Por Euler de França Belém
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Iris Rezende e Edward Madureira: dobradinha fica? | Fotos: reprodução / Facebook[/caption]
Iris Rezende tentou assumir o comando do PMDB por intermédio do preposto Nailton Oliveira.
Achou que todos se submeteriam ao seu jogo, mas não contou com a pertinácia do deputado federal Daniel Vilela, que o enfrentou, conseguiu derrotá-lo e deverá ser o presidente da comissão provisória (ele ou o deputado Pedro Chaves).
Mas o confronto interno do PMDB, ao enfraquecer Iris, gerou uma contradição: o irismo, que estava reticente em relação a uma aliança com o PT, agora começa a aceitá-la. O peemedebismo avalia que o ex-reitor da UFG Edward Madureira, dado ao fato de não ter desgaste, seria o vice ideal para a disputa da Prefeitura de Goiânia.
O deputado Waldir Soares é um mesmo fenômeno político e eleitoral. Em Goiânia, as pesquisas de intenção de voto mostram-no em segundo lugar, colado em Iris Rezende. Mas o delegado tem condições de ultrapassar o postulante do PMDB? No momento, está a cerca de 10 pontos atrás do peemedebista-chefe. Waldir cresceu muito, mas estabilizou-se. O que precisa fazer para crescer e se tornar uma ameaça efetiva a Iris? A popularidade de Waldir, na disputa contra um peso pesado como Iris, tem um limite. Chega o momento em que os dois ficam “tirando” eleitores um do outro, com certa vantagem para Iris, que tem menos rejeição nas classes médias. Teme-se nas classes médias que, embora bem-intencionado, Waldir não tenha condições técnicas de gerir uma cidade complexa como Goiânia. Acredita-se que falta-lhe conteúdo político e administrativo. Então, para sair do lugar e se aproximar, perigosamente, de Iris, e logo no início de 2016 — para criar a expectativa de “virada” —, Waldir precisa de pelo menos uma providência. “Encorpar” a estrutura de sua pré-campanha. Para tanto, precisará ampliar seus apoios políticos, agregar valores para ampliar seu próprio valor. O problema é que, no lugar de agregar, Waldir funciona como um elemento desagregador. Aos poucos, orientado pelo craquíssimo Marcus Vinicius — um dos marqueteiros patropis que mais entendem de política, e não só de marketing —, Waldir vai entender que todo apocalíptico um dia precisa aparentar, ao menos aparentar, ser um pouco integrado.
Uma campanha eleitoral de 45 dias, com 35 dias de exposição na televisão e no rádio, é tida como curta pelos políticos. Mas é um grande problema? Não é, admitem. Qual é o jogo? Os políticos sublinham que a campanha curta esconde uma questão favorável. A pré-campanha será a mais longa da história. A pré-campanha é uma campanha estendida. Se na campanha há regras rígidas, com punições exemplares para quem não cumpri-las, na pré-campanha afigura-se uma verdadeira selva, com liberação quase total. Os pré-candidatos só não podem se apresentar como candidatos e, portanto, não podem pedir votos. Mas podem fazer discursos, arregimentar apoios e até organizar festas.
O compositor de “Pra não dizer que não falei das flores” e “Disparada” escreve poemas e faz música, mas não quer mais gravar
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Eleição de Collor levou cúpula do SNI a recolher documentos[/caption]
Eleito presidente da República, em 1989, Fernando Collor garantiu que iria extinguir o Serviço Nacional de Informações. O ministro-chefe do SNI, Ivan de Souza Mendes, começou a “recolher” os arquivos da repressão. “Trinta e quatro dias antes da posse de Collor, o general enviou uma carta confidencial ao então ministro da Agricultura, Iris Rezende, em que pedia de volta todos os documentos do SNI arquivados na Divisão de Segurança e Informações (DSI) do ministério. “Encareço a V. Exa. determinar ao titular da Divisão de Segurança e Informações desse Ministério o recolhimento à Agência Central do SNI, até o próximo dia 28 de fevereiro [de 1990], do material (equipamentos, impressos, manuais, documentos normativos etc.) que lhe tenha sido distribuído pelo Serviço.” A história está relatada na página 54 do (imperdível) livro “Lugar Nenhum — Militares e Civis na Ocultação dos Documentos da Ditadura” (Companhia das Letras, 237 páginas), do jornalista Lucas Figueiredo.
Na verdade, não há nada que desabone Iris Rezende, pois o general estava pedindo de volta documentos que o próprio SNI havia repassado para o Ministério da Agricultura (não era material produzido a pedido do político goiano). José Sarney, como presidente, manteve a estrutura do Serviço incólume. Por isso, e por outras coisas, há quem, até mesmos historiadores, avalie seu governo como o “último” dos governos militares.
“A mira de Ivan era certeira. As Divisões de Segurança e Informações funcionavam como braços do SNI dentro do ministérios civis, investigando e monitorando assuntos e alvos de interesse das Forças Armadas. Em um cenário de volta da democracia, os acervos da DSI poderiam ser usados contra os militares. Na carta enviada ao titular da pasta da Agricultura, que por sorte sobreviveria à operação limpeza, Ivan de Souza Mendes utilizara um argumento genérico para pedir de volta o material do serviço secreto: ‘evolução da finalidade’ do SNI. É plausível crer, portanto, que o arrastão de documento promovido pelo general não tenha se restringido ao Ministério da Agricultura e sua Divisão de Segurança e Informações, mas se estendido a todos os ministérios civis e suas respectivas DSI”, conta Lucas Figueiredo.
O pesquisador sublinha que “o prazo estabelecido por Ivan para a devolução do material era igualmente emblemático. Caso os documentos chegassem ao SNI na data limite fixada pelo general , o órgão teria ainda duas semanas para destruir ou esconder os arquivos antes da posse do novo presidente”.
O curioso, registra Lucas Figueiredo, é que “a operação limpeza nos acervos da ditadura não parou depois da posse de Collor, ocorrida em 15 de março de 1990”.
Arthur Rezende comemorou 40 em “O Popular”. O jornal publicou cinco páginas e meia — contando os anúncios de felicitações — para celebrá-lo. Trata-se uma homenagem justa. Os textos são, em geral, de qualidade. Mas há problemas. O jornal diz que o nome anterior do “Magazine” era “Caderno 2”, num texto, e “Segundo Caderno”, em outro texto. O “Estadão” exigiu que se trocasse o nome, pois o título “Caderno 2” é seu. “Artistas goianos ganhavam espaço de prestígio na coluna”, afirma o “Pop”. Ora, como a coluna não acabou, por que o verbo no passado? Cita-se um artista plástico de nome “Antônio”, mas sem sobrenome. Tudo indica que se trata de Poteiro. Não se admite a mudança do nome de Jorge Benjor. Voltou a ser Jorge Ben. “A coluna saia.” A coluna não veste saia; na verdade, é saía. Omite-se que Rogério Rezende é filho de Arthur e Ivone Silva. De maneira preconceituosa, o repórter fala em “produção independente” do colunista (o que isto quer dizer: Arthur teria “engravidado”?).
Numa legenda, o jornal menciona cinco pessoas: Iberê Monteiro, Luiz Gonzaga Mascarenhas, João Rocha, “Wiliam” (seria William?) Guimarães e Wilmar (seria Willmar?) Guimarães. Mas a fotografia só apresenta quatro pessoas.
“Deputado Pedro Canedo e sua esposa Eliane Caiado, circulavam em eventos pela capital”, diz o autor da legenda, esquecendo que não se separa o sujeito do verbo (Pedro Canedo e Eliane Caiado circulavam).
Sugerindo que o jornal parou no tempo, as mulheres mencionadas não têm sobrenome. Só existem como “derivadas” de seus maridos.
Mas o que importa mesmo é que Arthur Rezende merece a homenagem e o jornal acertou ao fazê-la.
Biografia sugere que o compositor e cantor tinha interesses variados e, apesar de certo engajamento, conseguiu ir além da música meramente política e datada
O jornal “O Globo” passou alguns dias sem circular nas bancas de Goiânia. Segundo donos de bancas, o distribuidor não teria repassado o dinheiro das vendas para a empresa do Rio de Janeiro. A distribuição já está regularizada. Se a versão impressa chega às bancas da capital goiana, o maior jornal do Rio, alegando problemas de logística (custos), desistiu de fazer assinaturas para enviar o jornal para Goiás. “O Globo” está optando por comercializar sua edição digital. Isto significa que a versão impressa de “O Globo” vai deixar de circular? Não, porque a maioria dos anúncios ainda é dirigida à versão impressa. Nenhum jornal brasileiro conseguiu até agora potencializar comercialmente seus sites e portais. O volume de anúncios na versão digital está crescendo, mas ainda não supera o da versão imprensa. Mas certamente vai superar. Os jornais impressos não devem ser extintos, mas serão menores e, sobretudo, menos factuais e mais analíticos.
O deputado federal Marcos Abrão, que está sendo bem-sucedido em Brasília, deve apoiar o pré-candidato do PSB a prefeito de Goiânia, Vanderlan Cardoso. Presidente do PPS, Marcos Abrão talvez tenha mais o perfil do candidato que o goianiense quer. É jovem, arrojado, moderno, tem vontade de “crescer” na política. Se candidato, sairia bem atrás, mas, se expuser um discurso avançado para a capital — na área de habitação popular, por exemplo —, talvez crescesse rapidamente. Vanderlan Cardoso, embora tenha sido candidato a governador duas vezes, patina em terceiro lugar, atrás de Iris Rezende e do deputado Waldir Soares, e sem perspectiva de crescimento. Porque não está nem estagnado — está caindo. O motivo: está sendo solapado por Waldir Soares, que, aos poucos, está sendo visto como “a” a alternativa eleitoral possível a Iris Rezende.
As prévias do PSDB para definir o candidato a prefeito de Goiânia serão realizadas em março ou abril, afirma o presidente do partido, Afrêni Gonçalves. “Elas terão algumas variáveis. Os pré-candidatos precisam ter um projeto para a sociedade e pesquisas serão consultadas. Outras variáveis ainda vão ser definidas.”
O comentário na base do governador de Goiás, Marconi Perillo, em Anápolis é um só: o deputado federal Alexandre Baldy, do PSDB, precisa assumir que é, de fato, pré-candidato a prefeito. Políticos locais, inclusive tucanos, dizem que não são procurados por Alexandre Baldy. Pelo contrário, são olimpicamente ignorados.
O pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PSB, Vanderlan Cardoso, tem comentado que precisa de uma vice que robusteça sua campanha ou pelo menos tenha tempo de televisão.
O nome de Simeyzon Silveira tem a simpatia, mas o tempo de televisão de seu partido é quase nada. O PPS tem mais tempo de tevê, mas não tem um nome de destaque na capital, excerto o deputado federal Marcos Abrão, que não quer ser vice.
O que fará Vanderlan? Por certo, vai aguardar a definição da chapa tucana. Digamos que o vice de Jayme Rincón, ou de outro candidato do PSDB, não seja Virmondes Cruvinel, do PSD. Excluído da disputa da chapa governista, resta ao PSD dois caminhos. Lançar candidato próprio — Cruvinel, Thiago Peixoto ou Francisco Jr. — ou compor com outro candidato.
É provável que, conforme o quadro político do início de 2016, Vanderlan Cardoso ofereça sua vice ao PSD do ex-deputado federal Vilmar Rocha. Uma chapa com Vanderlan e Cruvinel não é nada fraca.
Se Vanderlan é visto como um outsider em Goiânia, Cruvinel é apontado como insider.
Vale acrescentar que o PSD vai jogar para si e por si, não para reforçar a musculatura do PSDB, nas disputas de 2016 e 2018.
