Uma cartilha foi criada para orientar a população sobre como é possível uma convivência segura entre pessoas e animais, e o local usado como exemplo é o Parque Areião, em Goiânia. Desenvolvida a partir de uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) com o apoio da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), a publicação reúne orientações e práticas para que frequentadores do parque e macacos-pregos possam dividir o mesmo espaço sem riscos para nenhum dos lados.

Os pesquisadores aplicaram questionários e realizaram filmagens para entender como acontece o contato entre humanos e macacos-pregos naquela área verde de Goiânia e o resultado aponta para uma boa notícia: a maioria das interações foi considerada segura. Contudo, os pesquisadores também identificaram situações de risco que merecem atenção redobrada, como oferecer alimentos aos animais e se aproximar demais para selfies ou vídeos.

O professor Túlio Lousa, coordenador do estudo pela USP, conversou com o Jornal Opção e detalhou os achados. “As pessoas já observam os macacos em uma distância segura, e é pra ser assim. Observar à distância, não alimentar esses animais, não buscar um contato a uma distância muito próxima deste animal”, afirmou o docente. 

Professor Túlio Lousa coordenou o concurso pela USP | Foto: Arquivo pessoal

Porém, ele faz um alerta. “Ainda assim nós observamos que a maior quantidade de acidentes que ocorreram no parque foram relacionados a esse contato próximo do humano com o macaco. Independente se havia alimento ou não na interação”. Para exemplificar os riscos, Túlio Lousa explica que o parque já é naturalmente rico em cocos e outros alimentos nativos. “Mas as pessoas levarem esse coco para um animal é muito perigoso, porque os animais podem pegar alguma doença das pessoas, e essa doença pode ser fatal para o animal”. 

A estudante de Biologia e integrante da pesquisa, Mariana Gontijo, complementa e explica que “o Parque Areião já é um ambiente rico em alimentos naturais que são ótimos para o metabolismo dos macacos”. 

Túlio ressalta que o coco em si não é tão problemático, “mas um outro alimento, como por exemplo uma barrinha, um chiclete, um alimento mais industrializado, pode trazer problemas com a cárie, obesidade e outros malefícios para a saúde do animal”.

Outro ponto levantado pelo pesquisador envolve a transmissão de doenças. “É uma questão de saúde mesmo. Além de você poder passar uma doença para ele, que pode ser fatal para o primata, você pode pegar uma doença dele também”. Caso o macaco se aproxime, a recomendação é bater palmas, o pé e tentar afastar ele. “Obviamente sem jogar um objeto e sem ser de uma maneira agressiva”.

Reprodução dos animais e impactos

A pesquisa também revelou um dado surpreendente sobre a reprodução dos primatas. “A gente coletou as fezes desses macacos e já observamos que eles se reproduzem mais rápido aqui no Parque Areião do que em outros lugares”, revela o professor. 

Enquanto em outras regiões as fêmeas geram filhotes a cada dois anos, “aqui, a maior parte das fêmeas se reproduzem a cada um ano”. O motivo, segundo Túlio Lousa, está diretamente ligado à ausência de predadores e à fartura de comida, incluindo a oferta inadequada por parte dos humanos.

Esse desequilíbrio já produz consequências. “Esses animais estão sendo vistos buscando alimento lá na região do Hospital Estadual de Urgências de Goiânia (HUGO), buscando alimento nos lugares vizinhos do parque, o que não estão ficando mais confinados apenas ao Parque Areião”.

Diante desse cenário, o pesquisador sugere medidas de controle, como a castração ou a redução da alimentação disponível. “Eu acho que o mais importante seria fazer um controle através da alimentação no local. Se eles comerem menos, a população não vai crescer tanto”.

A atenção também deve se estender aos cães levados ao parque. “É interessante que as pessoas andem com coleiras e evitem colocar o cachorro no meio dos macacos. A gente observa que as pessoas, às vezes, incitam o cachorro a atacar o macaco e isso não é interessante, porque os macacos podem ir em cima do cachorro e machucar o animal para tentarem se defender”.

A bióloga e analista ambiental da Amma, Wanessa de Castro, lembra que outros parques goianienses também abrigam primatas, como o Parque Macambira (com guaribas) e o Bosque dos Buritis (com saguis). “Em todos os parques, a orientação da Amma é que a população descarte corretamente seus resíduos e evite alimentar os animais”, reforça.

Recomendações para uma convivência segura:

  • Mantenha distância segura dos animais;
  • Evite movimentos bruscos e barulhos altos;
  • Não alimente os macacos;
  • Descarte corretamente os resíduos;
  • Faça fotos sem se aproximar dos animais.

Leia também:

Lula embarca para o G7 na França e governo vislumbra encontro com Trump

Bebê que morreu ao dar entrada na UPA de Aparecida: laudo preliminar do IML descarta violência física e sexual