Um vídeo que viralizou nas redes sociais traz o relato de um ex-integrante do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve), que afirma ter sido baleado durante uma ocorrência policial em Goiás, em 2015, e posteriormente desligado do serviço.

“Em 2015, eu tomei um tiro dentro de uma viatura. Mesmo assim, o governador da época me mandou embora”, afirma no início do vídeo.

Segundo o relato, ele integrava uma equipe que foi alvo de disparos durante uma ocorrência. O ex-Simve afirma que os criminosos utilizavam uma pistola 9 milímetros e revela, na sequência, que era o policial ferido citado em uma reportagem exibida no próprio vídeo.

“O homem baleado nessa ocorrência fui eu. Eu trabalhava no Simve, ou seja, vestia a farda da polícia. Eu exercia a função de policial militar, andava na viatura da polícia, mas sem ter os direitos que um policial tem”, relata.

O ex-integrante também critica as condições oferecidas aos profissionais que atuavam no programa. Segundo ele, os agentes trabalhavam com estrutura e armamento inferiores aos utilizados por criminosos.

“Milhares de homicídios e a gente sem colete, andando com revólveres de cinco tiros na cintura, enquanto enfrentava bandidos com pistolas e armas automáticas”, afirma.

Ele acrescenta que utilizava um revólver calibre .38 e diz que os integrantes do programa não tinham acesso ao mesmo plano de saúde disponibilizado ao restante da tropa.

“Fiquei um ano sem poder trabalhar direito”

No relato, o ex-Simve afirma que o disparo provocou uma lesão na região genital e trouxe consequências que se prolongaram por meses.

“Esse tiro que eu levei foi na região genital e eu fiquei um ano sem poder trabalhar direito, sem acesso a médicos especializados”, conta.

Durante esse período, o Simve acabou sendo considerado inconstitucional. Segundo ele, o encerramento do programa resultou em seu desligamento mesmo enquanto ainda enfrentava as consequências do ferimento.

“Eu fui mandado embora com uma lesão que me impossibilitava de trabalhar. Alguém do Estado me ligou para saber se eu estava bem? Eu estava ali para proteger a sociedade. Eu não estava para brincar, não”, afirma.

O ex-integrante diz que decidiu tornar a história pública não apenas para relatar o que viveu, mas para fazer uma crítica ao discurso político na área da segurança.

“Eu não estou fazendo esse vídeo para reclamar. Estou fazendo para vocês não acreditarem na ilusão que tem candidato vendendo por aí”, declarou.

Crítica à antiga gestão

O vídeo também apresenta um trecho de uma declaração do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), na qual ele menciona a busca por uma “varinha de mágica” ao tratar de problemas enfrentados pela segurança pública.

O ex-integrante do Simve utiliza a declaração para criticar a condução da área naquele período.

“Na segurança pública não existe fórmula mágica. Existe gestão. E a prova está aí: Goiás sendo referência na segurança pública em nível nacional. E é isso que a gente não pode abrir mão”, conclui.

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