O presidente do Sindicato das Indústrias e do Comércio de Óptica (Sindióptica Goiás), Leandro Fleury Rosa, afirmou ao Jornal Opção que as óticas têm desempenhado um papel cada vez mais importante na saúde visual da população goiana, especialmente com o avanço da optometria e da oferta de serviços especializados ligados à correção visual. Segundo ele, a atuação da optometria já possui respaldo jurídico consolidado no país e funciona de forma complementar à oftalmologia.

“O optometrista não vem para substituir o oftalmologista. Ele atua de maneira colaborativa, principalmente na identificação e correção dos erros refrativos não corrigidos”, afirmou.

Entre os principais problemas visuais atendidos pela optometria estão miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, considerados hoje, segundo Fleury, uma das principais causas evitáveis de deficiência visual no mundo.

O dirigente destacou que a formação do bacharel em optometria possui duração de cinco anos e já é consolidada em diversos países, como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. “Em vários países desenvolvidos, a optometria já integra os sistemas públicos e privados de saúde há décadas”, disse.

De acordo com Fleury, além da venda de armações e lentes, muitas óticas passaram a oferecer serviços especializados ligados à saúde visual. Entre eles estão exames optométricos, adaptação de lentes de contato e atendimentos voltados para reabilitação visual e controle da progressão da miopia.

Leandro Fleury Rosa é presidente do Sindióptica | Foto: Arquivo pessoal

Ele explicou que o funcionamento das óticas depende de regras específicas e da presença obrigatória de um responsável técnico. “Toda ótica precisa ter um técnico responsável pela dispensação óptica e pela orientação correta ao consumidor”, afirmou.

Segundo o presidente do Sindióptica, a função das óticas vai além da comercialização de produtos. “Óculos e lentes não são produtos comuns de prateleira. São itens de saúde que exigem prescrição e orientação técnica adequada”, disse.

Fleury afirmou ainda que parte das óticas goianas já possui consultórios optométricos próprios, embora muitos profissionais também atuem em espaços independentes. Segundo ele, existem especializações diferentes dentro da optometria, incluindo áreas esportivas, lentes de contato e terapias visuais.

O presidente do sindicato também chamou atenção para a necessidade de maior fiscalização do setor. De acordo com ele, Goiás possui quase 3 mil óticas, mas uma parcela significativa ainda opera sem responsável técnico regularizado.

“A qualidade do atendimento depende do cumprimento das normas técnicas e sanitárias”, afirmou.

Segundo Fleury, a fiscalização é realizada principalmente pela Vigilância Sanitária e pelos Procons. O Sindióptica, por sua vez, participa de ações de orientação e trabalha na criação de um selo de conformidade para empresas que cumpram todas as exigências legais do setor.

Terceiro setor com mais fiscalização

Durante a entrevista, o dirigente também comentou sobre o crescimento de programas públicos e ações financiadas por emendas parlamentares voltadas à distribuição gratuita de óculos. O presidente do sindicato defendeu a importância da política pública de acesso à saúde visual. Porém, ele afirmou que o setor busca discutir formas de ampliar essas iniciativas sem prejudicar empresas já estabelecidas no mercado.

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