O lançamento do primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari provocou uma crise de imagem na tradicional fabricante italiana e reacendeu o debate sobre os limites da eletrificação no mercado de luxo. O modelo Luce, apresentado como um marco na história da montadora de Maranello, virou alvo de críticas do ex-presidente Luca Cordero di Montezemolo, um dos principais responsáveis pela reconstrução moderna da empresa.

As declarações do ex-dirigente repercutiram fortemente entre investidores e consumidores da marca. Após a entrevista, as ações da Ferrari registraram forte queda na Bolsa de Milão, refletindo a preocupação do mercado com a aceitação do novo conceito apresentado pela fabricante.

Montezemolo afirmou que prefere não revelar tudo o que pensa sobre o projeto para não prejudicar a empresa, mas disse enxergar risco na mudança de identidade da Ferrari. “Se eu disser o que realmente penso, vou acabar prejudicando a Ferrari. Existe o risco de destruir um mito”, declarou.

Ex-presidente Luca Cordero di Montezemolo | Vídeo: Reprodução

Em outro momento, ironizou o novo modelo ao sugerir que a marca retirasse o tradicional Cavallino Rampante do veículo. “Espero que tirem o cavalinho do capô”, afirmou.

O ex-presidente também comentou o avanço da indústria chinesa no setor automotivo e provocou ao falar sobre o novo elétrico da Ferrari. “O que devemos fazer com a China? Pelo menos essa máquina os chineses não vão copiar”, disse.

O Luce representa uma das maiores mudanças já feitas pela montadora italiana. Sem os tradicionais motores V12 e distante da proposta mecânica que transformou a Ferrari em referência mundial, o veículo aposta em uma plataforma totalmente elétrica, visual minimalista e sistemas artificiais de som para tentar reproduzir parte da experiência sensorial dos esportivos da marca.