Por Euler de França Belém
Quem acreditou que o vereador Anselmo Pereira, o Macunaíma do Cerrado, iria até o fim na intenção de disputar as prévias, com o objetivo de se tornar candidato a prefeito de Goiânia pelo PSDB, entende muito pouco de política.
Na redação do Jornal Opção, ninguém acreditou que o “projeto” de Anselmo Pereira deveria ser levado a sério. Sobretudo porque o próprio vereador nunca levou-se a sério.
O presidente estadual do PMDB, deputado federal Daniel Vilela, disse ao Jornal Opção na sexta-feira, 19, que o candidato do partido a prefeito de Goiânia está praticamente definido. “Será Iris Rezende. Só não será, se ele não quiser. Os líderes e militantes do partido o querem na disputa. Como seu recall na capital é altamente positivo, suas possibilidades de vitória são as mais altas possíveis. Ele tem capacidade administrativa, conhece a cidade como poucos, por isso o eleitorado sabe que se trata de um político e gestor qualificado.” Mas há quem defenda que o PMDB precisa renovar. “As pesquisas sugerem que o goianiense quer Iris na prefeitura. Isto é um fato.”
O deputado Luís Cesar Bueno embarcou na canoa furada de Iris Araújo e deram com os burros n’água. A oposição está repetindo o mesmo erro ao concentrar seu discurso nos buracos nas rodovias estaduais. Como o governador de Goiás, Marconi Perillo, viabilizou recursos, as estradas deverão ser recuperadas brevemente. Assim, mais uma vez, a oposição perderá seu discurso.
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Os jornais na internet estão se transformando em agências de notícias. Todos estão iguais ou quase. Publicam as mesmas notícias, com ligeiras variações. Por vezes, se copiam, inclusive nos erros mais crassos. A tese dominante dos geradores de notícias é: ganham em acesso não os que têm mais qualidade, e sim os que produzem mais notícias, sobretudo se foram “sensacionais” (e, em geral, mal apuradas e mal escritas). Jornais com equipes grandes acabam por sobrepujar, ao menos em acesso, os jornais com equipes menores.
Há uma saída? Há, mas a maioria dos editores, acossados pela ideia de acesso ampliado, não quer percebê-la. Vão ganhar, mesmo no curto prazo, os jornais que, sem deixar de produzir notícias, as básicas, abrirem mais espaço para a produção de conteúdo substantivo.
O que significa produção de conteúdo? Significa simplesmente produzir notícias específicas, mais densas, de maneira mais detalhada, com nuances. Este tipo de produção tende a influenciar os demais veículos — jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão. Ao mesmo tempo, contribui para a obtenção de acesso que se pode chamar de permanente. Reportagens mais bem elaboradas tendem a ter acesso prolongado, quer dizer, não morrem no dia seguinte. Elas continuam reverberando. Conteúdo, e não a mera notícia “solta”, tende à sobrevivência, a se tornar referência.
Insistamos num ponto: não dá para abandonar a produção de notícias — aquilo que os demais veículos estão transmitindo diariamente aos leitores. O que se está sugerindo é que os jornais, especialmente aqueles com menor estrutura, têm de se preocupar com a produção de conteúdo, de material único e capaz de influenciar o jornalismo dos demais veículos. Senão vão perder terreno, cada vez mais, para aqueles jornais que têm estruturas maiores e, às vezes, mais experimentadas. Acesso estagnado é resultado desta falta de visão.
O Jornal Opção busca combinar a produção de notícias com a produção de conteúdo — com sucesso — e, ao mesmo tempo, a divulgação maciça de seus textos. Tem funcionado.
(Pintura de Igor Morski)
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Divulgação[/caption]
Teresa Martins Marques, uma das importantes intelectuais de Portugal, lança, pela editora Âncora, o livro “Clave de Sol, Chave de Sombra — Inquietude de David Mourão-Ferreira”. A obra sobre o prosador e poeta, de 800 páginas, contém, segundo o “Jornal de Letras, Artes e Ideias”, de Portugal, “elementos novos, incluindo numerosos inéditos”.
Além de crítica literária do primeiro time, Teresa Martins Marques, doutora em Literatura e Cultura Portuguesas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é prosadora. Seu romance “A Mulher Que Venceu Don Juan” é muito bem escrito e dotado de uma arquitetura sólida.
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Foto: Divulgação[/caption]
Leitores pedem indicação de um livro sério sobre o PT. Há vários estudos, como o de André Singer. Mas o livro que o explica de maneira mais ampla possível é “Partido de Deus — Fé, Poder e Política” (Editora Alaúde, 679 páginas), do historiador Luís Mir. Não há mais detalhado no país do que a obra do pesquisador. Quem, como e por que fundou — está tudo na obra.
