Técnica de enfermagem é presa após tentar sequestrar recém-nascida em maternidade no Piauí
13 julho 2026 às 09h57

COMPARTILHAR
A técnica de enfermagem Auricélia Rocha foi presa preventivamente após tentar levar uma bebê recém-nascida escondida dentro de uma bolsa de maternidade, em Teresina (PI). O plano foi descoberto pela tia da criança, Daniela Beatriz, que desconfiou da funcionária e recuperou a menina.
As câmeras de segurança flagraram toda a ação na Maternidade Dona Evangelina Rosa, onde Auricélia trabalhava há mais de dois anos, embora estivesse de folga no dia do crime.
Segundo as imagens, às 13h40, a técnica aparece com a bebê em um corredor da unidade. Ela havia dito à mãe da criança, de 14 anos, que precisava levar a menina para realizar exames, como o teste do pezinho. A tia da recém-nascida decidiu esperar do lado de fora, mas, dois minutos depois, viu Auricélia sair sem a criança, carregando uma bolsa preta grande, e entrar em um banheiro.
“Ela vai pro banheiro, eu já fico olhando aquela situação. Eu sinto que aquele negócio não tá certo”, afirmou Daniela ao programa Fantástico.
Ao seguir a suspeita, Daniela percebeu que a técnica havia trocado de roupa dentro do sanitário. “Quando eu puxo, a neném tá lá. Eu questiono: ‘Mulher, pelo amor de Deus, o que tu tá fazendo com essa menina nessa bolsa?’. Eu já tiro a neném e saio pedindo socorro”, relatou ao Fantástico.
A criança foi devolvida aos braços da mãe, que desabafou: “Se não fosse por ela, hoje eu estaria sem minha filha. Só uma mãe sabe o que é colocar uma criança no mundo e ver o rostinho dela pela primeira vez”.
O diretor da maternidade, José Alberto Alencar, lamentou o caso, mas afirmou que a segurança do local não falhou, destacando o uso de leitores faciais e portas com senhas. A investigação da Polícia Civil, conduzida pelo delegado-geral Luccy Keiko, trata o ocorrido como tentativa de sequestro. Como a comunicação do crime demorou, não houve prisão em flagrante, mas a Justiça decretou a preventiva.
Na casa da técnica, foram encontrados fraldas, roupas, banheira e berço, além de parentes que acreditavam que ela estava grávida. A defesa informou ao Jornal Opção que Auricélia tem sintomas esquizofrênicos e faz uso de medicamentos psiquiátricos. No entanto, o delegado Hugo Alcântara descartou a hipótese de insanidade mental, afirmando que ela agiu sozinha.
Veja nota completa da defesa de Auricélia Rocha:
“Desde o início, a defesa manifesta profundo respeito à família da recém-nascida, aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ao trabalho desenvolvido pelas autoridades responsáveis pela investigação dos fatos.
Entretanto, é imprescindível destacar que o caso possui um aspecto de extrema relevância que não pode ser ignorado: a condição de saúde mental da investigada.
Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Estado do Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado.
Além disso, a defesa juntou aos autos documentos que demonstram que ela fazia uso de medicação de natureza psiquiátrica, circunstância que será devidamente submetida à apreciação do Poder Judiciário.
No atual estado clínico, conforme constatado pela defesa e pelos familiares, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade vivenciada, demonstrando dificuldade para compreender a gravidade dos fatos investigados e até mesmo a própria situação processual em que se encontra. Essa percepção é compatível com a necessidade de avaliação especializada já documentada, mas a repercussão jurídica desse quadro deverá ser apurada pelos meios periciais previstos na legislação, não cabendo à defesa antecipar conclusões sobre sua imputabilidade penal.
A defesa informa que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrará Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada também à luz dos documentos médicos supervenientes já apresentados ao Juízo.
É importante ressaltar que essa iniciativa não busca minimizar a gravidade dos fatos investigados, tampouco desrespeitar o sofrimento da família envolvida. O objetivo é assegurar que o processo penal observe integralmente a Constituição Federal, o devido processo legal e os direitos fundamentais da investigada, inclusive o direito de receber tratamento médico adequado quando há elementos clínicos relevantes.
A defesa reafirma sua confiança nas instituições, no Ministério Público e no Poder Judiciário, acreditando que todas as decisões serão tomadas com base nas provas constantes dos autos, na legislação vigente e nos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.“
Leia também:
Goiás reduz homicídios em 16,3% e registra a 6ª menor taxa do país, aponta Mapa da Segurança Pública
Dois motociclistas morrem após colisisão frontal em cruzamento de Goiânia



