informada ao Banco Central”, sublinhou “O Globo”. Ratinho (Carlos Roberto Massa), da Rede Massa de Rádio e TV, está na lista dos que têm conta no HSBC de Genebra, na Suíça. Fernando Rodrigues e “O Globo” relatam que o apresentador de televisão tem conta na Suíça e é um dos grandes doadores eleitorais — como pessoa física — da campanha de 2014. Ele repassou R$ 254.140 para seu filho Ratinho Júnior, eleito deputado estadual no Paraná pelo PSC. A conta de Ratinho na Suíça tem ou tinha um saldo de 12,5 milhões de dólares. A família de Ratinho garante que “todos os bens e valores de Carlos Roberto Massa e Solange Martinez Massa foram devidamente declarados aos órgãos competentes”. Curiosamente, até onde pude acompanhar, o UOL e “O Globo” não deram grande peso a uma informação, que li no Portal Imprensa: “Nos documentos, constam os nomes de proprietários do Grupo Globo, Grupo Folha, Rede Bandeirantes, Grupo Manchete, Grupo João Santos, Rede Transamérica, Grupo Edson Queiroz, Gazeta Mercantil, Rede CBS, rádios Curitiba e Ouro Verde FM”. O portal deve ter retirado a informação do UOL e de “O Globo” — os únicos que estão dando destaque, numa espécie de pool, às informações do SwissLeaks.

A melhor “reportagem” sobre a queda anunciada do ministro Cid Gomes está num conto de João do Rio

Num texto do início da década de 1920, João do Rio “explica” porque a presidente Dilma Rousseff demitiu o ministro da Educação, Cid Ramos, a pedido de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados

Senador goiano critica, para ministro do Planejamento, a paralisação da duplicação da BR-153

Exibindo cae.jpg O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, esteve na terça-feira, 17,  na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, para apresentar aos senadores a necessidade do ajuste fiscal e assim convencê-los a votarem  favoravelmente. Barbosa disse que os ajustes visam reequilibrar as contas públicas. O senador Wilder Morais (DEM-GO) elogiou a boa intenção da presidente, mas apontou ao ministro que "o governo está apenas focado no aumento da arrecadação e querendo viabilizá-lo com mais sacrifícios da sociedade, já tão sacrificada com os tropeços constantes da gestão da presidente". O senador acrescentou: "Em vez de enfiar a mão no bolso do povo, o governo deveria cortar na própria carne — reduzindo seus gastos, enxugando a máquina pública". O democrata disse ao ministro sobre algumas obras federais paralisadas no País, citando, por exemplo, a duplicação da BR-153, no trecho entre Anápolis (GO) e Aliança do Tocantins (TO), a qual, segundo Wilder, "para Goiás, é o principal corredor de escoamento de produção”.

Sai finalmente a biografia do jornalista Carlos Castello Branco. O autor é Carlos Marchi

TODO AQUELE IMENSO MAR DE LIBERDADE A imprensa anunciou e a procura começou, mas só agora a Record coloca nas livrarias “Todo Aquele Imenso Mar de Liberdade — A Dura Vida do Jornalista Carlos Castello Branco” (560 páginas, 60 reais), do jornalista e escritor Carlos Marchi. O livro já pode ser encomendado no site da Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br). Poucos jornalistas compreenderam tão bem o jogo real do poder quanto Carlos Castello Branco. Sua coluna, no “Jornal do Brasil”, era sempre um alento e uma explicação precisa do que ocorria nos bastidores da política. Não era sensacionalista, escrevia de maneira simples e era sempre bem informado.

