O presidente Lula da Silva (PT) viaja neste domingo, 14, para a França, onde participa da cúpula do G7 em Évian-les-Bains. Apesar de não haver nenhuma reunião bilateral formalmente agendada, o Palácio do Planalto enxerga uma janela para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o evento.

A estratégia do governo brasileiro é garantir a presença de Lula já na abertura do encontro, prevista para segunda-feira, 15. Afinal, a expectativa é que Trump participe apenas do primeiro dia da cúpula, repetindo o que fez no G7 do Canadá no ano passado. Caso isso se confirme, o presidente brasileiro estará no local justamente para aproveitar essa sobreposição de agendas.

Não houve nenhuma orientação de Lula para que seus auxiliares solicitassem uma reunião bilateral com Trump. A Casa Branca também não pediu formalmente um encontro. Contudo, fontes do governo avaliam que a falta de pedidos oficiais não representa, de forma alguma, um impeditivo para que os dois líderes conversem às margens da cúpula.

Por outro lado, qualquer possível diálogo ocorre em meio a uma nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. Washington propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, justificada por supostas práticas comerciais desleais. Além disso, há uma sobretaxa de 12,5% vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado. Se implementadas, as medidas podem elevar a carga total sobre as exportações brasileiras para 37,5%.

Nesse contexto, a avaliação interna do governo é dividida: a tarifa de 25% ainda pode ser revertida por meio de negociação. Porém, a sobretaxa de 12,5% já é vista por integrantes da equipe brasileira como uma decisão praticamente consolidada. Segundo diplomatas, Lula pretende passar o “recado” contra o tarifaço americano aos líderes do G7, mas sem apontar “o dedo na cara” do presidente dos Estados Unidos.

Vale lembrar que o Brasil não integra oficialmente o G7, grupo que reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. No entanto, Lula tem sido convidado para os encontros desde que retornou ao Planalto, em 2023. Na semana passada, o presidente francês, Emmanuel Macron, comandou uma reunião preparatória, com a participação do chanceler Mauro Vieira.

Além do possível contato com Trump, Lula já tem outros compromissos na agenda. Na segunda-feira, ele se reúne com o anfitrião Macron e também com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza. Já na terça, 16, o petista deve ter uma bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

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