Tayrone volta a criticar prefeitura, mas nega política do “quanto pior, melhor”

Vereador petista acusa gestão Paulo Garcia de falta de “transparência”, “ineficiência” e “desespero”. No entanto, nega oposição e declara trabalhar “em favor do povo”

Tayrone realiza manifestação contra aumento do IPTU e ITU na Praça da Paz (Foto: reprodução / Facebook)

Tayrone realiza manifestação contra aumento do IPTU e ITU na Praça da Paz Foto: reprodução / Facebook

Após divulgar vídeo convocando a população a se mobilizar contra a Planta de Valores de reajuste do Imposto Predial, Territorial e Urbano (IPTU) e do Imposto Territorial Urbano (ITU) propostos pela Prefeitura de Goiânia, o vereador Tayrone di Martino, em entrevista ao Jornal Opção Online, teceu duras críticas ao projeto. Segundo ele, as ações do Paço “chegaram ao cúmulo do cúmulo”: “não há planejamento algum, está tudo obscuro, escondido”, lamentou.

Ex-aliado e companheiro de partido do prefeito, Paulo Garcia, o também ex-candidato a vice-governador criticou duramente as constantes remarcações das audiências públicas ocorridas nos últimos meses. “Está [de quinta-feira (6/11)] já é a terceira vez que a prefeitura desmarca. Não é possível isso”, enfatizou. A reportagem contou-lhe a justificativa do prefeito, que garantiu que não há problema algum com o projeto e que este está sendo “apenas aprimorado”.

“Sinal de que este projeto está sendo aprimorado demais… Aliás, se ele quer aprimorar tanto assim este projeto, por que não o aprimora junto à sociedade? Ou será que esta audiência pública vai ser, na verdade, uma ‘apresentação pública’? E ainda, quando a Planta for apresentada à população já será um projeto final? Não vai haver debate com os cidadãos?”, questionou o vereador.

Contraposto

Tayrone lembrou também que foi feito, neste ano, um reajuste no imposto habitacional em Londrina, no Paraná; só que, diferentemente de Goiânia, o processo na cidade do Sul do Brasil foi eficiente. “Para se ter ideia, após discutir o reajuste com a sociedade, a prefeitura [de Londrina] disponibilizou no site oficial até uma ferramenta para que as pessoas possam calcular os novos valores”, argumentou. Contudo, para o petista, na Capital goiana a situação é o inverso: “não há transparência, é tudo escondido. Falta tecnologia, preparo, avanço, eficiência e honestidade”.

De acordo com ele, tudo isso é prova de que a prefeitura está “desesperada” para aumentar impostos. “A falta de planejamento, o despreparo na hora de constituir esta Planta de Valores mostram o claro desejo desenfreado do Paço em arrecadar. A desmarcação das audiências, a obscuridade nos valores não têm outro motivo senão a pura falta de planejamento”, criticou. Segundo o vereador, a sociedade pode esperar que mais altas virão: “não é só o IPTU e o ITU que sofrerão reajustes. A Área Azul foi aumentada de 90 centavos para R$ 2,50 e outras taxas a mais estão à caminho”.

Posicionamento e presidência

Questionado sobre a atual relação com a prefeitura, Tayrone di Martino reafirmou divergências com o prefeito Paulo Garcia, mas rechaçou a ideia de “oposição ferrenha”. “Eu tenho minhas críticas ao Paulo, a gestão dele é ruim, falta planejamento e, assim, hoje, não tenho interesse nenhum em fazer composições com a base”, reconheceu. E seguiu: “só que eu não vou ser daquele grupo do ‘quanto pior, melhor’. Não mesmo. Eu trabalho a favor do povo. Minha política é a do quanto melhor, melhor. O que estiver certo, vou votar a favor, o que estiver errado, como esse reajuste do IPTU e ITU, vou votar contra”.

Nesta lógica, Tayrone negou, ainda, que votaria a favor do Paço na eleição para Presidência da Câmara Municipal. Mas, por outro lado, não confirmou adesão aos oposicionistas. “Está muito cedo ainda para discutir sobre isso… Preciso conversar mais, várias pessoas me procuraram, mas não tenho posicionamento sobre nada”, desconversou. Sobre a atual movimentação para a mesa diretora, o petista confirmou que há uma divisão igualitária. “A Casa está dividia em três grupos, compostos de dez a 13 vereadores, cada. Todos têm representatividade”, relatou. Perguntado sobre em qual deles ele se encontra: “não sei ainda”.

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