Biografia de George F. Kennan, que ganhou o Pulitzer em 2012, é lançada pela Editora Globo Livros

A VIDA DE GEORGE F. KENNAN Os críticos literários Marcelo Franco e Iúri Rincón Godinho costumam sugerir que o britânico Winston Churchill e o americano Franklin D. Roosevelt são os principais estadistas do século 20 (liberais, não dão a mínima para Lênin, Stálin e Mao Tsé-tung). No campo da política não há pares para a dupla. Porém, no campo intelectual e da diplomacia — não citando escritores como Marcel Proust, James Joyce, Robert Musil e Thomas Mann (que, claro, não eram diplomatas) —, há poucos pares para o americano George F. Kennan. George Kennan viveu 101 anos — morreu em 2005 — e teve uma vida extremamente produtiva para si e para a humanidade. Ele foi historiador, diplomata, militante antiguerra (criticou acerbamente as guerras do Vietnã e do Iraque; tinha razão nos dois casos), diplomata dos mais hábeis, memorialista (suas memórias saíram no Brasil e são um monumento à inteligência e à civilidade) e estrategista do primeiro time. George Kennan é conhecido como o mais importante teórico da Guerra Fria. Era um dos ídolos do jornalista Paulo Francis. Uma espécie de Adams do século 20, mas sem Adams no sobrenome. Aos 22 anos, George Kennan era vice-cônsul dos Estados Unidos na Suíça (país neutro, em caso de guerra, mas sempre envolvido nas maracutaias financeiras de quase todo o mundo). A história do século 20 deve muito às suas ideias e, mais do que isso, o grande intelectual, de formação enciclopédica, o explicou como poucos. A Globo Livros está enviando para as livrarias um monumento à pesquisa histórica: “A Vida de George F. Kennan”, do pesquisador John Lewis Gaddis (um fino analista da Guerra Fria). Verdadeira bíblia sobre a vida de George Kennan, a biografia ganhou o Prêmio Pulitzer em 2012. Único inconveniente: o preço — R$ 74,90. Vale tanto? Vale, pois George Kennan é um dos grandes intelectuais e, sim, estadistas do século 20 (chegou a discutir o século 21, mas teve pouco tempo para explicá-lo).

Fabio Sousa diz que não disputa presidência do PSDB e garante que apoia Rafael Lousa

Ao contrário do que se comentou no Twitter na quarta-feira, 18, o deputado federal Fábio Sousa informa que não tem “o menor interesse em disputar a presidência do PSDB metropolitano”. Fábio Sousa frisa que já declarou “apoio a Rafael Lousa, que é seu “amigo pessoal”. O tucano aposta que Rafael Lousa “fará uma gestão que buscará fortalecer o partido no município, e saberá conduzir o partido no processo eleitoral de 2016 sem privilegiar ninguém, permitindo a todos os filiados os seus direitos garantidos”.

Deputado Manoel de Oliveira garante que não é o autor da denúncia contra o padre Luiz Augusto

[caption id="attachment_30998" align="aligncenter" width="620"]Deputado estadual Mané de Oliveira / Foto: Carlos Costa Deputado estadual Mané de Oliveira / Foto: Carlos Costa[/caption] O deputado estadual Manoel de Oliveira, do PSDB, disse ao Jornal Opção na quarta-feira, 18, que não é o responsável pela denúncia de que o padre Luiz Augusto Ferreira é funcionário “fantasma” da Assembleia Legislativa de Goiás. “Não sou de fazer denúncias deste tipo e acrescento que minha filha é ‘carola’ da igreja deste religioso. Ela inclusive me ligou e perguntou: ‘Por que o sr. está denunciando o padre Luiz Augusto?’” Manoel de Oliveira frisa que seu “conflito” com o empresário Maurício Sampaio — acusado de ter mandado matar seu filho, o radialista Valério Luiz de Oliveira — não o levaria a fazer a denúncia. “Não tenho nada contra o padre”, afirma.

TV Globo colocou Patrícia Poeta no freezer ou na geladeira? O que se sabe é que desapareceu

A TV Globo não fala mais de Patrícia Poeta, a ex-apresentadora do “Jornal Nacional”. Por que, exatamente, não se sabe. As publicações do grupo também não mencionam mais o programa que seria apresentado pela jornalista a partir do segundo semestre deste ano. Patrícia Poeta, por ter se recusado a continuar apresentando o “JN”, está na freezer. Talvez não. É provável que esteja sendo empurrada para a geladeira. A Globo estaria desperdiçando o talento de Patrícia Poeta por birra de que algum chefe? É possível. Outro problema: como mexer numa grade de programação tão rígida quanto a da Globo para inserir um programa novo, uma aposta no escuro? Na fotografia, Patrícia Poeta aparece com o marido, Amauri Soares, diretor da Globo.

