Vereador denuncia que pagamento de quinquênios milionários persiste na prefeitura

Izídio Alves (PR) questionou gestão Iris por suspender benefício a garis da Comurg, mas manter a técnicos de secretarias

Vereador Izídio Alves fez a denúncia | Foto: Alberto Maia/Câmara de Goiânia

O vereador Izídio Alves (PR) subiu à tribuna da Câmara de Goiânia para denunciar que a gestão do prefeito Iris Rezende (PMDB) segue pagando quinquênios milionários a servidores municipais.

Após o escândalo envolvendo o alto escalão da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que culminou em uma ação judicial e recomendações por parte do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), o Paço decidiu suspender a gratificação para todos os funcionários da empresa — incluindo garis.

No entanto, o parlamentar questionou o porquê de tal decisão afetar somente a Comurg. Com dados do portal da transparência, ele citou como exemplo, três funcionários da Secretaria Municipal de Finanças (Sefin): um que tem salário base de R$ 4 mil e recebe mais de R$ 10 mil em quinquênio; outro que tem salário de R$ 2 mil e recebe quase R$ 9 mil de gratificação; e, por fim, um cujo salário é de apenas R$ 1 mil, mas tem R$ 6,2 mil em quinquênio.

“Com todos respeito, tira de um gari que varre rua, mas não tira do técnico que fica atrás de uma mesa no ar condicionado? Tira daquele que fica no aterro sanitário, mas não retira do que está na sombra? Que pena. Que pena”, lamentou.

Izídio Alves, que é aliado de Iris Rezende, afirmou que não gosta de subir à tribuna para fazer denúncias, por isso não citou os nomes dos servidores, apenas valores, mas que sente muito o que tem acontecido.

“Na hora que vejo colega meu falando que tirou R$ 100, R$ 200, de uma pessoa que varre rua e fica no fim do mês apertado… Não pode ter dois pessos e duas medidas. Câmara precisa discutir e resolver essa questão. Quem está no ar condicionado não tem benefício cortado, é um absurdo”, completou.

Repercussão

Após a denúncia, vereadores se solidarizaram com a situação dos servidores da Comurg. Sabrina Garcêz lamentou que a gestão Iris penalize os garis, “que trabalham de sol a sol”, mas não trate da mesma maneira os apadrinhados das secretarias. “É mais difícil penalizar os colarinhos brancos, né?”, questionou.

Clécio Alves, que é do PMDB do prefeito Iris Rezende, reafirmou que tem sofrido perseguição na companhia e nunca mais “botou os pés lá”. “Agora está muito pior que quando era Paulo [Garcia, ex-prefeito] rompido comigo. Não é justo o que estão fazendo com os trabalhadores que carregam Goiânia nas costas”, alegou.

Já Lucas Kitão (PSL) questionou as prioridades da atual administração: “Corta de quem precisa. Quer dizer, faz gestão às avessas, corta a eficácia e piora os serviços.”

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