Claro que, como é um livro de 2007, não apresenta, por exemplo, as corrupções mais recentes de líderes do PT.
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Reprodução[/caption]
O mínimo que se espera de um resenhista é que tenha lido e entendido o livro que comenta — nem se discute a qualidade do texto. Um crítico do jornal “Valor Econômico” diz que o romance “O Regresso” (Intrínseca, 272 páginas, tradução de Maria Carmelita Dias), de Michael Punke, não é sobre vingança, ao contrário do que afirmam os demais críticos, e sim sobre a possibilidade de diálogo entre os homens. Enfim, sobre redenção.
Tudo indica que o resenhista leu o livro e viu o filme (Leonardo DiCaprio está muito bem e merece o Oscar), mas não conseguiu entender a história. Os dois, um baseado no outro, são, do começo ao fim, sobre o poder da vingança, de como o desejo de vingança dá força para Hugh Glass caçar aquele que — além de matar seu filho, um mestiço — o deixou, gravemente ferido, para morrer numa região inóspita e gelada. A vingança, no caso, é uma poderosa usina de energia, o que, apesar de óbvio, o resenhista não soube perceber.
Texto do Valor Econômico
Trecho da resenha “‘O Regresso’, saga sobre o perdão”, de Alexandre Staut, que saiu na edição de sexta-feira, 5, do “Valor”: “Ao contrário do que se tem falado, ‘O Regresso’ não é um livro sobre vingança. É uma obra que mostra a importância do diálogo (ou da comunicação), que pode, entre outros feitos, levar ao perdão”. Perdão, por sinal, é uma palavra inexistente em “O Regresso”.
Do Washington Post:
"Uma obra soberba sobre vingança."
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Iris Rezende, Waldir Soares e Vanderlan Cardoso: os três querem conectar-se com a sociedade e manter-se desconectados de Paulo Garcia e Marconi Perillo | Foto: Fotos: Renan Accioly/ Paulo José[/caption]
Assim como os leitores de jornal, políticos adoram pesquisas quantitativas. Mas o que políticos experimentados e modernos esquadrinham com lupa, sobretudo na pré-campanha e no início da campanha, são as pesquisas qualitativas. Elas são mais caras, mais longas, mas fornecem material para os candidatos adequarem e, até, reformularem seus discursos e projetos. Mesmo Iris Rezende, do PMDB, refratário a examinar pesquisas, sobretudo as qualis, está mais disposto a dar-lhe um “voto de confiança”. O deputado federal Waldir Delegado Soares, que procura um novo partido político, e o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) são atentos aos números e, sobretudo, à Goiânia profunda captada pelos levantamentos dos institutos de pesquisa. Por isso há uma busca, até frenética, pela imagem de “candidato independente”.
As pesquisas sugerem que, em Goiânia, os eleitores estão de olho num candidato que, antes de ser político, é visto como gestor. Mas Waldir Soares não é apontado mais como político do que como administrador? Surpreendentemente, o delegado-deputado é visto como um político não-político. Noutras palavras, como um político que desafia os políticos tradicionais e que, por vezes, parece sintonizado com os chamados eleitores de formação cultural apenas mediana. Há uma sintonia fina entre o quase ex-tucano e parte do eleitorado que não se julga representado com ninguém. Este eleitorado não o vê como maluco, e sim como um político que “tem coragem de dizer o que precisa ser dito”.
Porém, nas classes média e alta, há uma certa desconfiança, pois Waldir Soares é visto como mais político do que gestor. Teme-se que, eleito, não dê conta de administrar a capital. Mas as pesquisas sugerem que é, no momento, o pré-candidato mais observado por todas as classes sociais. Para o bem e para o mal.
O que mais chama a atenção nas pesquisas qualitativas é o modo como os eleitores — a média deles — querem que se posicionem os candidatos. Eles querem um “candidato independente” em relação ao que avaliam como “os poderes”, quer dizer, o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, e o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT. O eleitorado sugere que o “bom” candidato não deve se “subordinar” a nenhum dos dois, mas, percebendo que o governador não está na disputa, indica que o “candidato adequado” deve manter-se distante e, sobretudo, crítico da gestão do petista. Conectar-se à sociedade significa, segundo a avaliação, desconectar-se dos “poderes”.