Band demite Paloma Poeta, irmã de Patrícia Poeta, e mais 24 funcionários

patricia-poeta A Band do Rio Grande do Sul demitiu, segundo o Portal Comunique-se, 25 funcionários. O nome mais conhecido é de Paloma Poeta [foto acima; do arquivo pessoal], de 22, irmã da ex-apresentadora do Jornal Nacional Patrícia Poeta. Haroldo dos Santos, coordenador de Esportes, e Christiane Matos também foram demitidos. O portal não apresentou a lista completa dos que foram afastados. Nos bastidores, comenta-se que o faturamento da Band no Rio Grande do Sul caiu e, por isso, a cúpula decidiu enxugar a redação — quase à beira de extingui-la.

Vecci anuncia que desistiu de disputar a Prefeitura de Goiânia em 2016

Data da publicação: 17 de março de 2015 O deputado federal Giuseppe Vecci, do PSDB, anuncia que desistiu de disputar a Prefeitura de Goiânia, em 2016, sinalizando que planeja disputar o governo de Goiás, em 2018. O economista tucano frisa que, no momento, está mais interessado em trabalhar pelo país e por seu Estado na Câmara dos Deputados. “Eu acabei de ser eleito deputado. Quero trabalhar para isso. Quero continuar aprendendo no Congresso Nacional e, não só aprendendo, mas dando vazão a tudo aquilo que falei para os eleitores que votaram em mim. Meu trabalho é em Brasília.” É sua prioridade. Insista-se: no momento. Em entrevista à Rádio Clube FM, com sua sutileza habitual, criticou o lançamento de nomes para a disputa eleitoral — a fulanização —, sem que antes se discutisse propostas para modernizar a gestão da capital goiana. “É preciso ter boas propostas. Tem que ganhar o povo não é só com a questão personalista de A, B ou C, mas com propostas concretas para o desenvolvimento de Goiânia.” Mas o tucano não se furtou a citar nomes que avalia como qualitativos: o presidente da Agetop, Jayme Rincón, os deputados federais Fábio Sousa, Waldir Soares e a secretária da Educação do governo de Goiás, Raquel Teixeira. Ele excluiu o nome do deputado João Campos, igualmente tucano. Vecci sugere que o PSDB deve candidato próprio em Goiânia e frisa que a gestão de Paulo Garcia é de baixa qualidade. Há quem interprete o recuo como “estratégico”. Vecci não tem estrutura para bancar uma candidatura a prefeito e, por isso, precisa ser bancado.

Prefeito Paulo Garcia consegue censurar programa do PHS no qual é criticado

Luas vermelhas do PT e aliados de ocasião passam parte de seu tempo criticando o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), assegurando que é autoritário e que, quando criticado, processa seus supostos detratores. Porém, quando decide censurar alguém, mesmo que esteja fazendo críticas leves e pontuais, o petismo não hesita um minuto. Recentemente, a coluna Bastidores, do Jornal Opção, publicou uma nota informando que o programa do PSH de Goiás criticaria a gestão do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT. O vídeo do PHS não faz uma crítica pessoal, ao homem Paulo Garcia, e sim ao prefeito, à gestão pública. Noutras palavras, a gravação é, de certo modo, de utilidade pública, uma maneira de apontar problemas na capital — que são graves (as pesquisas de opinião pública mostram o descontentamento com a gestão do petista-chefe). Na segunda-feira, 16, o presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, recebeu uma determinação judicial da Justiça de Goiás proibindo-o de divulgar o vídeo no qual critica a gestão de Paulo Garcia. A censura foi pedida pelo prefeito Paulo Garcia, baseado na nota divulgada pelo Jornal Opção. Pegou mal. O TJ de Goiás acatou a tese de que os programas eleitorais têm o objetivo de divulgar as ideias dos partidos (se examinar outros programas, a Justiça terá de censurar a maioria, inclusive os do PT). O prefeito petista também pediu à Justiça que proibisse a circulação na internet, mas o Tribunal de Justiça não concordou. Era censura demais. Será que Paulo Garcia vai conseguir a opinião de todos os goianienses? Eduardo Machado afirma que não vai reduzir as críticas à gestão de Paulo Garcia — não à sua pessoa — porque tão-somente reflete o clamor popular. Ele publicou no Facebook: “Se você concorda comigo e acha que Goiânia vive a pior gestão de sua história, compartilhe este vídeo. Se vc acha que a cidade está muito bem administrada, respeito sua opinião”. Seu comentário-convite é mais democrático que a ação do prefeito Paulo Garcia. Confira o vídeo do PHS: https://www.youtube.com/watch?v=bsd63M7MRXY&feature=youtu.be   https://www.facebook.com/video.php?v=10206234461763447&set=vb.1322213454&type=2&theater&notif_t=comment_mention