Do deputado Sandes Júnior: “Eu não sei se o deputado Waldir Soares vai deixar o PSDB, mas estou convicto de que vai disputar a Prefeitura de Goiânia”. Qual o motivo de tanta convicção. “Ser candidato em Goiânia, onde obteve mais de 170 mil votos, é a verdadeira obsessão do delegado. Ele não esconde isto de ninguém.” Líderes dos principais partidos da base do governador Marconi Perillo desconfiam que há uma tentativa, nada sutil, por parte da cúpula de fortalecer exclusivamente o PSDB para a disputa eleitoral de 2016. Os líderes não apresentam publicamente suas desconfianças sobre a “hegemonia excessiva” do tucanato. Porém, internamente, as discussões começam a pipocar.
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Candidatos em Aparecida[/caption]
O presidente do PSDB em Goiás, o ex-deputado Afrêni Gonçalves, afirma que a parceria administrativa entre o governador Marconi Perillo, do PSDB, e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, do PMDB, é sólida. “Mas trata-se de uma parceria administrativa, porque gestor não faz oposição a gestor. Nós vamos lançar candidato a prefeito e não vamos compor com o PMDB de maneira alguma.”
Afrêni sublinha que o PSDB de Aparecida tem quadros políticos e técnicos qualificados. “Um partido que conta com Ozair José [vice-prefeito], Silvio Benedito [comandante-geral da Polícia Militar], Alcides Ribeiro [empresário], Cybelle Tristão [vereadora] e Manoel Nascimento [vereador] não pode pensar em lançar vice do PMDB. Um deles vai disputar a prefeitura. Agora, se o PMDB quiser nos apoiar, aceitaremos de bom grado.”
O tucano frisa que o presidente da comissão provisória do PSDB em Aparecida é indicado pelo deputado Waldir Soares.
“Waldir Soares certamente pedirá votos para nosso candidato em Aparecida. Ressalte-se que é forte eleitoralmente no município”, frisa Afrêni Gonçalves. “O deputado federal João Campos e o deputado estadual Mané de Oliveira também subirão no palanque tucano no município. Como Maguito Vilela não será candidato, a tendência é o PSDB eleger o próximo prefeito da cidade. Nós temos os melhores nomes. Basta, portanto, fazermos uma campanha azeitada.”
O Jornal Opção perguntou para seis líderes partidários: qual vai ser o principal problema das eleições de 2016? Inicialmente, pensou-se que os políticos diriam que seria a campanha mais curta, pouco mais de 40 dias. Mas todos disseram que isto não será problema, porque se terá tempo, na pré-campanha, para expor nomes e projetos. O principal problema será, concordam os entrevistados, dinheiro. A campanha de 2016 tende a ser mais espartana. Por 2 motivos. Primeiro, há a crise econômico-financeira — que não será debelada em 2016. Há a possibilidade de se agravar. O empresário tende a colocar menos recursos na campanha. Segundo, e mais decisivo, na opinião dos políticos, é a questão de possíveis investigações tanto do Ministério Público quanto da Polícia Federal. Eles dizem que as prisões de empresários bilionários, como o presidente da Odebrecht, assustam empresários de grande, médio e pequeno porte. Os empresários temem que, mesmo colaborando como pessoa física, sejam convocados para apresentar explicações. É certo que não vão deixar de colaborar, pois muitos mantêm negócios e contatos com políticos, mas colocarão um pé atrás e vão se cercar de determinados cuidados. Noutras palavras, tentarão trabalhar mais na legalidade — se isto é inteiramente possível em campanhas eleitorais. O certo é que, desde já, vários empresários, afiançam os políticos, estão mais cuidadosos e, sobretudo, temerosos com o financiamento das campanhas. “No final, independentemente da mudança das leis, são os empresários que bancam as campanhas. Só quem tem excedente financeiro pode distribui-lo em campanhas eleitorais”, afirma um deputado federal.

