Compêndio da Bíblia – 27. Sabedoria de Salomão
12 julho 2026 às 12h06

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*Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião
Sabedoria de Salomão constitui o vigésimo sétimo livro da Bíblia e o sexto entre os escritos poéticos e sapienciais do Antigo Testamento. Está entre os sete livros deuterocanônicos, pois faz parte da Bíblia Católica e Ortodoxa, mas não está incluído no cânon hebraico (Bíblia judaica) e, por isso, não é aceito como canônico pelas tradições protestantes.
Apesar do título, o livro não foi escrito por Salomão, mas por um judeu helenista (ou seja, que vivia em um contexto cultural grego), provavelmente em Alexandria, no Egito, por volta do século I a.C. O autor anônimo escreve em grego, utiliza ideias filosóficas e éticas inspiradas nas tradições grega e judaica e atribui simbolicamente a voz a Salomão para conferir autoridade e tom sapiencial à obra.
O livro é composto por 19 capítulos e pode ser dividido em três partes fundamentais:
I – O destino dos justos e dos ímpios (caps. 1–5);
II – O elogio e a busca da Sabedoria (caps. 6–9);
III – A ação da Sabedoria na História (caps. 10–19).
O livro se abre com uma exortação à justiça e à retidão de espírito. Convoca os poderosos da Terra a servirem ao Bem e lembra-lhes que os desígnios humanos estão sempre sob o olhar vigilante do Altíssimo. A vida é apresentada como um campo de prova, no qual o justo, ainda que incompreendido e perseguido, é sustentado pela esperança da imortalidade. “As almas dos justos estão nas mãos de Deus” — proclama o autor, em uma das mais belas páginas da literatura sagrada. A morte, para ele, não é ruína, mas passagem; não é castigo, mas retorno. Já os ímpios, cegos pela vaidade, imaginam que tudo se apaga com o túmulo e, assim, entregam-se ao efêmero. Ignoram que o verdadeiro sentido da existência não se mede pelos prazeres, mas pela luz que se colhe do sofrimento purificador.

Salomão, símbolo do sábio que compreendeu a vaidade das grandezas humanas, dirige a Deus uma súplica comovente: pede-Lhe o dom da Sabedoria em vez de tronos e tesouros do mundo. A Sabedoria é exaltada como a companheira eterna do Criador, o reflexo de Sua luz perene, o resplendor de Sua potência. É mais bela que o sol, mais preciosa que o ouro, mais pura que a luz da aurora. Por meio dela, o ser humano adquire discernimento, governa com justiça e conhece o caminho da Verdade. É a ciência divina que inspira os profetas, ordena o cosmos e harmoniza o espírito humano com a vontade de Deus. É um hino de louvor à Inteligência divina que permeia todas as coisas.
A Sabedoria, força eterna e invisível, conduz os destinos da Humanidade desde os primórdios. Foi ela quem amparou Adão, protegeu Noé, inspirou Abraão, fortaleceu José e libertou Israel da escravidão. Em contraponto, os que se afastaram de Deus, adoraram ídolos e imagens vãs, colheram o fruto amargo de seus próprios desvarios. A História é interpretada como o teatro da providência, no qual a justiça divina, sem violência, corrige os erros humanos e encaminha as criaturas para o Bem. Tudo no Universo obedece à ordem da Sabedoria: a dor tem função redentora, a prova tem finalidade educativa, e o tempo é o instrumento da eternidade.
O livro encerra-se como se fecha um cântico de reconciliação entre o Céu e a Terra. Nele ressoa a certeza de que o cosmos é governado por uma inteligência amorosa e de que o Homem, ao unir-se à Sabedoria, participa da própria substância divina. A verdadeira grandeza não está no poder transitório, mas na compreensão serena da vontade de Deus; não no brilho exterior das coroas, mas na luz interior que nasce da comunhão com o Eterno. Assim, a Sabedoria de Salomão permanece, por muitos séculos, como um monumento espiritual, um elo entre a filosofia e a revelação, entre o pensamento humano e o sopro imortal do Espírito.
O Livro da Sabedoria de Salomão é uma exaltação da sabedoria divina, entendida não apenas como conhecimento intelectual, mas como expressão das leis morais inscritas na consciência do Espírito. Seus trechos, que destacam a imortalidade da alma, a justiça divina e a diferença entre o justo e o ímpio, estão em consonância direta com princípios espirituais, como a sobrevivência do Espírito após a morte e a Lei de Justiça, Amor e Caridade, segundo a qual cada um colhe as consequências de seus atos ao longo do tempo. Desse modo, a “sabedoria” apresentada no livro aproxima-se da concepção de iluminação interior: um estado alcançado gradualmente, por meio de múltiplas experiências e reencarnações, no qual o Espírito aprende a viver conforme o bem, em harmonia com as leis de Deus.
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