Governo de Goiás tem um déficit mensal de R$ 140 milhões. Novos ajustes à vista

Um secretário do governador de Goiás, Marconi Perillo, disse para um deputado governista: “O governo tem um déficit financeiro mensal de R$ 140 milhões”. Segundo o secretário, apesar dos cortes no custeio da máquina, redução de nomeações de funcionários comissionados e paralisação de algumas obras, o governo não está conseguindo ajustar a máquina. A saída é um ajuste ainda mais rigoroso.

Lúcio Flávio Pinto, um dos mais importantes jornalistas do Brasil, faz radiografia da imprensa do Pará  

IMPRENSA PARAENSE A história em cima da hora Lúcio Flávio Pinto [Introdução de “Uma arma letal — A imprensa do Pará”, de Lúcio Flávio Pinto, 130 páginas, Editora Smith Produções Gráficas] Dez anos atrás, no dia 21 de janeiro de 2005, fui agredido pelo advogado e jornalista Ronaldo Batista Maiorana, um dos donos do grupo Liberal, formado pelo maior complexo de comunicação do norte do Brasil, cujo poder resulta em grande parte de ser afiliado à Rede Globo de Televisão. Segundo Maiorana, a agressão foi motivada por um artigo que escrevi sobre o irmão dele, Romulo Maiorana Júnior, o principal executivo da corporação. O texto não fazia qualquer menção a Ronaldo. Prestei queixa na polícia, que encaminhou o processo ao Ministério Público, que fez a denúncia, que resultou em processo em uma das varas do juizado especial e culminou no pagamento, pelo agressor, de multa equivalente a 50 salários mínimos. Não em dinheiro, mas no fornecimento de cestas básicas a instituições de caridade, uma das quais muito ligada à família. Um dos dois PMs que deram cobertura a Ronaldo, o que participou diretamente da agressão, foi punido com multa de um salário mínimo. Além de me negar a fazer qualquer acordo com meus agressores, nada mais pude fazer senão acompanhar, impotente, as tratativas do representante do MP atrás de um valor para a reparação do crime, já que o réu nada mais pode fazer no processo. Silêncio que lhe é imposto a pretexto de dar celeridade à instrução nas varas do juizado especial. No momento em que fui agredido, dentro de um restaurante, localizado num parque público de Belém, onde também tem sua sede a Secretaria de Cultura do Estado, eu respondia a 16 processos na justiça, cinco dos quais – sendo quatro penais (por calúnia, injúria e difamação, com base na espúria e já extinta lei de imprensa, de 1967) e um cível (para me impedir de voltar a tocar no nome da autora das ações) – ajuizados por Rosângela Maiorana Kzan, diretora administrativa do jornal O Liberal e irmã de Ronaldo. Menos de três meses depois da agressão, para evitar a decadência do direito no foro criminal, os irmãos Romulo e Ronaldo, mais sua empresa, Delta Publicidade, propuseram 14 ações contra mim. Duas delas porque disse que fui espancado quando, na verdade, fui “apenas” agredido. Cometera assim crime de injúria, difamação e calúnia, além de ser passível de indenizar o ofendido, que viu seu punho ser bloqueado na sua livre trajetória pelo meu rosto. O melhor teste Passados 10 anos, quando quatro dessas ações ainda sobrevivem no foro de Belém, continuando a atormentar a minha vida, decidi lançar este livro não para recontar a história da agressão, já suficientemente relatada em dois outros livros. Tento aqui demonstrar ao leitor o que está por trás das circunstâncias desses processos movidos por esses quatro autores, os três irmãos (Romulo, Rosângela e Ronaldo Maiorana) e sua empresa jornalística, 19 do total de 33 que me assolaram e ainda me oneram a partir dos cinco primeiros, os de Rosângela, de 1992:

  1. Apesar de terem ao seu dispor o maior complexo de comunicações da Amazônia, os três nunca o usaram para se contrapor ao que publiquei em meu pequeníssimo jornal, um quinzenário de 16 páginas em formato A4, com tiragem de dois mil exemplares.
  2. Os porta-vozes dos Maioranas alegam que essa atitude se explica facilmente: silenciam em seus veículos para não dar repercussão ao que sai no meu jornaleco, deixando que ele se esgote em si mesmo.
  3. No entanto, podiam aproveitar que publico na íntegra as cartas que são enviadas ao meu Jornal Pessoal e exercer nele o direito de resposta, contraditando o que digo. Ainda mais porque nunca tratei da vida privada dos irmãos. Sempre o que visei foi sua atuação pública, em função exatamente da influência que exercem sobre a sociedade com os seus poderosos veículos.
  4. Em função desse poder, as ações judiciais que interpuseram se tornaram a principal fonte de atenção, energia e tensão na minha vida a partir de 1992. Os Maioranas não se limitaram a dar andamento processual, como um cidadão comum faria: pressionaram nos bastidores, ou mesmo publicamente, aí, sim, usando seu império de comunicação, para conseguir o que queriam, mesmo que o que estavam querendo representasse a violação aos princípios legais, ao direito e à justiça. O objetivo se tornou evidente: usar a justiça para me impedir de continuar a fazer o meu jornal, ou fazê-lo sob tal sacrifício que a tarefa acabaria sendo demasiada. Eu sucumbiria.
Mas não sucumbi. Este livro é uma seleção de artigos que escrevi a partir do ano seguinte à agressão, até 2011 (evitei chegar mais perto de agora). Pouco têm a ver com ela. Minha intenção, ao reuni-los, é mostrar por que meus artigos incomodam tanto os donos da imprensa no Pará, sobretudo aos Maioranas, aqueles que têm o poderoso respaldo da Rede Globo. O incômodo está em que revelo os bastidores do processo jornalístico, a motivação para o que chega à letra de forma, ao som e à imagem dos veículos desse império. É a história real, que não será contada se não a registrar para os contemporâneos e preservar para as gerações que nos seguirem. A história da imprensa é também a história do poder, da atuação das elites, do mal que elas têm feito à região e ao país – sem atenuações, mas também destituída da paixão cega. Tudo fundamentado em fatos, em informações concretas, não desmentidas até hoje – daí o recurso ao confinamento da verdade nos autos dos processos judiciais, para que não chega à praça pública, tornando-se acessível a todas as pessoas que querem ver, não apenas seguir condutores mal-intencionados. Preferi manter a sequência cronológica dos artigos. Sei que o jornalismo é considerado sempre efêmero, circunstancial e limitado. Por isso mesmo, a melhor forma de testá-lo é vê-lo em perspectiva e retrospectiva. Se ele foi capaz de ver a história no cotidiano, na sucessão aparentemente informe dos fatos do dia a dia, então merece a forma mais perene do livro. Se não, que o livro seja entregue à sua própria sorte: o esquecimento. Quero, mais uma vez, me submeter ao teste dos meus caros leitores. Apostando na força e originalidade do jornalismo diante de todas as outras formas de saber e conhecimento humano. Aventura amazônica Resgatei meus textos do site do Observatório da Imprensa, que os tem reproduzido. Mantive a edição que lhes deu um dos editores do Observatório, Luiz Egypto, a quem agradeço pela atenção e o capricho. Torço honestamente para que o leitor veja nestes textos, produzidos no calor da hora, um pouco da sua própria história, a saga do seu tempo e mais além: a incrível (a)ventura de ser contemporânea desta (ainda) nossa Amazônia. [Em Belém do Grão-Pará, 21 de janeiro de 2015] Lúcio Flávio Pinto é jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA).