Estado assume entrada da 5ª maior caverna do Brasil e prepara transformação em Terra Ronca
28 maio 2026 às 12h49

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Considerada a quinta maior caverna do Brasil, a São Vicente I, localizada no Parque Estadual de Terra Ronca (PETeR), deve passar por uma série de melhorias voltadas à segurança, infraestrutura e controle de acesso nos próximos anos. A expectativa surge após a aquisição, por parte do Governo do Estado, das áreas que dão acesso ao atrativo natural, um dos mais importantes complexos espeleológicos do país. Com cerca de 16,4 quilômetros de extensão, o local abriga 12 cachoeiras formadas pelo rio São Vicente e uma das travessias subterrâneas mais conhecidas do país.
As áreas adquiridas incluem a entrada da caverna e o início da trilha de acesso ao atrativo. Com isso, a área regularizada do parque passou de aproximadamente 65% para 68%. O PETeR possui cerca de 57 mil hectares e fica entre os municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, no nordeste goiano. A compra integra o processo de regularização fundiária do parque e deve permitir o avanço de projetos voltados ao turismo sustentável, preservação ambiental e incentivo à pesquisa científica na região.
Em entrevista ao Jornal Opção, a superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Emergências Ambientais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Zilma Alves Maia, explicou que a prioridade tem sido regularizar áreas com potencial turístico e de uso público. “Nós temos focado muito nas nossas aquisições, principalmente nos locais que têm potencial para uso público. Essa aquisição, em São Vicente, é muito importante para que a gente possa trabalhar melhor o uso público”, afirmou.
Segundo a superintendente, a caverna possui um nível elevado de complexidade e risco, o que exige controle rigoroso de acesso e acompanhamento especializado durante as visitas. “É uma caverna bastante complexa. Ela tem um nível de complexidade e de risco considerável. Nós precisamos trabalhar isso”, destacou.

Melhorias futuras
Com a área agora pertencente ao Estado, a Semad afirma que terá mais liberdade para implementar melhorias estruturais e ampliar a segurança para turistas, pesquisadores e condutores ambientais.
Entre os projetos previstos estão a melhoria das trilhas internas e externas, instalação de estruturas de apoio, criação de centros de atendimento ao visitante e implantação de guaritas para controle de acesso. “Queremos trazer não só segurança para o patrimônio público, mas também para o próprio visitante”, explicou.
De acordo com a secretária, somente os centros de apoio devem receber investimentos próximos de R$ 2 milhões. Já as obras nas trilhas podem ultrapassar R$ 5 milhões.
A Semad também pretende ampliar o controle de entrada na caverna, que atualmente exige autorização prévia do órgão ambiental. Segundo a pasta, o acesso só pode ser realizado com acompanhamento de guias capacitados devido aos riscos existentes no interior da formação rochosa.
Além do potencial turístico, Terra Ronca também desperta interesse científico. O gerente de Regularização Fundiária da Semad, Eric de Oliveira, explicou que os pesquisadores buscam frequentemente a região para estudos ligados à espeleologia e à biodiversidade. “As pesquisas mais procuradas dizem respeito ao mapeamento das cavernas e à identificação de novas espécies”, afirmou.
Segundo ele, os estudos podem durar anos e, em alguns casos, acabam revelando novas galerias subterrâneas, ampliando inclusive o tamanho conhecido das cavernas. Recentemente, pesquisadores descobriram na região da Caverna São Bernardo uma nova espécie de peixe subterrâneo. O animal recebeu o nome científico de Ituglanis ramiroi, em homenagem ao guia turístico Ramiro, um dos mais conhecidos do parque.

Outro destaque citado pela Semad é a presença da tiriba-do-Paranã, ave rara e endêmica do Cerrado encontrada na região de Terra Ronca. A espécie atrai pesquisadores e observadores de aves de diferentes partes do país. “A região é extremamente rica, não só do ponto de vista da geologia, mas também da biodiversidade”, ressaltou a superintendente.
Além das obras previstas pela Semad, o governo estadual também constrói um centro de visitantes no povoado de São João, em parceria com a Goiás Turismo.
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