Examinando o que se disse acima, o leitor passa a entender porque, de repente, Iris Rezende colocou dois de seus aliados, o vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano, e o ex-presidente da Câmara Municipal Clécio Alves para criticar, de maneira cáustica, a gestão do prefeito Paulo Garcia. Ao mesmo tempo, o peemedebista mantém-se crítico da gestão de Marconi Perillo. Waldir Soares, crítico de Paulo Garcia, começa a se descolar do tucano-chefe (daí as críticas às OSs da Saúde). Vanderlan Cardoso, por intermédio de Lúcia Vânia, apresenta-se como o mais novo “independente”.
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Na foto, Odilon Oliveira | Foto: Renan Accioly[/caption]
Experimentado politicamente, por já ter sido candidato a vereador e a deputado estadual, Odilon Oliveira deve ser candidato a prefeito de Anápolis pelo Pros. A cúpula do partido decidiu lançar candidatos nas cidades que têm mais de 100 mil eleitores (a Manchester goiana tem mais de 200 mil). Ele frisa que não fará uma campanha tradicional. Sua campanha será “espartana” e “moderna” — mantendo contato direto com o eleitorado, colhendo ideias, discutindo-as e acrescentando novas ideias.
“Há quem acredite que o quadro do município está definido. Mas não está — ninguém ganha eleição por antecipação. O eleitorado de Anápolis é surpreendente, politizado e costuma definir seu voto durante a campanha. Na campanha, vou propor uma gestão participativa, explicando como isto será colocado em prática, e uma administração verdadeiramente descentralizada. Se eleito, quero melhorar a cidade de maneira integral, sem eleger ilhas de qualidade. Tenho também ampla preocupação com a responsabilidade social.”
Odilon Oliveira visitou a redação do Jornal Opção na semana passada, acompanhando de Frank Boniek, vice-presidente do Pros; Carlos Henrique Alves, presidente do Pros de Anápolis, e de Alessandro Di Carlo, tesoureiro do Pros.
Durante a visita, Odilon Oliveira e o pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PSB, Vanderlan Cardoso, se encontraram na redação e conversaram. O ex-prefeito de Senador Canedo comentou: “Odilon Oliveira é bom de voto e, igualmente importante, é uma pessoa respeitável”.
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Gustavo Mendanha: o político que mais agrega na base de Maguito Vilela | Divulgação[/caption]
O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, deve anunciar no final de março o nome do candidato do PMDB à sua reeleição. O presidente da Câmara Municipal, Gustavo Mendanha, avalia que está bem cotado. Primeiro, porque tem o apoio da maioria dos vereadores. Segundo, parte do secretariado do gestor municipal o banca. Terceiro, a maior parte dos líderes religiosos integra seu projeto. Quarto, líderes de vários partidos decidiram acompanhá-lo. Numa entrevista ao Jornal Opção, o jovem peemedebista sublinha que não planeja “atropelar” ninguém, mas sugere que é preciso considerar que tem amplo apoio político. O deputado federal Daniel Vilela, recém-eleito presidente do PMDB estadual, é um de seus principais incentivadores. O ex-deputado Sandro Mabel teria desistido da disputa? “Ele me disse que não será candidato e tem me ajudado”, frisa. Euler Morais, secretário de Maguito Vilela, está no jogo? “Ele saiu do jogo, por um período, mas voltou a conversar sobre sucessão. Trata-se de um secretário excepcional, dos mais eficientes, mas, como estou na política há mais tempo na cidade, acabo agregando mais.” Mesmo na oposição, Mendanha tem amigos que podem se tornar aliados — como Max Meneses, filho de Ademir Meneses, do PSD.
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Magda Mofatto: “Nós acreditamos que Waldir Soares tem condições de ser eleito prefeito de Goiânia” | Foto: Divulgação[/caption]
A deputada federal Magda Mofatto, presidente do PR em Goiás, afirma que a cúpula do partido, local e nacional, está empenhada em conquistar o passe do deputado federal Waldir Soares. “Eu e Valdemar Costa Neto estamos insistindo com o delegado Waldir. O PR que bancá-lo, como candidato de fato competitivo e com estrutura adequada, para prefeito de Goiânia. Agora, com nossa decisão tomada, só depende ele.”
Magda Mofatto afirma que Waldir Soares “está examinando as possibilidades. Ele quer verificar se seus aliados o acompanham numa migração para o partido ‘x’ ou ‘y’. O deputado está consultando seus companheiros para verificar se vão com ele para onde for. Claro que tem menos de 30 dias para se definir, portanto, precisa agir com rapidez. Waldir, um político hábil e inteligente, tem plenas condições de se eleger prefeito de Goiânia. O PR aposta nele”.
Em Caldas Novas, afiança Magda Mofatto, o prefeito Evandro Magal tem chance de ser reeleito. “As prefeituras estão sem dinheiro, mas Magal é criativo e faz uma gestão bem avaliada.”

