O perfil ideal para a vice de Daniel Vilela
10 julho 2026 às 10h35

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Darô Fernandes
A escolha do vice na chapa do governador Daniel Vilela é, de longe, a decisão mais importante das eleições de 2026 em Goiás, e por uma razão simples: quem ocupar essa cadeira será o próximo governador do estado. Eleito, Vilela cumprirá o segundo mandato consecutivo e ficará impedido de disputar a reeleição em 2030. Ao fim do mandato, renunciará ao governo para concorrer ao Senado Federal, ou a outro voo maior, e o vice assumirá o comando do Palácio das Esmeraldas. Foi exatamente o que acabamos de ver: Ronaldo Caiado renunciou ao governo rumo à Presidência e Daniel, seu vice, sentou na cadeira principal. Em Goiás, a história vai se repetir. A vice governadoria, portanto, não é posto secundário. É a antessala do governo.
Quem já disputou uma eleição na condição de vice, como eu, candidato a vice-prefeito de Goiânia, sabe que a segunda cadeira tem peso real. Ela não é enfeite. Por isso o perfil do escolhido precisa reunir voto, capilaridade, capacidade de governar e força para somar à chapa.
Nesse retrato, um nome se impõe com clareza: Bruno Peixoto. À frente da Assembleia Legislativa, ele construiu algo raro na política goiana, a unanimidade dos deputados, da esquerda à direita, da situação à oposição. Num tempo de tanta divisão, essa capacidade de unir já é, por si só, uma credencial de quem sabe governar. Bruno tem base sólida entre os prefeitos do interior, a capilaridade que ganha eleição municipal e sustenta uma chapa majoritária. E tem voto: foram mais de 73 mil votos em 2022, a maior votação para deputado estadual da história de Goiás. Força política desse tamanho pertence ao palco majoritário, e não diluída numa disputa proporcional.
Seria injusto, porém, ignorar outro peso-pesado, ainda que hoje não esteja entre os mais cotados: Vilmar Rocha. Fundador e líder histórico do PSD em Goiás, com longa trajetória no parlamento e estatura nacional, Vilmar é homem próximo de Gilberto Kassab, presidente nacional do partido. E há um detalhe decisivo: o PSD é a legenda à qual Ronaldo Caiado hoje é filiado, e que o lançou como pré-candidato à Presidência da República. Vilmar teve peso para que o PSD acolhesse e honrasse a candidatura de Caiado. Como a escolha do vice de Daniel certamente passará pela bênção do ex-governador, um nome com o alinhamento partidário, o trânsito nacional e o respeito que Vilmar reúne não pode ficar fora da conversa.
Há, ainda, um caminho que merece registro, caso a chapa opte por uma mulher: Lêda Borges. Deputada federal, com forte base no Entorno de Brasília-DF, ela traz representatividade e a força de uma região que ganhou peso no eleitorado goiano. Num momento em que a presença feminina nas chapas conta cada vez mais, o nome dela merece ser considerado.
Faço aqui um registro de opinião, na condição de advogado que analisa o cenário e acompanha de perto os bastidores da política goiana. De todos os nomes, Bruno Peixoto é o que melhor encarna o perfil. Tem capilaridade, tem força e tem a continuidade do apoio dos prefeitos, construída no trabalho que desenvolveu na Assembleia em favor do povo goiano. Hoje pré-candidato a deputado federal, deve passar de 300 mil votos. E é justamente por isso que defendo a tese: a Câmara Federal ficou pequena para ele. Quem alcança uma votação desse porte não cabe mais numa disputa proporcional. O lugar de Bruno é a eleição majoritária. O lugar de Bruno é a vice.
Seja qual for a decisão, ela não pode ser tratada como formalidade. A vice de Daniel é, na prática, a escolha de quem vai governar Goiás na sequência. E uma decisão desse tamanho merece a seriedade que o prêmio exige.
Darô Fernandes (Jaroslaw Daroszewski), advogado, presidente da comissão de Direito Empresarial do Consumo da OAB/GO e pré-candidato a deputado estadual por Goiás.
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