Discutem taxas e Pix e se esquecem de CV e PCC
03 junho 2026 às 08h53

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O tempo está de, em nome da diversidade, o Ibama exigir que papagaio converse em braille e o Ministério da Educação mostrar nas redes a ave poliglota. Em vez de guerra de narrativas, o governo deveria abrir conflito armado contra as máfias que, só na Grande Rio, sitiam 12.879.889 brasileiros, número de habitantes das 21 cidades da região, segundo o IBGE em 2025.
Se forem muitos os bandidos soltos, e eles são e estão, talvez cheguem a 12.879, mil vezes menos que suas vítimas. É ilógico, indecente e injusto o governo se preocupar mais com eles que com elas.
Enquanto 13 milhões de fluminenses não saem às ruas certos de que voltam inteiros e com seus pertences de mão, as autoridades, inclusive do Ministério da Fazenda, se concentram no mal que combater as facções pode fazer por tabela às vítimas do… Ministério da Fazenda.
O que está fechando portas de comércio da Margem Equatorial a Uruguaiana é a carga tributária, o juro, a burocracia e a desindustrialização, não os Estados Unidos retaliarem o Brasil por conviver amigavelmente com duas organizações terroristas mundiais, o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital). Dessa dupla os ministérios não se lembram.
Com o conflito entre a população e as facções –estas participando com o fuzil e aquela com a cabeça prestes a abrigar a bala– está a economia, que passou esse tempo todo sem sequer atenção e agora é usada como desculpa para aceitar os malvados favoritos do governo. Volta à cena o negacionismo, ato de fingir que os facínoras não dominam grande parte do território nacional. E se expandem.
Na disputa de narrativas, um escritório do ódio iraniano, desses com mais fake news do que a orla carioca tem de grão de areia, fez um meme com o Cristo Redentor arrebentando na porradaria a Estátua da Liberdade. Jesus, o rei dos reis, é usado com frequência no cenário dos bárbaros, pois há facção que trucida em seu nome. Logo ele, o símbolo da fraternidade e do amor.
Puxa daqui, estica dali, o esforço oficial é para a turma do deixa-disso rapidamente mudar de assunto e surgir com um relato de Nicolás Maduro e sua mulher terem emagrecido na prisão em Nova York; o Irã se sentir discriminado na Copa de futebol; o lamento de o Hamas estar há semanas sem explodir judeus; e a nova presidente da Venezuela não querer apoiar a esquerda no 2º turno da Colômbia.
Segundo alguns, isso é mais importante que partir para cima do crime organizado, o que a polícia do Rio fez em outubro, com 122 mortes no exército vermelho e 5 de heróis inimigos das manchetes, os agentes da lei.
Disseram que entre os mortos pelas forças de segurança seriam descobertos diversos industriais de produtos lícitos, empreendedores bem-sucedidos na B3, empregados com carteira assinada, líderes beneditinos, professores de escola dominical, coroinhas de catecismo em punho e freiras carmelitas. Sete meses depois, o que se sabe deles é o que sempre se soube da laia: mereceram cada grama de pólvora.
Enquanto se debate a possibilidade de Donald Trump retaliar o Brasil por fazer vistas vendadas a grupos delituosos atuantes em ¼ dos Estados norte-americanos, os criminosos já mataram neste ano 22 policiais só na região metropolitana do Rio. Não é isso que a grande mídia discute, pois sangue de PM não é azul como o céu de brigadeiro estendido ao tráfico sobre o mar vizinho do Cristo.
O temor dos áulicos do woke é uma aliança entre o presidente brasileiro e o norte-americano para despejar bomba em cima dos depósitos de drogas e armas ilegais. Ou içar os bandidos, como agiu com Maduro, e levá-los a julgamento onde há pena condizente com as monstruosidades cometidas. Por enquanto, os chefões impunes ficam sossegados, Washington pode estar disposto a eliminá-los, mas Brasília só dá conta de matar paca.
Beneficiada pelo diversionismo, a Cosa Nostra da era da inteligência artificial arrumou uma Sicília 331 vezes maior, cada vez mais uma ilha cercada por nações que rumam para um futuro melhor –até o Paraguai está atraindo investidores que desistiram do reino das gangues e seu ministério do faz-nada.
Daqui a pouco, o tema será outro, claro que não o roubo aos velhinhos, nem os vínculos familiares com o Careca do INSS, nem as visitas sem agenda de Daniel Vorcaro ao Palácio do Planalto para o aconselhar a não vender o Banco Master.
Que tal a pauta ser uma caçada brutal aos assassinos dos 22 policiais mortos na Grande Rio? Ou vai ser preciso Trump vir aqui tirá-los da sombra do Cristo e levá-los para ver a Estátua da Liberdade nascer quadrada? Lógico, decente e justo, diria o papagaio em braille sem sotaque gringo.
Demóstenes Torres, 65 anos, é ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, procurador de Justiça aposentado e advogado.



